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Hoje em dia, muito se fala sobre a fertilização in vitro (FIV). Conhecida antigamente como “bebê de proveta”, esse procedimento tem eficácia comprovada e ajuda muitos casais que não podem ter filhos, que não conseguem engravidar com métodos do tipo inseminação artificial ou coito programado e também para mulheres que querem ser mães, mas não encontram o parceiro ideal.

Considerado como um dos mais populares tratamentos para a infertilidade, com mais de 5 milhões de bebês nascidos, essa técnica de reprodução assistida ainda gera muitas dúvidas. Por essa razão, no post de hoje, responderemos 8 perguntas para sanar as dúvidas mais comuns sobre a fertilização in vitro. Acompanhe!

1. Como funciona a fertilização in vitro?

Primeiramente, a mulher deve usar medicamentos por via subcutânea para estimular o desenvolvimento dos óvulos, etapa que dura cerca de 10 dias. Quando os folículos estão no tamanho adequado, o médico coleta os óvulos no laboratório de reprodução humana, através de uma agulha fina, guiada por ultrassom. O procedimento dura cerca de 30 minutos e é feito com anestesia geral leve (sedação). Os óvulos maduros são fertilizados pelos espermatozoides no laboratório in vitro). Feito esse processo, cada óvulo começa a se dividir, formando um embrião, e esse desenvolvimento é acompanhado pela embriologista. Após 3 a 5 dias, o embrião é transferido ao útero materno através de um cateter delicado, procedimento que não demanda anestesia. O teste de gravidez é feito após 9 a 11 dias. Em algumas situações, os embriões são congelados para transferência em outro ciclo menstrual.

2. Quais exames devem ser feitos antes da FIV?

Antes de iniciar o tratamento, o casal deve ser avaliado de forma completa, com história detalhada, antecedentes pessoais e familiares, para então fazerem os exames. Na própria consulta, realizamos um ultrassom transvaginal para avaliar a anatomia uterina e os ovários. O homem deve realizar um bom espermograma com morfologia estrita para saber a qualidade e a quantidade de seus espermatozoides. Outro teste cada vez mais importante é o Índice de fragmentação do DNA no sêmen. Para a mulher, é importante avaliar a reserva ovariana (contagem de folículos antrais, FSH e estradiol, hormônio anti-mülleriano), função tireoidiana e outros hormônios. Em casos de suspeita de alteração uterina, a histeroscopia diagnóstica pode ser muito valiosa. Cariótipo do casal e pesquisa de trombofilias na mulher é controverso, mas vemos que pode beneficiar alguns casais, sendo interessante individualizar. Há também os testes de doenças sexualmente transmissíveis e doenças infecciosas, como HIV, HTLV, sífilis, hepatite B e C.

3. Pode ser feita na menopausa?

Durante a menopausa, os ovários ficam inativos e não liberam óvulos para que sejam fecundados. Mas é possível engravidar nessa fase com a doação de óvulos, também conhecido como ovodoação. Os óvulos de uma doadora jovem (até 35 anos) são fecundados pelos espermatozoides do parceiro da receptora, sendo formados os embriões, que podem então serem transferidos ao útero da receptora. Vale ressaltar que, ao contrário dos ovários, o útero não envelhece tão cedo, sendo possível prepará-lo para receber um embrião sem comprometimento da taxa de implantação.

4. Quais os efeitos colaterais?

Devido à estimulação ovariana controlada, os folículos aumentam de tamanho e os níveis de estradiol sobem, o que pode provocar alguns efeitos como: inchaço, ganho de peso (não gordura), mudanças de humor e de apetite, dor de cabeça e desconforto abdominal. Em casos mais raros, é possível ocorrer sangramentos, infecções ou trombose. O ganho de peso está relacionado à retenção de líquidos e é transitório. Como o processo dura poucos dias, após o período mais intenso da estimulação ovariana, os sintomas melhoram.

5. Quais são as chances de gravidez?

Depende de uma série de fatores, sendo os principais: idade materna, reserva ovariana, alterações genéticas nos pais e qualidade do sêmen. De modo geral, a probabilidade é de 40%, chegando a mais de 60% em pacientes jovens, e menos de 10% em pacientes com mais e 42 anos. Vale a pena conversar sobre a sua taxa com o seu médico, pois quando a chande é muito baixa (<5%), geralmente o tratamento mais indicado é a ovodoação.

6. Quanto tempo pode durar o tratamento?

Considerando a estimulação ovariana (10 a 13 dias), coleta de óvulos e sêmen, desenvolvimento dos embriões (3 a 6 dias) e transferência embrionária, o processo todo dura cerca de 20 dias. São mais cerca de 10 dias até o resultado do teste de gravidez. Portanto, cerca de um mês.

7. O procedimento pode ser realizado por mulheres de qualquer idade?

As chances de ter um bebê saudável com óvulos próprios após os 44 anos é muito baixa. Além disso o risco de aborto é muito elevado, pois a grande maioria dos embriões formados nessa fase carregam alguma alteração genética (como Sd. Down, Edwards, Patau). Assim, mesmo a FIV tem limites, que são biológicos. A mulher mais velha que engravidou com óvulos próprios tinha 50 anos, mas são casos extremamente raros que não devem ser levados como uma regra. É importante ressaltar o risco de malformações e abortamento após os 44 anos. Não existe uma limitação clara, mas uma conversa transparente com o especialista deve esclarecer essa dúvida e individualizar cada caso, adaptando à realidade e história de cada casal.

8. Quais os riscos essa técnica pode trazer?

A síndrome da hiperestimulação ovariana é a principal complicação da FIV. Felizmente, é uma complicação pouco frequente atualmente, devido à segurança dos protocolos de estimulação com antagonistas do GnRH e trigger com agonistas. Isso permite uma alta taxa de gravidez, sem colocar em risco a paciente e o bebê. A síndrome da hiperestimulação ovariana ocorre devido ao hCG circulante no sangue materno, que pode advir da aplicação exógena de hCG (Ovidrel, Choriomon) ou da própria gestação (trofoblasto que produz o hormônio).

A fertilização in vitro foi trazida ao Brasil em 1983 e, desde então, tornou-se muito conhecida e utilizada. Por ser um tratamento que envolve áreas especializadas, o ideal é preocupar por uma clínica ou hospital de confiança.

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