Exames

Em conjunto com a história clínica e exame físico, os exames diagnósticos são importantes para avaliar a anatomia e função dos órgãos do sistema reprodutivo feminino e masculino.
A constante melhora da tecnologia e métodos diagnósticos tem mudado a medicina, aumentando a acurácia (capacidade de acerto do teste) e, principalmente, incrementando as taxas de sucesso dos casais em tratamento de infertilidade.

Esta eficiência dos exames auxilia os médicos e casais a determinarem o melhor plano possível para conseguirem de forma segura alcançarem o objetivo maior: um bebê saudável em casa.

Veja alguns exames:

FSH, LH e Estradiol: colhidos no início do ciclo menstrual (2º ou 3º dia), são importantes para estimar a reserva ovariana (quantidade e qualidade dos óvulos) e o equilíbrio hormonal.
Hormônio Anti-Mülleriano: produzido por células da granulosa de folículos antrais e pré-antrais nos ovários. Quanto mais baixo, menor é a reserva ovariana.
Prolactina: hormônio produzido na hipófise (pequena glândula no sistema nervoso central) que, quando elevada, pode causar saída de leite pelas mamas e alterações ovulatórias.
TSH e T4 livre: expressam a função da tireoide; quando alterados, podem ser decorrentes de hipo ou hipertireoidismo, causas de alterações menstruais.
CA-125: marcador tumoral que pode estar elevado em mulheres com endometriose.

Histerossalpingografia: é a ainda o método mais utilizado para avaliar a permeabilidade tubária. É uma radiografia da pelve, em que é injetado um contraste iodado hidrossolúvel pelo colo do útero e são realizadas imagens sequenciais para determinar se o contraste passa pelas tubas ou se há alterações no trajeto. Conhecido como um exame doloroso, se realizado por um radiologista treinado, cuidadoso e com contraste aquecido à temperatura do corpo, é um exame pouco desconfortável.

Histeroscopia diagnóstica:  é o melhor exame para avaliar a cavidade uterina, sendo indicada para mulheres com suspeita de alterações endometriais, como endometrite, espessamentos, sangramento uterino anormal, malformações uterinas e falhas de implantação.

Ultrassonografia transvaginal: avalia o colo, posição e tamanho do útero, miométrio (parede muscular uterina), endométrio (camada interna), presença de lesões de endometriose, posição e tamanho dos ovários e contagem de folículos antrais (quantidade de folículos de 2 a 10 mm). É uma ferramenta importantíssima para a avaliação da infertilidade e acompanhamento dos tratamentos.
Espermograma: é o principal exame para o homem. Trata-se da análise do sêmen colhido normalmente por masturbação, após 2 a 5 dias de abstinência sexual. Primeiramente, é feita a avaliação do volume, pH, viscosidade, cor e liquefação do sêmen. Depois, determina-se a concentração de espermatozoides por mL e a motilidade deles, ou seja, como eles se movimentam. A contagem do número de espermatozoides e a avaliação da motilidade são realizadas no microscópio, com auxílio de câmaras especiais. Outro parâmetro é espermograma a morfologia (formato) dos espermatozóides e a determinação do número de leucócitos presentes no sêmen. O exame deve ser realizado em laboratório que utiliza as normas e parâmetros da Organização Mundial de Saúde, modificadas em 2010. É comum vermos exames malfeitos, com metodologias e tecnologias desatualizadas, o que compromete os resultados e até o tratamento proposto. Alguns homens fazem vários testes em laboratórios distintos, com resultados completamente diferentes. Por isso, pergunte ao seu médico onde deve realizar o espermograma.

 

Outros exames podem ser solicitados de acordo com as características clínicas e tratamentos:

Pesquisa de trombofilias e alterações autoimunes: anti-tireoglobulina, anti-TPO, homocisteína, anticoagulante lúpico, anticardiolipinas, Fator V Leidein, pesquisa de mutação do gene da protrombina, pesquisa da mutação do gene da metilenotetraidrofolato redutase, proteína C , proteína S livre e funcional, anti-trombina III, entre outros.
Cariótipo: exame que determina o número de cromossomos e se há alterações como translocações e desbalanços genéticos.
Dosagem da vitamina D: estudos recentes mostraram que casais inférteis tem maior risco de falta desta vitamina e que ela pode auxiliar na fertilidade.
Índice de fragmentação do DNA espermático: determina uma porcentagem de DNA fragmentado na amostra seminal. Quando elevado, o homem pode se beneficiar de medicamentos antioxidantes para melhorar a qualidade do sêmen e aumentar as taxas de gravidez em tratamentos como Fertilização in vitro.
Ressonância magnética da pelve e Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal: destinado a pacientes com suspeita de endometriose. São excelentes exames de imagem que nos dizem quantas lesões existem, onde elas se encontram e a relação entre os órgãos, facilitando o planejamento clínico e cirúrgico.
Ultrassonografia de bolsa testicular: determina o volume e textura dos testículos, condição dos epidídimos, além de avaliar se existem dilatações das veias testiculares, doença conhecida como varicocele.
Sorologias: HIV, HTLV, sífilis, hepatite B e C, rubéola, toxoplasmose etc. São exames obrigatórios antes de tratamentos de Reprodução Assistida como inseminação intrauterina e fertilização in vitro.

 

Dispomos de um grande leque de exames diagnósticos para avaliar o casal infértil. Mas cada casal tem a sua particularidade e os pedidos devem ser feitos de forma individualizada, evitando exames desnecessários.