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Você sabia que sangramentos fora do período menstrual e fluxo menstrual com intensidade anormal podem resultar de alterações hormonais ou lesões no útero? Os sintomas descritos acima são típicos sinais da presença de pólipos uterinos, que caracterizam um crescimento excessivo de células na parede interna do útero, formando lesões semelhantes a “verrugas”, mas feitas de epitélio mais delicado.

Apesar de não terem sua origem claramente definida, os pólipos têm surgem, geralmente, por oscilações no nível de hormônios ou por inflamação ao redor de vasos endometriais, conforme artigo científico que publicamos em 2013 em revista internacional. Por isso, mulheres que já tenham histórico de alterações hormonais (com predominância estrogênica) têm maior tendência à formação de pólipos, bem como pacientes obesas, hipertensas ou que fazem uso de alguns medicamentos voltados para a reposição hormonal — como o tamoxifeno, utilizado no tratamento adjuvante do câncer de mama

Com o registro de 150 mil casos por ano no Brasil, os pólipos uterinos representam uma das mais frequentes alterações benignas da parte genital. Apesar dos mitos, são raros os casos em que os pólipos indicam a existência de uma doença mais grave, como o câncer. E, apesar de não demandar grandes preocupações, especialmente em mulheres jovens, a incidência deles exige alguns cuidados quanto ao tratamento, que serão abordados no decorrer deste artigo.

Quais são os sintomas?

O pólipo uterino está, na maioria dos casos, associado a algum tipo de sangramento, como aumento da intensidade do fluxo menstrual, período menstrual irregular ou até aqueles conhecidos escapes (spotings) entre as menstruações.

Dependendo da localização e do tamanho dos pólipos, eles também podem acarretar sangramento vaginal após a relação sexual e, em raros casos, algum tipo de dor, que, no entanto, pode ser confundido com uma típica cólica menstrual.

Os pólipos uterinos podem ser endocervicais (quando estão no colo do útero) ou endometriais (quando ficam dentro da cavidade uterina, no endométrio).

O sintoma mais extremo, porém, diz respeito à infertilidade. Os pólipos podem atuar como uma barreira física, dificultando a implantação do óvulo fertilizado dentro do útero, especialmente quando são volumosos. Como as pacientes portadoras de pólipos podem não apresentar nenhum dos sintomas descritos acima, é importante saber investigar corretamente, sobretudo nas pacientes com falha de implantação embrionária.

Nesses casos, é recomendável que as mulheres procurem um especialista para investigar a fundo a causa da infertilidade.

Como diagnosticar?

Na maioria dos casos, os pólipos podem ser detectados a partir de uma ultrassonografia, exame de baixa complexidade, geralmente solicitado no acompanhamento ginecológico de rotina. Isso significa que, mesmo que a paciente não manifeste nenhum dos sintomas característicos dos pólipos, as alterações podem ser identificadas e, logo, tratadas adequadamente. O melhor período para realizar a ultrassonografia transvaginal é entre o 6º e o 12º dia do ciclo menstrual, quando o endométrio está trilaminar e a sensibilidade do exame aumenta.

No entanto, nos casos em que a paciente tenha sintomas consequentes de pólipos e uma ultrassonografia não mostre alterações, a hipótese de pólipos não pode ser descartada. Nessas situações, torna-se necessária a realização de uma histeroscopia diagnóstica, exame recomendado sempre na suspeita de pólipos.

Caracterizado como o gold standard (padrão-ouro) entre os procedimentos de análise da cavidade uterina, a histeroscopia é um exame mais complexo e um pouco mais invasivo. O ginecologista insere uma pequena ótica através do colo do útero e chega até o interior da cavidade uterina, permitindo um diagnóstico preciso quanto à presença de alterações endocervicais e endometriais, como os pólipos, miomas, endometrite, adenomiose, sinéquias, malformações, entre outros.

O procedimento permite uma análise mais detalhada sobre a localização e as características da lesão.

Como tratar?

O tratamento adequado de pólipos uterinos envolvem a realização de uma histeroscopia cirúrgica, procedimento feito em um hospital-dia, ambiente que exige a internação da paciente apenas por algumas horas, sem que seja necessário, por exemplo, que ela passe a noite no hospital.

Na cirurgia, os pólipos são retirados com um equipamento específico, como as alças de bisturi monopolar, bipolar ou tesouras delicadas do histeroscópio de Bettocchi, e a lesão é enviada para uma análise anatomopatológica (biópsia). A partir desse estudo, será possível determinar as características e o caráter do pólipo (com ou sem atipias) e definir os próximos passos do tratamento.

Em casos de mulheres que estão na pós-menopausa ou pólipos recidivantes (recorrentes) e não pretendem ter filhos, sempre conversamos sobre a opção de retirar do útero (histerectomia), evitando, assim, o surgimento de novos tumores e prevenindo uma complicação mais grave, como o câncer.

Pré-operatório

Por se tratar de um procedimento de baixa complexidade, a histeroscopia cirúrgica não requer nenhum tipo de cuidado da paciente no período pré-operatório, a não ser o jejum de oito horas. A cirurgia dura, no máximo, uma hora e não envolve nenhum tipo de corte, porque o procedimento é feito integralmente por via vaginal.

Pós-operatório

As orientações referentes ao pós-operatório dizem respeito apenas à interrupção de relações sexuais nos primeiros dias após a cirurgia. Outros cuidados como suspender atividades físicas e evitar dirigir, comuns em outros tipos de procedimentos, não são necessários em casos de histeroscopia cirúrgica.

Tenho pólipo uterino e quero engravidar: o que fazer?

Como nas outras situações em que há a ocorrência de pólipos uterinos, a portadora que deseja engravidar precisa passar pelo procedimento cirúrgico, inclusive porque a presença de pólipos durante a gravidez pode aumentar o risco de aborto espontâneo e falha de implantação.

Mas, esses casos requerem cuidados específicos. Durante a histeroscopia, a ressecção dos pólipos é feita de maneira muito delicada, visando atingir somente os pólipos e garantir a menor lesão possível na cavidade endometrial.

Um mês após a cirurgia, a paciente é submetida a uma nova histeroscopia diagnóstica, com o objetivo de avaliar se a cicatrização ocorreu de forma adequada e se o útero está preparado para uma gravidez.

É possível prevenir o pólipo uterino?

Por mais que o tratamento seja simples, você deve estar pensando que prevenir é sempre melhor do que remediar e se perguntando quais precauções podem ser adotadas para evitar o aparecimento de um pólipo uterino. A resposta pode não te agradar: não há nada a ser feito.

Não existe prevenção para os pólipos e o único cuidado que cabe às mulheres é manter a rotina ginecológica em dia, consultando-se com um especialista anualmente. A medida contribui para a prevenção de uma lesão ginecológica mais grave e permite o início do tratamento em tempo hábil em casos de pólipos ou outras alterações.

Além da visita anual ao ginecologista, recomendamos que as mulheres procurem um especialista sempre que notarem qualquer alteração ou sintoma incomum, mesmo que, inicialmente, não pareça algo grave.

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