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Fenômeno bastante atual, a gravidez mais tardia para as mulheres é tão comum que já faz parte do novo código das relações conjugais.

Antes de decidirem ter filhos, as mulheres costumam solidificar a carreira profissional e aguardar o amadurecimento de relações com parceiros, geralmente mais tardia do que costuma ser – se há algumas décadas, era comum se casar antes dos 20 anos de idade, hoje a média de idade das noivas é superior aos 27 anos.

A realidade é que há diversas consequências desse fenômeno para as mulheres que mantém o sonho de ser mãe. Não à toa, mais mulheres têm cada vez mais procurado tratamento para fertilidade. Isso porque a dificuldade de engravidar só aumenta quando se aproxima dos 35 anos e, principalmente, após os 40.

Para quem está nessa situação, há tratamentos que podem ser indicados a mulheres com baixa reserva ovariana, baixa resposta em ciclo de FIV anterior ou que tenham tido embriões de pouca qualidade.

O tratamento mais indicado para mulheres com idade reprodutiva avançada e/ou baixa reserva ovariana é a Fertilização in vitro (FIV). Para isso, aplicam-se injeções de hormônios (gonadotrofinas, que são hormônios como FSH e LH) que estimulam o desenvolvimento dos folículos nos ovários. Em geral, quanto melhor a resposta ovariana, maior será a taxa de gravidez. E é esse o objetivo desses hormônios.

Esse processo pode ocorrer de diversas formas; por isso, é ideal que a mulher e o médico responsável estejam certos de qual será o tipo de estimulação mais adequado para o seu caso. Existem diversos tipos de protocolos de estimulação ovariana, sendo que para pacientes com baixa reserva ovariana ou poor responders (más respondedoras em ciclos anteriores), os ciclos com antagonista do GnRH (Orgalutran, Cetrotide), combinados a gonadotrofinas que contém FSH + LH (Pergoveris, Menopur), parecem ter melhor eficácia. Ciclos com Micro-Flare também tem boa eficácia.

A pergunta que muitos pesquisadores fizeram no passado não tão distante é se existem outros medicamentos que podem potencializar a resposta ovariana, melhorando as taxas de sucesso (gravidez e nascido-vivo).

Entendendo o hormônio do crescimento

O hormônio do crescimento, também conhecido pela sigla GH (Growth Hormone), assim como outros hormônios, é produzido pela hipófise.

Porém, sua atuação difere dos demais, pois promove o crescimento longitudinal das células, de um modo geral. Sua atuação geralmente se dá através da intermediação da somatomedina C (também conhecido como IGF-1), produzida no fígado e pelas células ósseas ou musculares, que promove boa parte do crescimento de todos os tecidos do corpo. Simplificando, o IGF-1 é a molécula que produz a ação mediada pelo GH.

Hormônio natural no corpo humano, o IGF-1 também está presente nos folículos ovarianos. Porém, estudos revelam que a concentração de IGF-1 é menor em pacientes com baixa reserva ovariana ou más-respondedoras, acompanhando a redução da reserva de ovários e de mitocôndrias funcionais. Ou seja, a redução de IGF-1 demonstra uma pior função celular nas mulheres com idade mais avançada.

Diversas pesquisas recentes têm demonstrado que complementar o estímulo da ovulação com a administração de hormônio do crescimento melhora a resposta folicular em mulheres mais velhas, com baixa reserva de óvulos ou más-respondedoras. Ao contrário do que a maioria pensa, o GH não aumenta o número total de óvulos, mas melhora a qualidade embrionária e aumenta a taxa de gravidez e nascido-vivo.

A causa desse fenômeno é explicada de duas maneiras pela literatura científica: a primeira é que há uma melhor resposta das gonadotrofinas através da maior regulação dos receptores de hormônios FSH; e a outra é um efeito do GH no próprio óvulo em que a atividade mitocondrial é reforçada.

Após uma sucessão de resultados que demonstram que os óvulos de mulheres mais velhas que passaram pelo tratamento de GH são de melhor qualidade, assim como a produção das mitocôndrias funcionais é maior, já existe utilização seletiva em alguns países.

No entanto, esse tipo de tratamento requer certos cuidados também. O excesso de hormônio do crescimento, cuja indução é mais comum em tratamentos contra o nanismo e de crescimento de crianças/adolescentes, é o aumento dos músculos e a diminuição da massa gordurosa. Esse processo, em larga escala, pode acarretar em deformações no corpo e na acromegalia, que é o aumento de regiões extremas, como os lábios, as mãos e os pés.

Se você teve uma baixa resposta num ciclo de FIV, tem baixa reserva ovariana, idade reprodutiva avançada, converse sobre o GH com seu médico. Discutam as evidências científicas atuais, os riscos e custos, para ter uma maior taxa de sucesso no seu tratamento. Boa sorte!