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O útero normal apresenta formato de uma pera, tendo o tamanho de seu punho fechado. É formado por uma parede muscular chamada de miométrio e é oco por dentro, formando a cavidade endometrial.  A maioria das mulheres apresentam útero anatomicamente normal, mas estima-se que 0,1 a 3,2% das mulheres apresentam alguma malformação uterina. As malformações decorrem de alterações no momento do desenvolvimento do órgão, no início da vida fetal.

São exemplos de anormalidades anatômicas:

Você sabia que o formato do seu útero pode interferir na sua fertilidade?

Útero bicorno: presença de uma fenda que separa o útero em 2 lados. Esta alteração geralmente não necessita de tratamento.

Útero unicorno: forma rara de malformação. O útero fica com cerca da metade do tamanho normal.

Útero didelfo: útero apresentando 2 cavidades, podendo cada uma delas apresentar um colo uterino e até mesmo uma vagina separada por um septo, dando o aspecto de 2 vaginas, cada uma com um colo e um hemi-útero.

Útero septado: cavidade uterina apresentando uma parede fibrosa denominada septo.  É considerada a alteração que mais prejudica a evolução da gravidez e deve ser tratada.

Essas alterações comprometem tanto a fertilidade como a evolução da gestação, pois em alguns casos o tamanho do útero está reduzido e fica sobrecarregado durante a evolução da gestação. Em outros casos, a alteração pode acometer a área de implantação do embrião e pode alterar a vascularização uterina, comprometendo a fertilidade.

As principais complicações que estão associadas a estas malformações são: infertilidade, abortos de repetição e parto prematuro.

O diagnóstico é realizado por exame físico e exames de imagem como ultrassonografia pélvica transvaginal ou abdominal, que pode ser feita a reconstrução em 3D.

A ressonância magnética de pelve é outro excelente exame que muitas vezes complementa a investigação e fecha o diagnóstico.

Histeroscopia diagnóstica e histerossalpingografia podem ser utilizadas em casos que ainda há dúvidas, mesmo após ultrassom e ressonância.

É bastante comum avaliarmos pacientes que já vêm com diagnóstico de uma malformação uterina, como útero bicorno, e na verdade se trata de outra, como um septo, que demanda tratamento distinto. Assim, é fundamental fazer uma boa investigação, do começo ao fim, para evitar erros diagnósticos.

O tratamento depende do tipo de malformação e do grau de comprometimento do útero, podendo ser apenas expectante ou até correção cirúrgica. É evidente que isso depende também do desejo reprodutivo da paciente.

Se você apresenta infertilidade, abortos de repetição ou história de parto prematuro procure um médico especialista para uma investigação do seu útero.

O diagnóstico precoce é importante para orientação, tratamento adequado e sucesso na gestação.