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O aumento considerável da expectativa de vida aliado às conquistas da mulher no mercado de trabalho nas últimas décadas são fatores que contribuíram para postergar a gravidez em alguns anos.

De uma maneira geral, as mulheres casam e têm filhos mais velhas do que há alguns anos, o que gera preocupações em torno de uma gravidez de risco, principalmente após os 35 anos de idade.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que o número de mães que têm seu primeiro filho entre 30 e 34 anos era de 14,4% em 2001. Em 2011, o índice subiu para 18,3% das mulheres.

A medicina considera o período biológico ideal para engravidar entre os 18 e 28 anos, mas também classifica como saudável até os 35. Depois disso, tanto a fertilidade da mulher começa a diminuir, como a qualidade de seus óvulos, que podem sofrer alterações cromossômicas. Este cenário, somado a hábitos de vida não saudáveis, aumenta a possibilidade de ocorrência de abortos indesejados.

Diversos estudos apontam a relação entre abortamento espontâneo e a idade avançada da mulher. Em um centro em Chicago – EUA, a taxa média de abortos para mulheres entre 44 e 46 anos pode chegar a 60%:

  • Menos de 30 anos – 8% de abortamentos;
  • Entre 30 e 34 anos – 12% de abortamentos;
  • Entre 35 e 37 anos – 16% de abortamentos;
  • Entre 38 e 39 anos – 22% de abortamentos;
  • Entre 40 e 41 anos – 33% de abortamentos;
  • Entre 42 e 43 anos – 45% de abortamentos;
  • Entre 44 e 46 anos – 60% de abortamentos.

Já para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o índice é ainda maior: 25% das gestações em mulheres com mais de 35 anos resultam em aborto. Essa taxa está relacionada à população que é estudada.

No entanto, a idade materna elevada acarreta não só preocupação em relação aos riscos obstétricos, mas também inerentes aos riscos genéticos. A gravidez em idade avançada aumenta a possibilidade de a criança nascer com alterações genéticas, sendo a mais conhecida a Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21).

Aos 30 anos, o risco de ter um bebê com Síndrome de Down é de 1 a cada 880 nascimentos. Aos 35 anos, esse risco é de 1 a cada 350. Aos 40 anos: 1 criança a cada 110, segundo a Federação Brasileira das Associação de Ginecologia e Obstetrícia. Aumentam também as chances de Síndrome de Edwards (trissomia do cromossomo 18), Síndrome de Patau  (trissomia do cromossomo 13) e Síndrome de Klinefelter (presença de um cromossomo X a mais: XXY).

Outros problemas podem ocorrer durante uma gravidez de risco. Dobram as chances de a mulher desenvolver diabetes gestacional. A probabilidade de haver problemas com a placenta é três vezes maior depois dos 40 anos, o que aumentam as chances de hemorragias durante o parto, comprometendo a saúde da mãe e do recém-nascido.

Aos 40 anos, a probabilidade de ocorrer um parto prematuro aumenta em 40% comparado aos 20 anos. Mulheres acima dos 35 também têm mais chances de ter hipertensão e inchaço na gravidez, conhecida como Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG) ou Pré-Eclâmpsia, que também é mais comum na primeira gravidez.

Contudo, mesmo com riscos sérios à gravidez, muitas mulheres têm uma gestação de risco saudável. Para tanto, é imprescindível um acompanhamento médico constante, como também uma dieta regrada.

Recomenda-se fazer uma consulta antes mesmo da concepção para uma abordagem preventiva e a realização de todos os exames de saúde para verificar se está tudo em ordem em relação à gravidez: hemograma, tipagem sanguínea, sorologias, exame de urina etc. Muitas vezes, é recomendável perder peso antes de tentar engravidar ou fazer tratamentos para infertilidade.

Se estiver ok, recomenda-se que a mulher tome, pelo menos dois meses antes da concepção, ácido fólico na dose mínima de 0,4 mg ao dia, uma vitamina do complexo B para diminuir o risco de malformação do sistema nervoso central do bebê. O benefício do ácido fólico é principalmente no primeiro trimestre.

A mulher que deseja engravidar depois dos 35 anos, portanto, deve diminuir o ritmo, já que geralmente atende ao perfil de trabalhar excessivamente. Evitar álcool, tabagismo e estresse, por exemplo, são fundamentais. Estar próximo ao peso ideal diminui as chances de hipertensão e diabetes. Exercícios físicos moderados e repouso também devem ser levados em consideração.

Com esses cuidados, somados a um acompanhamento médico adequado, a gravidez de risco possui muitas chances de ser tranquila e saudável.