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Muito além da adoção e da reprodução independente, a ciência e a medicina têm evoluído para possibilitar técnicas cada vez mais modernas de reprodução assistida para casais homoafetivos.

A inseminação artificial e a fertilização in vitro, antes disponíveis apenas para casais heterossexuais com dificuldade de engravidar, desde 2013 estão disponíveis também para casais homoafetivos que desejam ter filhos.

No post de hoje, você poderá entender um pouco mais sobre cada uma dessas técnicas, suas características e suas diferenças. Confira!

1. Inseminação artificial (ou intrauterina)

Esta é uma técnica que pode ser aplicada em casais homossexuais formados por mulheres. Ela consiste na administração de medicamentos em uma das parceiras (naquela que desejar gestar o bebê), de modo a induzir a ovulação.

Quando o folículo ovariano (que contém o óvulo) cresce adequadamente, injeta-se o sêmen de um doador anônimo dentro do útero desta mesma mulher. Neste caso, a fecundação (união do óvulo com o espermatozoide) ocorre dentro do corpo e o embrião formado deve se desenvolver para implantar e gerar o bebê. Vale ressaltar que o sêmen é proveniente de um banco de sêmen e hoje contamos com opções nacionais e importadas, sempre de forma anônima.

2. Fertilização in vitro

Também disponível para casais de mulheres. Nesta técnica, estimula-se a ovulação da parceira que seguirá como doadora dos óvulos — podendo ser tanto a mulher que desejar gestar quanto a sua companheira.

Em seguida, esses óvulos são coletados e fertilizados com espermatozoides, vindos de um banco de sêmen, com doador anônimo. Assim, a fecundação e a formação do embrião ocorrem fora do corpo da mulher, ou seja, in vitro.

Os embriões formados podem ser transferidos para o útero da parceira que doou os óvulos ou para sua esposa, de acordo com a preferência do casal. Ao transferir para o útero da companheira da doadora do óvulo, ambas podem participar ativamente do processo de fertilização.

3. Fertilização in vitro com óvulos doados e útero de substituição

Técnica disponível para casais de homens. Neste caso, os óvulos utilizados para a fertilização vêm por meio de uma doação anônima. Após captar os óvulos, estes são fertilizados pelos espermatozoides de um dos parceiros. Por fim, após a formação do embrião, faz-se a transferência para o útero de uma parente de até 4º grau (mãe, irmã, tia ou prima) — a chamada “barriga solidária”. Caso o casal não tenha nenhuma parente para isso, pode-se solicitar ao Conselho Regional de Medicina para que uma conhecida seja a doadora do útero.

É importante lembrar que o termo “barriga de aluguel” é errado pois no Brasil não se pode pagar para a doadora temporária do útero, ou seja, não se pode “alugar um útero”.

Custo, riscos, detalhes legais e a reprodução assistida para casais homoafetivos

Custos de tratamento

Uma das maiores dúvidas dos casais que vão se submeter ao tratamento de reprodução assistida é o custo a ser investido. Como existem técnicas diferentes, o valor varia de acordo com o tratamento escolhido e o número de tentativas.

Para uma inseminação artificial, o preço do tratamento, por tentativa, pode variar entre R$ 2.500 a R$ 8.000, incluindo a compra do sêmen, em banco de esperma. Já a fertilização in vitro, pode custar de R$ 12.00,00 a R$ 20.000, também incluso o valor referente à compra do sêmen. Quando o tratamento indicado é a fertilização in vitro com óvulos doados e útero de substituição, os valores variam entre R$ 20.000 e R$ 35.000. Claro que os valores dependem de cada clínica.

Riscos: Gravidez múltipla

Outra dúvida frequente dos casais que vivenciam a reprodução assistida é o risco de uma gravidez múltipla — ou seja, de dois ou mais bebês. A chance existe, mas, para minimizá-la, há um número máximo de embriões que podem ser transferidos, em cada tentativa. Esse número varia de acordo com a idade da doadora dos óvulos:

  • Óvulos de mulheres com até 35 anos:  até2 embriões;
  • Óvulo de mulheres entre 35 e 39 anos: até 3 embriões;
  • Óvulos de mulheres de 40 anos ou mais: até 4 embriões.

Hoje (2016), não existe idade máxima a que uma mulher ou um homem podem ser submetidos a tratamento reprodutivo, de acordo com a última resolução do CFM (2015), mas vale lembrar os riscos associados a uma gestação em mulheres com idade avançada e doenças associadas, como diabetes, hipertensão arterial, alterações renais etc. Os homens podem doar sêmen até 50 anos, já a doação de óvulos só é permitida até 35 anos de idade.

Tem outras dúvidas sobre o processo de reprodução assistida para casais homoafetivos? Que tal descobrir o que esperar da primeira visita ao médico de fertilidade? Leia nosso artigo sobre o assunto.