Tempo de Leitura: 3 minutos

A tireoide é uma glândula que está localizada na base do pescoço. Sua função é a produzir hormônios relacionados ao metabolismo e também ao ciclo reprodutivo.

Quando ocorre um desequilíbrio na atividade da tireoide, ela passa a produzir os seus hormônios em excesso — hipertireoidismo, ou a não produzir quantidade suficiente de hormônios — hipotireoidismo.

Nas duas situações, a saúde reprodutiva pode ser prejudicada, já que para ocorrer a gravidez, os hormônios devem atuar em equilíbrio, favorecendo a ovulação e a permanência do embrião no útero, evitando o aborto. Neste artigo, vamos entender a relação entre problemas de tireoide e infertilidade.

Como a tireoide influencia a ovulação?

Os hormônios tireoidianos exercem efeitos importantes na função dos ovários, pois eles interagem com os hormônios da hipófise que estimulam a ovulação. Alguns estudos experimentais já demostraram que o hormônio T4, produzido pela tireoide, também favorece o desenvolvimento do óvulo fecundado.

Funcionamento excessivo da tireoide e infertilidade: hipertireoidismo

No hipertireoidismo, a tireoide hiperativa aumenta o metabolismo, fazendo com que todos os processos no corpo ocorram de forma muito rápida. A interferência na fertilidade ocorre porque os ciclos menstruais tornam-se irregulares, podendo estimular a ovulação fora da fase lútea, impedir a ovulação e até mesmo causar infertilidade.

Apesar da dificuldade para ocorrer fecundação, algumas mulheres com hipertireoidismo conseguem engravidar. Mas é necessário o acompanhamento constante do médico, pois o grave desequilíbrio no metabolismo pode causar alterações no feto ou até mesmo provocar o óbito fetal.

Funcionamento deficiente da tireoide e infertilidade: hipotireoidismo

As mulheres com hipotireoidismo podem ter dificuldade de engravidar, pois na falta do hormônio T4, a ovulação, que é a liberação de um óvulo maduro, pode não ocorrer ou até mesmo acontecer de forma irregular, em um período do ciclo menstrual que não seja favorável à fecundação.

O hipotireoidismo subclínico, condição em que o resultado do exame de TSH está acima do valor de referência, mas a concentração de T4 livre é normal, também pode influenciar a fertilidade, interferindo na fase lútea, a segunda metade do ciclo menstrual.

Entenda como isso acontece:

A fase lútea vai da ovulação até a próxima menstruação e dura de 12 a 16 dias. Mas se esse período durar menos de 10 dias, mesmo acontecendo a fecundação, o endométrio não se desenvolve o suficiente para manter o embrião no útero.

Quais são os valores de TSH e T4 livre?

Se você já fez esses exames, deve ter olhado aos níveis de referência. Mas cuidado: os valores de TSH considerados como “normais” pelos laboratórios não significam que a paciente não tenha hipotireoidismo. Assim, um TSH de 3,9 mUI/mL é considerado “normal” pelos parâmetros do teste, mas já classificamos como alterado e devemos muitas vezes tratar com hormônio da tireoide (levotiroxina), especialmente no início da gravidez, quando o ideal é manter TSH < 2,5 mUI/mL.

Quando procurar ajuda?

Há muitas razões para a infertilidade, e nem todas estão associadas a problemas na tireoide. Mas se você já sabe que possui alguma disfunção na tireoide e está tentando engravidar, é importante procurar um médico para acompanhar o seu caso e ajustar as doses da sua medicação.

Para as mulheres que não sabem se possuem problemas na tireoide, mas estão com dificuldade para engravidar, já tiveram dois ou mais abortos ou possuem o ciclo menstrual irregular, aconselhamos fazer uma boa investigação e exames adequados, para uma verificação completa da atividade tireoidiana, incluindo os auto-anticorpos.

É importante lembrar que, na maioria das vezes, os problemas na tireoide podem ser tratados, possibilitando uma gestação tranquila. Para saber mais sobre este assunto, assine a nossa newsletter e receba os nossos artigos em primeira mão.