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Dores durante o ato sexual, ao menstruar e ao urinar, sangramento excessivo, constipação intestinal e enjoos, principalmente, durante o período menstrual. Todos estes sinais, quando muito severos, podem ser sintomas da endometriose.

Ainda de difícil diagnóstico, a endometriose é uma doença que afeta 14% das mulheres em idade fértil, são cerca de seis milhões de brasileiras atingidas. Além dos sintomas que prejudicam sua qualidade de vida, pelo menos um terço delas corre o risco de se tornar infértil.

O mal-estar, os sintomas e mesmo a dificuldade de engravidar podem ser combatidos com o tratamento para endometriose.

A endometriose

O tecido endometrial é aquele que reveste o interior do útero. Todos os meses este tecido — também chamado endométrio — torna-se mais espesso para receber o possível óvulo fecundado. Quando o óvulo não é fecundado, parte do endométrio se descama e é expelido na menstruação. Na endometriose, esse tecido endometrial está disseminado por outras partes do corpo da mulher, normalmente, pela própria região pélvica, como nos ovários, nos ligamentos do útero e dos ovários, na bexiga, no intestino, e, no peritôneo.

Implantado em local anômalo, o tecido endometrial continua se comportando com a mesma regularidade, se tornando mais espesso e descamando a cada mês. Como não é expelido, porém, esse endométrio pode provocar o surgimento de cistos, e também leva a  um processo inflamatório crônico na pelve. A incidência de câncer ovariano também é mais alta em pacientes com endometriose.

A principal complicação da doença, porém, é a infertilidade. Ainda estuda-se como a endometriose afeta tão gravemente a reprodução. Pelo menos três motivos parecem ser bastante claros: o desenvolvimento de tecido endometrial fora da cavidade uterina (por exemplo, nos ovários) pode prejudicar a quantidade e, até a qualidade dos óvulos.

De forma semelhante, pode obstruir a tuba uterina e dificultar a fecundação dos óvulos pelos espermatozoides. Caso a fecundação aconteça, a endometriose oferece, ainda, menores taxas de implantação do embrião.

Apesar do pouco conhecimento, muitas portadoras da doença em estágios moderados podem ter uma gestação normal. Além disso, evoluções têm ocorrido tanto no tratamento quanto no diagnóstico da doença. Identificá-la o mais cedo possível é um passo muito importante para o tratamento, principalmente, considerando que os seus sintomas são progressivos e podem, dessa forma, se tornar muito mais graves com o tempo.

A importância do diagnóstico precoce

Uma das maiores dificuldades para se diagnosticar a endometriose é o fato de seus sintomas serem pouco específicos. Um dos principais, por exemplo, é a dor menstrual, que pode ser facilmente confundida com cólicas, causadas por diversos outros fatores.

A dor provocada pela endometriose, porém, costuma ser mais severa e pode acometer também o abdômen e a região lombar. Além disso, ela é progressiva, piorando a cada ciclo menstrual. Entre os outros sintomas mais comuns da doença estão também à chamada dispareunia — que é dor ocorrida durante as relações sexuais — além de dores e sangramentos, intestinais e urinários, durante a menstruação.

Pacientes que apresentem todos esses sintomas combinados podem considerar mais seriamente a hipótese da endometriose. Além disso, a infertilidade é um importante sinal sintomático.

Portanto, mulheres em idade reprodutiva com dificuldades para engravidar, principalmente, quando apresentam um ou mais dos outros sintomas indicados, devem procurar um médico ginecologista que, com alguns exames mais direcionados, poderá descartar ou diagnosticar a doença.

O diagnóstico

Não existe um exame específico para se detectar a endometriose. Seu diagnóstico é feito a partir de uma combinação de diferentes exames. O primeiro deles deve ser é o exame clínico ginecológico, que pode já apontar alterações anatômicas que indiquem alguma anomalia na pelve.

Caso alguma suspeita seja percebida, outros exames que podem ser solicitados pelo médico são o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, a ressonância magnética e um exame de sangue com marcador tumoral, o CA-125. Todos eles são utilizados na tentativa de identificar o possível desenvolvimento irregular do endométrio.

Outra opção de diagnóstico, mais precisa é a laparoscopia. No entanto, uma confirmação de endometriose só é obtida por meio da biópsia de amostras colhidas das lesões e enviadas para estudo anátomo patológico. Confirmada a incidência da endometriose e o estágio em que ela se encontra, algumas opções já têm se mostrado eficientes em seu tratamento.

O tratamento para endometriose

A endometriose é uma doença que afeta mais gravemente mulheres em idade fértil. Com a menopausa e a queda dos níveis hormonais, os sintomas da doença também são reduzidos. As mulheres mais jovens que sofrem com as inflamações endometriais podem, porém, combater as dores e demais sintomas da doença com algumas opções de tratamento, farmacológicas e cirúrgicas.

Não existe cura para a endometriose, pois as próprias razões da doença ainda não são consensuais entre os médicos. Existem, sim, maneiras de combater seus sintomas e consequências:

  • Contraceptivos: as mesmas pílulas utilizadas como anticoncepcionais podem ter bons resultados contra a endometriose. Isso porque elas controlam a produção hormonal responsável pelo estímulo mensal do tecido endometrial.
  • Agonistas e antagonistas do GnRH: o hormônio que estimula a produção dos ovários (GnRH) pode ser bloqueado pelo tipo de medicação que diminuirá o nível de estrogênio. Estes medicamentos provocam uma espécie de “menopausa artificial”.
  • Medroxiprogesterona: outro contraceptivo hormonal, a medroxiprogesterona é uma medicação injetável que inibe o crescimento do tecido endometrial e a menstruação. Seu uso, como efeitos colaterais, pode provocar o ganho de peso e a depressão.
  • Danazol: também atua interrompendo a produção de hormônios que estimulam os ovários. Pode provocar oscilações no humor, ganho de peso e, se usado por gestantes, má formação dos fetos. Raramente utilizado para o tratamento, atualmente.

A relação entre endometriose e gestação

Principal causa da infertilidade feminina, paradoxalmente a endometriose tem, como alguns de seus tratamentos mais comuns, a inibição hormonal, que também é contraceptiva. Mas é possível conciliar o combate à doença com tratamentos para a fertilização.

Em casos mais moderados da doença a concepção natural pode acontecer e ser inclusive um fator positivo contra o desenvolvimento da endometriose. Quando a doença já afeta a fertilidade, porém, uma opção pode ser a remoção cirúrgica do tecido endometrial desenvolvido fora da cavidade uterina.

Tal remoção não impede que o endométrio, posteriormente, volte a se disseminar pelo organismo. Por isso, é recomendado, para a mulher que deseja a gravidez, que procure engravidar alguns meses imediatamente após a cirurgia. Mulheres com mais de 35 anos, quando a gravidez já se torna mais difícil, devem considerar a fertilização in vitro (FIV).

Recomenda-se que mulheres gestantes vítimas de endometriose façam um acompanhamento mais cuidadoso da gravidez. A doença não impede uma gestação plenamente saudável, mas pode provocar mais riscos de complicações na placenta, partos prematuros ou necessidade de cesariana.

O tratamento para endometriose vem sendo pesquisado e desenvolvido. De toda forma, as opções que a medicina já oferece, apresentam resultados cada vez melhores. Por essa razão, é importante que as mulheres se conscientizem sobre os riscos da doença para que possam combatê-la.

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