Tempo de Leitura: 4 minutos

Muitas mulheres tentam meios naturais de engravidar porém, sem sucesso. Estimamos que cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva sejam inférteis. Felizmente, os avanços da medicina oferecem métodos para auxiliar os casais que querem ser pais, como a fertilização in vitro, inseminação intrauterina ou a relação sexual programada, sendo esse último uma das maneiras mais simples para tentar a gravidez.

Neste artigo vamos apresentar a você o método da relação sexual programada e falar como ele funciona, quem pode fazer o tratamento, quais são os riscos, além de fornecer outras informações. Continue lendo!

O que é a relação sexual programada?

A relação sexual programada ou coito programado consiste na indução de ovulação, estimulando-se os ovários com medicamentos, por via oral ou injetável subcutânea. Com o acompanhamento por ultrassom transvaginal, sabemos quando a mulher vai ovular e podemos programar a relação sexual para os dias férteis, aumentando as chances de fecundação do óvulo.

Como esse método funciona?

Para aumentar as chances de gravidez, a mulher é medicada por via oral ou subcutânea com substâncias que atuam diretamente ou indiretamente nos folículos ovarianos, estruturas que contém os óvulos.

Iniciamos a indução da ovulação a partir dos primeiros dias da menstruação (3° ao 5°). Durante esse processo, ela é acompanhada por um especialista, que observa o crescimento folicular através da ultrassonografia.

Quando o folículo está do tamanho adequado, com cerca de 18 mm, a mulher recebe uma dose de hormônio hCG (Ovidrel, Choriomon-M), que estimula a ovulação após cerca de 40 horas. Assim, orientamos as relações sexuais nessa fase de maior chance de sucesso, totalizando cerca de 4 relações.

Depois de 15 dias da relação sexual programada, a mulher é submetida ao teste de gravidez para sabermos se o beta HCG está positivo, o que demonstra a implantação do embrião. Caso consiga engravidar, deve começar o pré-natal; do contrário, pode tentar novamente na próxima menstruação. Orienta-se repetir o tratamento até 3 vezes (ou mais em casos selecionados), pois, mais que isso, a chance de gravidez cumulativa geralmente não aumenta. É o momento de se programar outro tratamento mais eficiente, como a Fertilização in vitro.

Quem pode fazer esse tratamento?

A relação sexual programada não é eficaz para todo casal. Ele é indicado apenas para casos nos quais a mulher tenha problemas com a ovulação, mas em que os exames dela e de seu parceiro estejam normais. Assim, é importante ter tubas uterinas e espermograma normais. A idade materna também é decisiva para o sucesso.

A avaliação da indicação ou não do método é feita mediante a análise dos exames das tubas uterinas (histerossalpingografia e/ou cromotubagem) e do sêmen (espermograma com morfologia estrita e índice de fragmentação do DNA espermático), além do histórico da regularidade dos ciclos menstruais da mulher.

Qual é a taxa de sucesso do método?

A taxa de eficácia desse método gira em torno de 12 a 15%. Isso porque, na relação sexual programada, são utilizados os óvulos da mulher; dessa forma, sua idade interfere no sucesso, pois após os 35 anos as chances de gravidez reduzem, uma vez que os óvulos também envelhecem.

Se o método não se mostrar eficiente, o casal pode tentar outras técnicas com taxas de sucesso mais altas, como é o caso da fertilização in vitro.

Esse tratamento oferece risco para a mulher?

O principal risco está relacionado à gestação múltipla. Como se estimula mais de um folículo, pode acontecer uma gestação gemelar (tri, quadri etc!), o que pode levar a um parto prematuro, restrição de crescimento fetal, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, entre outros.

Outro risco é a Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (SHO), quando a produção de estradiol aumenta muito por conta da resposta exagerada dos ovários. Esse fato pode ocasionar inchaço, ascite (líquido no abdome) e trombose, em especial se acontecer a implantação do embrião (gravidez). Contudo, vale ressaltar que esse risco é baixo quando acompanhado por um especialista. Já ouviu em histórias de mulheres que tomaram um “indutor da ovulação” por conta própria e engravidaram de trigêmeos (ou mais)? Isso ocorre porque, sem acompanhamento, é muito difícil saber quando há uma resposta anormal aos medicamentos.

Apesar disso, a relação sexual programada pode ser a solução para as mulheres que apresentam um ciclo menstrual irregular, como nos casos de Síndrome dos Ovários Policísticos.

É preciso alertar, contudo que, embora os medicamentos orais para a estimulação da ovulação sejam encontrados em farmácias, é necessário que a mulher faça o tratamento com um especialista, pois ela pode se expor a complicações e a riscos maiores quando se automedica.