O que é infertilidade?

Define-se infertilidade conjugal como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de método anticoncepcional. É importante ressaltar que a infertilidade não é igual a impossibilidade, mas a dificuldade para engravidar, que pode ser de diversos graus. A equipe médica da VidaBemVinda está apta a ajudar você no processo de identificação das causas da infertilidade e a indicar o melhor tratamento.

Quantas mulheres sofrem com o problema atualmente?

A infertilidade não é um problema raro. Muito pelo contrário, atualmente ela atinge cerca de 15% dos casais.

A infertilidade é um problema exclusivamente feminino?

Não, é um problema do casal. Os dados são claros: em 30% dos casais, o problema é encontrado no homem e, em 20%, o problema está tanto no homem quanto na mulher. Assim, podemos dizer que em 50% dos casais inférteis, o homem está envolvido na causa da infertilidade.

O que causa a infertilidade na mulher?

As principais causas de infertilidade feminina são disfunções na ovulação (fator ovulatório), alterações nas tubas (fator tubário) e no útero (fator uterino). Outra causa importante de infertilidade é a endometriose, doença cada vez mais freqüente em nosso meio.

Há fatores que aumentam os riscos de infertilidade feminina?

Sem dúvida. O fato de deixar para engravidar mais tarde, a obesidade ou o baixo peso, a exposição a doenças sexualmente transmissíveis e o tabagismo são exemplos claros de situações que aumentam o risco de infertilidade e que devem ser evitados.

Outra situação que vemos na prática clínica é quando a mulher é submetida à quimioterapia ou radioterapia no tratamento do câncer. Neste caso, dependendo do esquema utilizado, há perda dos óvulos e alto risco de infertilidade.

Como a idade interfere na fertilidade da mulher?

A idade é a o fator mais importante na fertilidade da mulher. O grande problema é que os óvulos, ao contrário dos espermatozóides, não se multiplicam. A reserva de óvulos da mulher se estabelece antes dela nascer, enquanto está na barriga de sua mãe, e só reduz desde então! Além da perda na quantidade, há também perda na qualidade dos óvulos, o que leva a uma menor chance de engravidar e a uma maior chance de abortamento. Sabemos que, de maneira geral, há uma maior chance de gravidez antes dos 35 anos e que esta chance se reduz com a idade, com queda importante após os 37 anos. No entanto, isto pode variar bastante de mulher para mulher.

As mulheres devem engravidar até os 35 anos?

Esta pergunta envolve diversos sentidos: reprodutivos, sociais, filosóficos. Do ponto de vista reprodutivo, diria que quanto mais cedo a mulher engravidar, desde que esteja com seu corpo totalmente formado, melhor. Já vimos mulheres com menopausa aos 30 anos, assim como aquelas que com 38 estão ótimas. Mas, na média, 35 anos parece ser um limite com boa margem de segurança para a maioria das mulheres. Individualmente, o mais importante é fazer uma avaliação ginecológica de rotina que contemple o estudo da reserva ovariana.

A alimentação influencia a fertilidade?

Sem dúvida, a alimentação influencia toda nossa saúde, inclusive a fertilidade. O maior exemplo é a obesidade ou o baixo peso extremo, diretamente influenciados por nossa dieta. Estas situações reduzem a fertilidade da mulher e do homem, por diversos mecanismos. A própria Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva considera a manutenção de um adequado peso corporal um dos quatro pilares para preservação da fertilidade.

O estresse pode prejudicar a fertilidade?

Infelizmente, sim! O estresse altera a fertilidade de várias formas e com vários graus. Apesar de ser difícil de comprovar, através de exames clínicos, que o estresse é o causador da infertilidade, notamos em situações do dia-a-dia que ele atua diretamente no funcionamento dos órgãos reprodutores. Quem nunca escutou falar que a mulher menstruou (ou mesmo parou de menstruar) após um evento extremamente estressante? Mesmo assim, o que sempre oriento ao casal é que todos que enfrentam algum tipo de problema para engravidar, apresentam algum nível de estresse. O importante é não se preocupar com o próprio estresse. Este ciclo vicioso é ruim!

A ansiedade de engravidar pode atrapalhar este processo? De que forma?

A ansiedade pode atrapalhar, principalmente por trazer sofrimento ao casal. No entanto, não deve ser supervalorizada: grande parte das mulheres que querem engravidar apresentam algum grau de ansiedade e apenas uma pequena parcela terá problemas mais sérios.

A pílula anticoncepcional pode prejudicar a fertilidade?

Isto é um mito. A pílula apenas atua enquanto está sendo usada e, quando é suspensa, permite o retorno da capacidade de engravidar.  No entanto, o que pode acontecer, é um retorno gradual da fertilidade. Ou seja, algumas mulheres apresentam fertilidade completa cerca de 3 a 6 meses após a suspensão da pílula.

As fumantes têm dificuldades para engravidar?

Sim! O cigarro é comprovadamente um redutor da fertilidade. Diversos trabalhos científicos já demonstraram isso, tanto em mulheres quanto em homens. Portanto, parar de fumar é importante. Um exemplo marcante é na fertilização in vitro, técnica avançada para tratar casais inférteis. Alguns trabalhos demonstraram redução de 50% na chance de gravidez de casais que fumam, quando comparados a não fumantes!

Após quantas tentativas de engravidar a mulher deve buscar orientação médica?

Após 1 ano sem conseguir engravidar, o casal deve procurar assistência médica para uma avaliação adequada. Este período deve ser menor, de 6 meses, quando a mulher tem 35 anos ou mais. Outros exemplos são naqueles casais onde há uma suspeita de alteração inicial, como presença de menstruações irregulares, Síndrome dos Ovários Policísticos, endometriose, infecção pélvica prévia, gestação ectópica anterior, laqueadura tubárea ou vasectomia.

Que tipo de procedimentos os médicos usam para diagnosticar a infertilidade na mulher?

Entre os procedimentos que a VidaBemVinda realiza para encontrar uma causa específica de infertilidade estão inclusos a avaliação da ovulação (história menstrual e dosagens de hormônios), o estudo das tubas (histerossalpingografia) e avaliação do útero (ultrassonografia transvaginal). A endometriose é diagnosticada através de exame de sangue (CA-125) e de exames de imagem (ultrassonografia transvaginal especializada e ressonância magnética).

Problemas de fertilidade são hereditários entre as mulheres?

A grande maioria dos problemas não são hereditários, mas existem exceções.

Em relação à mulher, por exemplo, existem famílias com Síndrome dos Ovários Policísticos, miomas, endometriose e perda precoce dos óvulos (falência ovariana prematura).

Já os homens podem ter alterações genéticas que levam a redução da qualidade do sêmen. Outra situação rara, mas importante, é quando há ausência dos ductos deferentes bilaterais (canais que transportam os espermatozóides do testículo para o ducto ejaculatório). Este problema está relacionado a uma mutação do gene da fibrose cística, doença grave que deve ser avaliada.

A infertilidade é um problema exclusivamente feminino?

De maneira alguma. A infertilidade é um problema conjugal. Quando investigamos casais inférteis, em cerca de 30% deles o problema está no homem e, em cerca de 20%, em ambos. Portanto, em pelo menos metade dos casais inférteis, o homem está envolvido diretamente na origem do problema.

Quais são os principais meios, usados atualmente, para tratar a infertilidade na mulher?

Atualmente, existem diversos tratamentos para infertilidade que incluem a relação sexual programada (coito programado), a inseminação intra-uterina e a FIV (Fertilização in Vitro). Estes tratamentos estão dispostos em graus de complexidade (menos complexos para mais complexos) e indicados para diferentes problemas do casal.

Qual a chance de sucesso de cada um dos tratamentos descritos acima?

Houve uma grande melhora dos resultados das técnicas de reprodução humana. A inseminação intra-uterina apresenta uma chance de engravidar de 20% por tentativa (em média). Já a FIV (Fertilização in Vitro) apresenta uma chance de sucesso de 40% por tentativa (em média). Apesar de não parecer excelente, ela representa o dobro da chance de um casal sem problemas de infertilidade engravidar, que é de 20%.

Quais são os riscos de cada uma delas?

O principal risco relacionado a todas as técnicas de reprodução humana é a gestação múltipla. Como todos estes tratamentos envolvem a indução da ovulação, aumentamos a chance de múltiplos óvulos e, conseqüentemente, múltiplos embriões. Assim, o médico deve ter cautela quando realizá-los. Outro problema importante é a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana, quando há uma resposta exagerada às medicações usadas na indução da ovulação.

A geração de bebês múltiplos ainda é um fator comum para este tipo de gestação?

Sim. Os tratamentos de reprodução humana aumentam a chance de gestações múltiplas (gêmeos, trigêmeos, etc.), por induzirem a produção de um número maior de óvulos e embriões. No entanto, muito se tem feito para amenizar este risco. Além disso, é sempre bom ressaltar que a chance de gestação múltipla é menor do que a chance de gestação única.

Bebês gerados a partir de técnicas de reprodução assistida tendem a nascer prematuros?

A prematuridade está relacionada a gestações múltiplas (gêmeos, trigêmeos, etc.). Assim, uma gravidez única após fertilização in vitro não tem risco aumentado de prematuridade. Mas uma gestação múltipla, tanto pós-fertilização quanto espontânea, tem risco aumentado.

O que causa a infertilidade no homem?

As principais causas que encontramos no homem são: varicocele, processos infecciosos, exposição a toxinas, fatores genéticos, alterações hormonais e obstrução dos ductos de transporte. No entanto, boa parte dos homens com alteração no sêmen não tem qualquer motivo identificável que a explique.

Existe alguma relação ente fertilidade e potência sexual?

Na imensa maioria dos homens, não. A produção dos espermatozóides (fertilidade) e da testosterona (potência sexual) é feita por células diferentes no testículo. Assim, o que ocorre com mais freqüência é a alteração no sêmen com nível de testosterona normal.

É possível ter boas relações sexuais e não engravidar uma mulher?

Com certeza. Engravidar é apenas uma parte do que se expressa na relação sexual. Além disso, existem diversos motivos que explicam a infertilidade, sendo que a imensa minoria destes envolve a perda da potência sexual do homem ou da mulher.

Há fatores que aumentam os riscos de infertilidade masculina?

Sim, principalmente relacionados à exposição a substâncias tóxicas. Dentre os exemplos mais comuns temos os medicamentos usados em quimioterapia, a radiação ionizante, o calor ou os hormônios exógenos. Além disso, infecções que levam a inflamação dos testículos (orqui-epididimite) também podem estar envolvidas.

Como a idade interfere na fertilidade do homem?

A idade interfere na fertilidade do homem, mas de maneira muito menos importante do que na mulher. Há trabalhos que mostram uma redução na concentração e na motilidade dos espermatozóides, outros um aumento de problemas genéticos com a idade. No entanto, as evidências demonstram pouca ou nenhuma influência na capacidade de gerar uma gravidez.

Que tipo de procedimentos os médicos usam para diagnosticar a infertilidade no homem?

O principal exame no homem é o espermograma. Deve ser feito após abstinência sexual de 2 a 5 dias e, idealmente, repetido com intervalo de 15 a 30 dias (dois espermogramas). Este exame avalia o volume do sêmen, o número, a concentração, a movimentação (motilidade) e a forma (morfologia) dos espermatozóides e a presença de inflamação. Apresenta boa correlação com gravidez e sempre deve ser realizado!