Tempo de Leitura: 5 minutos

Seu relógio biológico já começou a avisar que está na hora de engravidar? No caso das mulheres, é preciso ficar bem atenta a esse chamado, já que a idade começa a reduzir a chance de ter filhos e acaba sendo o fator mais importante na hora de discutir infertilidade.

Já os homens, podem ficar mais tranquilos porque a idade só se torna um fator relevante principalmente após os 50 anos, não coincidindo normalmente com o momento em que eles desejam ter filhos. Mas vale lembrar que alguns estudos recentes mostram que já a partir dos 40 anos, alguns homens começam a ter um declínio na fertilidade.

Quer entender melhor como o relógio biológico afeta a fertilidade do casal e por que as mulheres são mais afetadas pela idade do que o homem? Confira tudo aqui no nosso post!

Como funciona a fertilidade na mulher?

Quando ainda estão dentro do útero da mãe, as mulheres produzem todos os óvulos que usarão durante a vida — aproximadamente 7 milhões. Apesar dessa produção parecer excessiva, considerando que apenas um óvulo costuma ser liberado a cada ciclo menstrual, no momento do nascimento esse número já se reduziu para 1 a 2 milhões. Essas células sofrem um processo de degeneração natural e vão morrendo com o passar do tempo, numa taxa de cerca de mil óvulos por mês!

Ao chegar à puberdade, por exemplo, a mulher possui cerca de 400 mil óvulos e, na menopausa, algumas centenas apenas.

Como isso influencia a fertilidade da mulher?

O relógio biológico da mulher dá as caras bem cedo e costuma atrapalhar os planos de quem se dedicou aos estudos e à carreira antes de engravidar, o que é cada vez mais frequente na sociedade moderna.

À medida que a mulher envelhece, a reserva ovariana (a quantidade de óvulos ainda presentes nos ovários) vai caindo. Diminui também a qualidade do óvulo que é liberado a cada mês, já que os óvulos mais velhos passam a carregar mais alterações genéticas quando são fecundados.

Assim, a partir dos 32 anos, a chance da mulher engravidar já começa a cair e os abortos se tornam mais frequentes. Entretanto, até os 37 anos, a gravidez ainda costuma ocorrer espontaneamente, embora possa demorar um pouco mais.

A partir dos 38 anos fica cada vez mais difícil a mulher engravidar sem a ajuda de técnicas de reprodução assistida.

O risco do bebê ter doenças cromossômicas, como a síndrome de Down, aumenta em até 20 vezes com a idade. Por exemplo: aos 30 anos, o risco de ter um bebê nascido com a síndrome é de cerca de 1/900; aos 40 anos, 1/100; aos 42 anos, 1/70 e, aos 44 anos, 1/40. Isso acontece porque a qualidade dos óvulos será menor e eles passam a apresentar alguns defeitos genéticos.

E as doenças ginecológicas? Que influência elas têm?

Doenças como a endometriose e a doença inflamatória pélvica (DIP) podem alterar a fisiologia e a anatomia da cavidade abdominal da mulher, aumentando a quantidade de substâncias inflamatórias e criando um ambiente prejudicial ao óvulo e embrião.

Assim, quando o óvulo é liberado pelo ovário dentro da cavidade intraperitoneal, antes de entrar na tuba, ele pode sofrer danos que irão prejudicar a fecundação. Como essas doenças ginecológicas tem um efeito cumulativo ao longo dos anos, à medida que a mulher envelhece, maior é a chance de elas influenciarem negativamente na fertilidade.

Os tratamentos da infertilidade conseguem aumentar a reserva ovariana?

Não. Esse é o nosso grande desafio. Infelizmente, os tratamentos de fertilidade ainda não conseguiram estimular a produção de novos óvulos pela mulher. Assim, todas as técnicas que existem dependem da existência de um óvulo e um espermatozoide saudáveis para que a fecundação ocorra e a mulher tenha a chance de engravidar.

Se a mulher ainda tiver uma boa reserva ovariana, conseguimos estimular os ovários e promover a maturação de diversos óvulos ao mesmo tempo, ao invés de um único óvulo como ocorre naturalmente a cada ciclo menstrual. É o que fazemos na estimulação ovariana durante a FIV.

Os óvulos são então coletados e fecundados, o que permite a criação de vários embriões e aumenta a chance da mulher ter um bebê saudável.

E se não há reserva ovariana?

Caso a mulher já tenha exaurido sua reserva ovariana ou não tenha óvulos saudáveis para a coleta da fertilização in vitro, é possível utilizar material doado por outras mulheres, conhecido como ovodoação ou doação de óvulos.

Como a mulher pode preservar a sua fertilidade e parar o relógio biológico no tempo?

Quanto mais saudável for a mulher, maior a chance de ela manter sua fertilidade por mais alguns anos. Assim, embora não dê para parar o relógio completamente, é possível atrasá-lo um pouquinho. Aqui vão algumas dicas:

  • Pratique exercícios físicos regularmente;
  • Mantenha o peso na faixa ideal, nem acima nem abaixo do recomendado;
  • Tenha uma dieta saudável, rica em frutas, cereais, saladas e carnes magras;
  • Trate doenças crônicas como hipotireoidismo e endometriose;
  • Abandone o tabagismo e reduza o consumo de álcool e cafeína.

Agora, para as mulheres que já decidiram que vão tentar engravidar após os 40 anos e querem reduzir os riscos de problemas, é possível ainda preservar a fertilidade por meio do congelamento de óvulos.

Assim, quando a mulher ainda é jovem e os óvulos estão mais saudáveis, eles são congelados no tempo pela técnica de vitrificação. Anos mais tarde, eles podem ser descongelados e fecundados por um espermatozoide, com uma chance maior de sucesso do que se fossem utilizados os óvulos da mulher mais velha. Vale ressaltar que quanto mais jovem se faz o congelamento, melhores são as chances de sucesso.

E como a fertilidade funciona no homem? A idade tem algum efeito?

Ao contrário da mulher, o homem não nasce com todos os espermatozoides já prontos e vai produzindo-os diariamente, à medida que outros são eliminados – 30 a 500 milhões a cada ejaculação.

Dessa forma, com a capacidade de produção contínua, os gametas masculinos se mantém saudáveis e prontos para a fecundação. A exceção acontece quando o homem apresenta algum outro problema que curse com infertilidade.

Apenas após os 40 ou 50 anos é que as alterações hormonais do envelhecimento começam a afetar a produção de espermatozoides. A qualidade e a quantidade desses gametas diminuem e aumenta um pouco o risco de algumas doenças, como autismo.

Entendeu como o relógio biológico influencia tanto a sua fertilidade quanto a do seu parceiro? Quer saber mais sobre Curta a nossa página do Facebook para não perder nossos posts ficar sempre por dentro das novidades.