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A adenomiose é uma doença em que o endométrio (camada mais interna do útero) está presente dentro da parede muscular do útero, o miométrio. Antigamente, era conhecida como endometriose interna, mas hoje sabemos que são doenças distintas.

Existem várias hipóteses para explicar a origem da adenomiose. A mais aceita é a de que o tecido endometrial infiltra a parede do útero, levando células que podem formar grupos de tecido endometrial e até nódulos, chamados adenomiomas. Assim, a camada basal do endométrio se projeta para o miométrio, aumentando essa região de transição entre endométrio-miométrio, conhecida como zona juncional.

Quem tem adenomiose provavelmente já viu esse termo nos laudos de ressonância magnética. Isso acontece pois a zona juncional é uma imagem apenas visibilizada na ressonância e, quando alterada (espessura acima de 1,0 cm), é um forte indício da doença.

A adenomiose é mais frequente em mulheres com mais de 35 anos e que já engravidaram. Porém, algumas pacientes mais jovens e sem filhos sofrem com a doença. Menstruação com grande fluxo e cólicas são os sintomas mais comuns. Coágulos no sangue menstrual também são frequentes.

Para as mulheres com filhos e que não desejam mais engravidar, a opção terapêutica mais indicada é a histerectomia (retirada do útero) que cura a doença. Porém, para aquelas mulheres que querem engravidar, devemos sempre pensar em outras opções cirúrgicas e medicamentosas.

Por muitos anos, a adenomiose é associada a falha de implantação embrionária e abortamentos. Uma metanálise recente publicada na revista Human Reproduction em 2014 incluindo 9 estudos mostrou que a taxa de implantação e gravidez clínica após Fertilização in vitro (FIV) em pacientes com adenomiose eram menores do que das pacientes sem a doença, independente da presença de endometriose. A taxa de abortamento foi maior no grupo de mulheres com adenomiose.

Portanto, se você tem adenomiose, o que deve fazer?

As pacientes com nódulos de adenomiose, chamados adenomiomas, podem se beneficiar da cirurgia para retirada parcial ou total das lesões, melhorando as chances de gravidez e os sintomas da doença, como sangramento uterino aumentado e cólicas menstruais. Essa cirurgia pode ser feita por via laparoscópica e também através da cirurgia robótica.

Quando a adenomiose está dispersa pelo útero, não formando nódulos, a cirurgia se torna muito mais complexa e com resultados questionáveis, sendo a terapia medicamentosa com agonistas do GnRH (Zoladex®, Lupron®) mais eficazes no controle dos sintomas. Alguns estudos mostram que o uso desses medicamentos, combinados à cirurgia conservadora pode aumentar a chance de gravidez espontânea. Dessa forma, podemos imaginar que também podem aumentar as taxas de sucesso na Fertilização in vitro. Uma outra estratégia de tratamento pré-FIV é o uso de pílulas anticoncepcionais por algumas semanas, com o objetivo de reduzir os efeitos inflamatórios gerados pela doença.

Resumindo, quando falamos de adenomiose e infertilidade, as evidências científicas não são tão claras sobre qual é o tratamento ideal. Para as mulheres que têm adenomiose e indicação de FIV, opções medicamentosas como uso de contraceptivos hormonais e análogos do GnRH podem melhorar as taxas de sucesso em alguns casos.