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Quando ainda fazia obstetrícia, notei em um trabalho de parto que apesar de contrações efetivas, a gestante não tinha qualquer mudança do colo uterino. Ao toque, sempre estava bem posteriorizado, sendo as contrações não direcionadas para seu esvaecimento e dilatação. Como tinha um nódulo grande de endometriose posterior (retrocervical e retovaginal), imaginei que isso poderia ser a explicação do insucesso.

Lendo sobre endometriose profunda, encontrei este interessante artigo italiano: “Complications during pregnancy and delivery in women with untreated rectovaginal deep infiltrating endometriosis”, publicado em Outubro de 2016, na revista Fertility and Sterility.

Nele, mulheres que haviam sido operadas, mas que ainda apresentavam nódulo de 2 cm ou mais no compartimento posterior, foram comparadas com um grupo controle, que tiveram parto no mesmo período. Mulheres com endometriose tiveram mais partos cesáreas (68 vs. 43%, p<0,01), mais histerectomias intraparto (7 vs. 0%, p=0,03) e mais hemoperitônio e lesão de bexiga (ambos: 7 vs. 0%, p=0,03).

Voltando a minha paciente, naquela ocasião fizemos cesárea e o parto foi tranquilo. Obviamente, não se recomenda cirurgia de endometriose por este aumento de risco, nem cesárea para todas as pacientes com endometriose profunda posterior.

Mas, para quem acompanha estas mulheres, vale pensar nesta possibilidade durante o pré-natal e trabalho de parto!