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Muitas vezes, a decisão de engravidar mais tarde é planejada, uma escolha que respeita o tempo de cada mulher, acerca do desejo de engravidar e do momento para isso. Outras vezes, a decisão é uma consequência que exige paciência e acompanhamento especializado.

Em qualquer um dos casos, os anseios sobre as possibilidades de sucesso estão vinculadas à idade, fator crítico e decisivo para mulheres que querem engravidar.

Muitas mulheres sentem receio de terem passado da idade mesmo para realizar a fertilização in vitro (FIV). Até quando ela pode ser feita? Existem limites ou parâmetros?

O conjunto de condições favoráveis, aliadas aos avanços tecnológicos da medicina fazem da FIV a opção mais eficaz para uma gravidez saudável em mulheres mais maduras, que sonham em vivenciar a maternidade em um momento mais equilibrado de suas vidas.

No geral, a FIV pode ser uma boa opção para pacientes com menos de 44 anos de idade. A partir desta idade, as chances de gestação com óvulos próprios são muito restritas. É claro que isso varia de uma caso para outro, mas, em geral, a chance de sucesso

a partir dos 45 anos é menor que 1%.  Isso deve ser discutido com o especialista em reprodução humana, para não criar expectativas irreais em relação ao tratamento.

Existem casos descritos de mulheres com mais de 45 anos que engravidaram com óvulos próprios, mas são raros. A maior idade foi de 48 anos. Para a maioria das pacientes com mais de 44 anos, a ovodoação é a opção que fornece uma boa taxa de gravidez, com menor risco de abortamento e malformações. No Brasil, o limite de idade para realizar qualquer tratamento de reprodução assistida é de 50 anos. Após essa idade, o caso deve ser avaliado pelo Conselho Regional de Medicina, que determinará se pode ser realizado.

A Medicina não é uma ciência exata, e as condições de cada paciente determinam as exceções e os ineditismos.

O que é preciso para uma mulher engravidar?

Óvulos e espermatozoides de boa qualidade, que formem um embrião normal e um útero apto a recebê-lo. Com isso, qualquer mulher pode chegar à maternidade por meio da FIV. As dificuldades se encontram principalmente na qualidade dos óvulos, que impacta diretamente na qualidade embrionária.

Vamos esclarecer um pouco mais sobre os processos a serem considerados sobre a FIV:

Embriões

Depois dos 30 anos, estima-se que metade dos óvulos de uma mulher é considerado normal cromossomicamente, ou “competentes”. Ao chegar aos 40, essa taxa cai para um sexto e, depois dos 42, para um décimo.

Além disso, a partir dos 32 anos e, principalmente 37 anos, a quantidade de óvulos no ovário (chamada de “reserva ovariana”) passa a cair, e agrava as chances de insucesso ao tentar engravidar. Essa queda é progressiva e, por isso, a partir dos 43 anos, a maioria dos casais tem sucesso apenas com a FIV através de óvulos doados.

Útero

O útero precisa ser normal, não só do ponto de vista anatômico, mas também hormonal e molecular. Caso haja qualquer disfunção, é importante que ela seja identificada o quanto antes. Atualmente existem vários exames específicos para detectar alterações endometriais e uterinas, como ressonância magnética, histeroscopia, biópsia endometrial e ERA (endometrial receptivity array).

É comum mulheres mais velhas apresentarem condições como miomas uterinos e adenomiose. Já as que estão na pós-menopausa terão úteros menores e o endométrio atrofiado devido à queda do estrogênio.

Por isso, nessas pacientes, é essencial que se use estrogênio de um a três meses antes de se transferir o embrião, para prever como será o preparo endometrial e identificar a espessura ideal do endométrio.

Check up

Antes de iniciar o tratamento, é importante também ter certeza de que a saúde da mulher está adequada para manter a gravidez, e que nenhuma doença poderá interferir no processo. Ou até mesmo que a gestação não prejudique condições maternas, como diabetes, hipertensão arterial sistêmica, doenças reumatológicas e renais.

Assim, recomenda-se uma consulta pré-concepcional e exames básicos, como exame de sangue (sorologias, glicemia, tipagem sanguínea, função renal, enzimas hepáticas em alguns casos etc), mamografia e exame de Papanicolaou.

Profissionalismo

Não existe tratamento ou acompanhamento adequado sem uma equipe de profissionais com a necessária experiência, com acesso a procedimentos como doação de óvulos, banco de sêmen e análise genética de embriões.

Algumas condições podem ser adaptadas, e toda regra pode ter sua exceção. Mulheres acima de 43, e até de 50 anos, podem, sim, gerar uma vida. Cada caso deve ser tratado individualmente – a idade é um alvo em movimento, e é importante considerar que a reserva ovariana da mulher vai influenciar fortemente na decisão.