Endometrial Receptivity Array (ERA)

O Endometrial Receptivity Array (ERA) é um exame que pode aumentar as chances de sucesso da Fertilização In Vitro em mulheres com falha de implantação. Alguns casais que realizam Fertilização in vitro (FIV) e obtém embriões de boa qualidade acabam não engravidando, mesmo após várias tentativas. Chamamos essa condição de Falha de Implantação embrionária, sendo que as principais causas estão relacionadas ao próprio embrião, mas também existem causas endometriais.

Sabemos que pólipos, miomas, inflamações e malformações no útero podem dificultar a implantação embrionária. Porém, mulheres com úteros aparentemente normais à maioria dos exames podem ter falha de implantação devido à alteração da janela de implantação.

O que é o ERA: Endometrial Receptivity Array?

Trata-se de um teste molecular que avalia se o endométrio é receptivo ou não. Para isso, ele analisa a expressão de 238 genes no endométrio, que estão ligados à receptividade endometrial.

O exame revela o dia ideal para transferir o embrião ao útero, levando a uma personalização da transferência embrionária. É um exame com alta sensibilidade e especificidade, sendo uma boa ferramenta diagnóstica.

Atualmente, o teste ERA é indicado para mulheres que já passaram por falhas após transferência de 3 ou mais embriões de boa qualidade,  com endométrio normal ao ultrassom. Cerca de 20% das mulheres com falha de implantação tem o exame alterado, permitindo mudar o próximo tratamento, aumentando as chances de sucesso.

Estudos estão sendo feitos para avaliar se o teste é aplicável a todas as pacientes submetidas a FIV, mesmo sem falha prévia.

Quando e como é feito o ERA?

Podemos fazer o exame com ou sem uso de medicamentos hormonais para preparo do endométrio.

Com medicamentos:

  • Mais prático e fácil, permitindo maior controle do tratamento;
  • A partir do 2º ou 3º dia do ciclo menstrual: iniciar estradiol (via oral ou transdérmica);
  • Após cerca de 1 semana: realizar ultrassonografia transvaginal para medir a espessura endometrial. Se acima de 7 mm e trilaminar, deve-se iniciar a progesterona natural (Crinone, Utrogestan, Evocanil) por via vaginal. O estradiol é mantido;
  • Biópsia endometrial: é feita no consultório, após 5 dias completos de progesterona (cerca de 120 horas). Utilizamos um delicado instrumento descartável (Pipelle de Cornier), que é introduzido através  do colo do útero. O procedimento dura cerca de 15 minutos no total;
  • Amostra: o fragmento de endométrio é armazenado e enviado à IGENOMIX para análise. O resultado sai em cerca de 3 a 4 semanas.

Sem medicamentos (ciclo natural):

  • É feito num ciclo menstrual com ovulação espontânea, sem indução e sem hormônios para preparar o endométrio;
  • Depende do dia da ovulação e, portanto, a biópsia pode ocorrer em qualquer dia da semana, sendo inflexível;
  • De acordo com o intervalo dos ciclos menstruais, a paciente deve realizar testes de urina ou sangue para detectar o dia do pico de LH, hormônio responsável pela ovulação;
  • Biópsia endometrial: realizada cerca de 7 dias após o pico de LH (168 horas), como no protocolo com medicamentos.

Quando o exame indica endométrio não receptivo, a personalização do preparo endometrial no tratamento seguinte aumenta as chances de sucesso. O teste é válido por mais de 6 meses.

Se você já passou por algumas transferências de embrião e não teve o beta HCG positivo, vale a pena conversar com o especialista sobre isso. Quem sabe o ERA pode ser um exame interessante, nesse contexto.

Fale com a VidaBemVinda