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O congelamento de óvulos, técnica bastante difundida ao redor do mundo, está se tornando cada vez mais difundida também no Brasil. Com ela, mulheres com câncer, em que a quimioterapia ou radioterapia pélvica podem reduzir drasticamente a reserva de óvulos, podem preservar a fertilidade antes do tratamento oncológico.

Além disso, mulheres com idade por volta dos 30 anos, e que queiram engravidar no futuro, podem preservar a qualidade dos óvulos e utilizá-los quando quiserem engravidar, com uma chance de sucesso maior do que com os óvulos mais velhos.

Dessa forma, o congelamento também permite que a mulher, consciente sobre o impacto do tempo sobre seu corpo, se antecipe ao envelhecimento dos seus próprios óvulos.

É cada vez mais comum que mulheres com até 35 anos de idade reservem as chances de engravidar para o momento que considerem ideais para ter e criar filhos. Assim, conseguem superar obstáculos naturais trazidos com o envelhecimento sem trazer riscos à sua saúde e à da criança.

Público do congelamento de óvulos

Ainda que a gravidez natural seja o método mais indicado, a reprodução assistida pode beneficiar mulheres com histórico de menopausa precoce na família ou mesmo com indícios já manifestados, ou então que tenham tratado câncer através de quimioterapia ou radioterapia pélvica.

Como já mencionado anteriormente, mulheres com idade superior a 35 anos e que ainda não se sentem preparadas para a gestação ou não encontraram o parceiro ideal também podem recorrer ao método.

Funcionamento

Apesar de ainda haver indefinição na literatura médica sobre a quantidade exata de óvulos para a fertilização in vitro ser bem sucedida, médicos e especialistas recomendam o congelamento de cerca de 15 a 20 óvulos considerados maduros. Para saber as possibilidades de acordo com o organismo da mulher, são feitos testes para aferir a quantidade e a qualidade da reserva de óvulos.

Depois, são aplicados hormônios que estimulam o desenvolvimento dos óvulos dentro dos folículos. Só então é feita a aspiração dos óvulos maduros, procedimento que ocorre no hospital e não provoca nenhuma dor.

Os únicos efeitos colaterais possíveis estão relacionados ao estímulo de hormônios já existentes no corpo da mulher e que podem gerar desconfortos naturais a qualquer ciclo menstrual.

Cuidados e preparação antes do congelamento

Quem utiliza métodos contraceptivos e outras formas de inibir a gravidez deve seguir algumas recomendações de preparação antes de iniciar o procedimento. De acordo com esses métodos e com o histórico médico da paciente serão feitas recomendações específicas.

Por exemplo, mulheres que utilizam pílulas anticoncepcionais são aconselhadas a pararem durante um período considerado adequado para que exames possam determinar a reserva ovariana e para iniciar a estimulação hormonal. Isso também vale para o anel vaginal, adesivos e injeções contraceptivas.

Outros métodos como o DIU de cobre ou o Mirena não precisam ser retirados em todos os casos, já que os estudos mostram que não reduzem a taxa de sucesso.

Período em que o óvulo pode ficar congelado

É possível manter os óvulos congelados por muitos anos, uma vez que estão armazenados em nitrogênio líquido, permanecendo em temperatura estável a – 196 graus Celsius. Ainda não há determinação específica sobre a validade dos óvulos congelados, mas já houve casos bem sucedidos de fertilização com óvulos estocados por mais de 10 anos.

Gêmeos, trigêmeos ou mais

O avanço tecnológico permite que a fertilização in vitro seja um pouco mais assertiva sobre a possibilidade de  gravidez única ou múltipla, que corresponde à gestação de dois ou mais bebês. Mesmo assim, ainda é um método que possui mais chances de gravidez múltipla do que o natural.

Como esse tratamento envolve tentativas de fecundação do óvulo, é possível que a mulher opte por fazer uma nova tentativa, mesmo quando já atingiu a gravidez em uma tentativa anterior.

Chances de parto normal após a fertilização in vitro

Especialistas apontam que não há relação entre a gravidez assistida e o tipo de parto. Os fatores que mais determinam o tipo de parto estão ligados à saúde da mulher durante a gestação, e não com o método de fecundação.

Tudo o que envolve esse método relativamente novo tende a trazer consigo uma série de dúvidas e mitos. Então, a única possibilidade de encontrar amparo psicológico e emocional antes de congelar óvulos é através da pesquisa.

O conhecimento, aliado à avaliação médica cuidadosa, tende a manter a tranquilidade e confiança sobre todas as etapas que envolvem a fertilização in vitro.