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Com a independência feminina e o ritmo da vida moderna, nós, mulheres, estamos cada vez mais postergando a maternidade. E o tempo age sobre os ovários, levando ao envelhecimento e à redução da qualidade e quantidade de óvulos.

Sabemos que os ovários iniciam a sua formação da 6ª à 8ª semana de gravidez e, com 20 semanas de vida intrauterina, tínhamos 5 a 7 milhões de oogônias (células precursoras dos óvulos). A partir daí, os óvulos se degeneram, sendo que no nascimento contamos com 1 milhão de óvulos, e ao longo da vida, essa perda se dá continuamente, a uma taxa de cerca de mil óvulos por mês!

Após os 35 anos, a reserva ovariana já pode estar comprometida, e teremos maiores riscos de alterações genéticas, como Síndrome de Down, que aos 35 anos o risco é de 0,2%, e aos 40 anos, esse risco sobe para 1,2%, ou seja, seis vezes maior.

Para essas mulheres que planejam ser mães mais tarde, ou para aquelas que possuem alguma doença que possa reduzir a reserva ovariana, como endometriose, história familiar de falência ovariana precoce e doenças autoimunes, a preservação da fertilidade é uma opção segura atualmente. Além disso, a indicação mais precisa hoje é para pacientes com câncer e que serão submetidas a tratamentos que reduzem a reserva de óvulos, como quimioterapia, radioterapia e cirurgias ovarianas.

A medicina reprodutiva moderna proporciona técnicas de preservação da fertilidade feminina com bons resultados futuros, como é o caso do congelamento de óvulos maduros pela técnica de vitrificação (congelamento ultrarrápido), que permite taxas de sobrevivência pós-descongelamento de cerca de 90%.

Outra opção é o congelamento de embriões, que podem ser formados a partir do sêmen do parceiro ou de um doador anônimo. O congelamento de tecido ovariano após cirurgia para retirada de pedaços dos ovários vem ganhando espaço, com mais de 30 crianças nascidas no mundo através dessa técnica. Porém, ainda é considerada experimental, apesar de um futuro promissor.

Tanto para o congelamento de óvulos como para o de embriões, é necessária a estimulação ovariana com gonadotrofinas, medicamentos hormonais injetáveis, e seguimento com ultrassom e exames de sangue, para avaliar a resposta ovariana e crescimento dos folículos. Os óvulos são coletados através de uma punção dos ovários, guiada por ultrassom transvaginal e realizada sob sedação (anestesia geral leve). Os óvulos captados são avaliados no laboratório e os maduros são congelados ou fertilizados pelos espermatozoides, quando o objetivo é congelar embriões.

Não existe um número exato de óvulos a serem congelados para garantia de fertilidade. Porém, sabemos que boas chances de gravidez são atingidas com cerca de 20 óvulos maduros congelados. Outro fator importante é a idade em que a mulher congelou os óvulos: quanto mais jovem, maiores as chances de sucesso reprodutivo no futuro.

Quando estiver disposta a tentar engravidar, sugerimos que tente naturalmente por cerca de 6 a 12 meses. Claro que isso depende da idade da mulher. Se não tiver sucesso, podemos então partir para o descongelamento dos óvulos (uma parte ou todos), fertilização in vitro com o sêmen do parceiro (ou doador anônimo) e transferência embrionária.

É incrível como a mulher moderna caminha no âmbito social e econômico. E, graças ao avanço da medicina reprodutiva, podemos cada vez mais acompanhar essa caminhada também na Reprodução Humana.