Investigação das Causas da Infertilidade

Inicialmente, vale a pena ressaltar que a chance de um casal engravidar naturalmente é, em média, 20% ao mês. Assim, é comum normal haver um tempo entre o início das tentativas e a gravidez. Mas quando um casal deve começar a se preocupar com essa demora? No entanto, após 1 ano, cerca de 85% dos casais terão engravidado.

A infertilidade é a ausência de gravidez após 1 ano. Apesar de parecer raro, este problema atinge de 15% dos casais. A dificuldade pode ser maior quando a mulher tem mais do que 35 anos. Neste caso, o casal deve procurar ajuda médica após 6 meses sem conseguir engravidar.

Apesar de parecer complicada, a investigação do casal deve ser objetiva e direcionada as principais causas que levam a infertilidade: problemas na ovulação, alterações nas tubas (ou trompas de Falópio), doenças do útero e problemas nos espermatozóides. Além disso, vale a pena ressaltar: a investigação é sempre do casal, nunca apenas da mulher ou do homem.

Os testes básicos que fazemos para encontrar uma causa específica de infertilidade incluem, na mulher, a avaliação da ovulação (dosagens de hormônios), o estudo das tubas (histerossalpingografia, ou exame com contraste do útero e das tubas) e avaliação do útero (ultrassom). No homem, avaliamos a produção de espermatozoides através da análise do sêmen (espermograma) e de exames hormonais.

Apenas quando necessário, podemos lançar mão de testes mais avançados como a ressonância magnética, a laparoscopia, a histeroscopia e exames genéticos do casal.

Entre em contato conosco e saiba mais!

Relação Sexual Programada

A relação sexual programada é indicada para a mulher que tem problemas na ovulação. A principal alteração neste caso é a história de irregularidade menstrual (algumas mulheres podem ficar meses sem menstruar).

É o tratamento mais simples em reprodução humana.

A primeira etapa é a indução da ovulação, que é feita com medicações. Durante este período, o crescimento dos folículos dos ovários (cada folículo contém um óvulo) é controlado por exames de ultrassom.

Quando os folículos atingem um tamanho adequado, aplica-se uma última medicação, que deflagra a ovulação propriamente dita. As relações sexuais são programadas e o teste de gravidez é feito após 15 dias.

Inseminação Intra-uterina

A inseminação intra-uterina é indicada para o casal em que o homem tem uma alteração leve a moderada dos espermatozóides. Também é usada quando há uma pequena alteração, como endometriose leve, ou mesmo em situações em que não encontramos uma causa clara de infertilidade (infertilidade sem causa aparente).

É um tratamento intermediário em reprodução humana. A primeira etapa é a indução da ovulação, que é feita com medicações. Neste período, o crescimento dos folículos dos ovários (estruturas que contém o óvulo) é controlado por exames de ultrassom.

Quando o folículo atinge um tamanho adequado, aplica-se uma última medicação, que deflagra a ovulação propriamente dita e se agenda o procedimento.

A inseminação intra-uterina consiste na injeção do sêmen processado dentro do útero da mulher, utilizando-se um catéter delicado. O processamento seminal é a separação dos espermatozóides móveis daqueles imóveis, células imaturas ou restos celulares. O teste de gravidez é feito após 15 dias.

Fertilização in vitro / ICSI

A fertilização in vitro (FIV) está indicada para inúmeros problemas graves que levam a infertilidade, como alterações tubárias, endometriose, baixa qualidade dos óvulos e alteração importante dos espermatozóides.

É um tratamento de alta tecnologia em reprodução humana. As etapas da FIV são: a indução da ovulação, a captação dos óvulos e a coleta dos espermatozóides, a fertilização no laboratório e a transferência dos embriões.

A indução da ovulação é realizada através de medicações, que induzem os ovários a produzir um número maior de óvulos. Neste período, o crescimento dos folículos dos ovários (estruturas que contém o óvulo) é controlado por exames de ultrassom. Quando os folículos atingem um tamanho adequado, aplica-se uma última medicação, que deflagra o amadurecimento dos óvulos, e se agenda a captação dos óvulos. No laboratório, os óvulos captados são fertilizados pelos espermatozóides, gerando os embriões.

Atualmente, na maioria dos casos a fertilização é feita através da injeção do espermatozóide diretamente dentro do óvulo (injeção intracitoplasmática de espermatozóide – ICSI). Os embriões se desenvolvem no laboratório por 3 a 5 dias. Após este período, eles são transferidos para dentro do útero da mulher. Este procedimento é realizado com um catéter delicado e guiado por ultrassom. O teste de gravidez é feito após 11 dias.

Doação de óvulos ou espermatozóides

A doação de óvulos ou espermatozóides é indicada quando há falta ou alteração importante na qualidade destes gametas. A seleção do doador ou da doadora deve ser rígida, com investigação da história pessoal e familiar, realização de exames clínicos, laboratoriais (como sorologias para hepatites, HIV e HTLV), de imagem e avaliação adequada da fertilidade.

O processo de ovodoação funciona assim: a doação de óvulos é anônima e é feita geralmente por mulheres mais jovens, com menos de 35 anos de idade. A doação é um procedimento sem fins lucrativos para a doadora e, por questões éticas, pode ser feita apenas após total esclarecimento e aprovação de todas as pessoas envolvidas.

Já a doação de espermatozóides segue um processo diferente. Ela ocorre somente a partir de um banco de sêmen, onde o doador passa por uma série de exames que geralmente levam 6 meses. Após aprovação, o sêmen é armazenado em laboratório e as informações sobre as características físicas (fenotípicas) são colocadas à disposição do paciente (receptor).

Preservação da Fertilidade

A preservação da fertilidade é indicada quando se quer ter uma chance maior de engravidar no futuro.

A mulher que não quer ou não pode ter filhos mais jovem ou a pessoa que irá se submeter a um tratamento quimioterápio são exemplos de situações em que o tratamento é realizado.

Assim, temos três modalidades principais: congelamento de sêmen, de óvulos e de embriões. Atualmente, através da técnica de vitrificação (congelamento rápido), consegue-se excelente resultado nestas modalidades.

Avaliação Genética do Embrião

A avaliação genética do embrião é indicada ao casal que tem um risco aumentado de problemas genéticos ou falhas repetidas de engravidar. É um procedimento de alta complexidade e deve ser realizado através da retirada e do estudo genético de uma célula do embrião.

Tratamentos Cirúrgicos para a Mulher

  • Laparoscopia
    A laparoscopia é uma técnica cirúrgica moderna utilizada no tratamento de algumas doenças ginecológicas que podem levar à infertilidade (como endometriose, aderências e miomas uterinos). Esta cirurgia é considerada minimamente invasiva já que o cirurgião visualiza e manipula os órgãos localizados no interior da cavidade abdominal por meio de uma câmera e pinças com menos de 1 centímetro de diâmetro, fazendo pequenos cortes na pele. As vantagens em relação à cirurgia convencional (aquela feita por meio de um corte maior, semelhante à cesárea) são: melhor visualização dos órgãos abdominais e pélvicos, menor dor no pós-operatório, retorno mais precoce às atividades habituais, redução da perda de sangue, menor formação de aderências, entre outras.
  • Histeroscopia
    A histeroscopia é semelhante à laparoscopia, porém difere desta por ser realizada dentro da cavidade do útero. Neste caso, a via de acesso é o próprio colo do útero, não sendo necessário realizar cortes na pele. É utilizada para diagnóstico e tratamento de doenças uterinas como pólipo endometrial, mioma uterino submucoso e septo uterino, dentre outras. Todas elas podem causar infertilidade ou abortamentos de repetição e, o tratamento cirúrgico antes do tratamento de reprodução assistida, pode ser fundamental para um resultado positivo.
  • Reversão da Laqueadura
    Laqueadura tubária é um procedimento cirúrgico no qual as tubas uterinas, antigamente conhecidas como Trompas de Falópio, são interrompidas ou retiradas. Sabemos que a tuba é um órgão delicado, de forma canalicular (“pequeno cano”) e responsável pelo encontro do óvulo com o espermatozóide. Existem várias técnicas utilizadas na realização da laqueadura, desde a simples cauterização até a remoção de parte de cada tuba. A laqueadura foi (e ainda é) muito utilizada em nosso país. Quando há desejo de gravidez após a sua realização, temos, basicamente, dois métodos principais: a reversão da laqueadura ou a fertilização in vitro (FIV). A reversão da laqueadura é um procedimento cirúrgico delicado, pois as tubas são milimétricas. Geralmente esta cirurgia é realizada por meio da laparoscopia, que possibilita um aumento da imagem. A chance de sucesso varia de acordo com a técnica que foi utilizada na laqueadura. Por exemplo, quando parte da tuba é retirada, a chance de sucesso é bem menor. Em média, esta taxa é de 40%.

Tratamentos Cirúrgicos para o Homem

  • Tratamento de Varicocele
    Varicocele é a dilatação das veias que drenam o testículo e é a principal causa de infertilidade nos homens. Quando há varicocele, o sangue fica represado ao redor dos testículos, aumentando a temperatura testicular e prejudicando o processo de formação de espermatozóides. O exame físico realizado por um urologista é a medida mais importante para o diagnóstico. Quando existe a suspeita de varicocele, a confirmação é feita por meio de uma ultrassonografia dos testículos. O tratamento é quase sempre cirúrgico. Atualmente, a cirurgia mais comum é feita por meio de um corte na região inguinal (virilha) e com auxílio de um microscópio, já que as veias dilatadas podem ser confundidas com estruturas importantes a olho nu. Esta técnica apresenta também melhores resultados. A cirurgia dura aproximadamente 45 minutos de cada lado e o paciente pode ter alta do hospital no mesmo dia.
  • Reversão da Vasectomia
    Quando o homem deseja reverter o quadro de esterilidade causado pela vasectomia, existem duas possibilidades: a cirurgia de reversão de vasectomia e o tratamento de Fertilização in vitro (FIV). A escolha é baseada em algumas informações como o tempo desde a realização da vasectomia e a avaliação da esposa. Em casos onde a vasectomia foi realizada há mais de 15 anos, os resultados não são muito animadores; ou seja, há uma menor probabilidade de sucesso. Além disso, quando a mulher tem alguma dificuldade conhecida para engravidar, como problemas nos ovários, tubas ou idade próxima aos 40 anos, estas chances são menores. Nestes casos, a FIV torna-se uma melhor opção. Na cirurgia de reversão de vasectomia, os canais deferentes (que ligam o testículo ao pênis) são reconectados e os espermazóides voltam a ser ejaculados. Trata-se de uma cirurgia mais complexa que a vasectomia, pois é microscópica.