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Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre os casais que estão buscando a gravidez. Se a infertilidade pode ser um teste de fogo para qualquer relacionamento, a vida sexual também é um dos fatores mais importantes para a felicidade na vida a dois, além de ser socialmente encarada como termômetro para a relação amorosa.

Teoricamente, o período de gestação não é um fator impeditivo para a prática sexual. Mesmo assim, médicos recomendam bom senso e atenção aos desconfortos para a gestante.

Já para casais que estão realizando tratamento de inseminação intrauterina (IIU) ou de fertilização in vitro (FIV), alguns períodos podem ser considerados mais críticos e precisam ser levados em consideração.

Isso ocorre porque a aplicação de medicamentos provoca aumento dos ovários, podendo causar desconforto durante o ato sexual. Também há outros momentos ao longo do tratamento em que a relação sexual e a ejaculação devem ser evitadas para aumentar as chances de sucesso. E há momentos em que a relação sexual pode aumentar a taxa de gravidez.

As formas mais básicas e baratas de tratamento disponíveis consistem de medicamentos de uso oral que estimulam o desenvolvimento dos óvulos. Através de acompanhamento médico é possível identificar quando ocorrerá a ovulação para, então, o casal ser instruído a ter relações sexuais.

No coito programado, orientamos os casais a terem cerca de 3 relações sexuais após a aplicação do último medicamento (hCG recombinante ou urinário). Normalmente essas relações devem ter um intervalo de 36 horas.

Inseminação intrauterina

Há apenas algumas restrições para as relações sexuais que precisam ser levadas em conta durante a inseminação intrauterina. Recomendamos abstinência sexual de 2 a 4 dias antes do procedimento, que demanda uma coleta de sêmen.

Após a inseminação, os casais são orientados a terem relações sexuais na noite seguinte do procedimento e dois dias depois, pela manhã. Isso aumenta a taxa de sucesso, pois permite que mais espermatozoides estejam disponíveis para fertilizarem os óvulos liberados.

Durante esse tipo de tratamento, a estimulação ovariana deverão disponibilizar de um a três óvulos maduros para a fecundação. Porém, há o risco de uma produção muito maior do que a desejada, provocando gravidez múltipla, com trigêmeos, quadrigêmeos ou mais, o que pode representar enorme risco para a mãe e os bebês.

Quando isso ocorre, o estí­mulo deve ser interrompido, assim como as relações sexuais. A abstinência sexual, neste caso, é para evitar o risco da gestação múltipla.

Fertilização in vitro

O principal risco em manter relações sexuais durante a fase de estimulação ovariana na FIV é a gravidez múltipla inesperada, pois alguns casais podem engravidar espontaneamente, caso ocorra ovulação precoce. No entanto, esse risco é pequeno devido ao uso dos análogos do GnRH.

Coleta de sêmen

Há também muita curiosidade sobre os cuidados que devem ser tomados pelo homem no momento da coleta de sêmen. Em primeiro lugar, há o mito de que é necessário ficar muito tempo sem ejacular para aumentar a eficiência dos espermatozoides.

O perí­odo ideal de abstinência para coleta do sêmen é de 2 a 5 dias, no máximo. Isso garante um bom volume seminal, além de melhor motilidade. Perí­odos mais longos do que esses podem ser improdutivos, gerando um sêmen com mais espermatozoides imóveis, assim como intervalos muito curtos também podem comprometer o volume de sêmen e numero de espermatozoides necessários para a FIV.

Interessante! Uma recente metanálise (estudo de alto impacto) publicada na revista Human Reproduction Update em março de 2015 mostrou que o contato do sêmen com o útero antes da transferência do embrião durante a FIV aumenta a taxa de gravidez em cerca de 23%.

Portanto, uma relação sexual alguns dias antes da transferência embrionária pode ser benéfica! Após a transferência, orientamos abstinência sexual pois a contração uterina durante e após as relações teoricamente podem diminuir a chance de implantação.

A preocupação dos casais quanto à conveniência da relação sexual é legítima, uma vez que possui forte impacto na intimidade e nos sentimentos que envolvem ambas as partes.

Por isso, é necessário que haja consciência sobre todos os impactos possí­veis para o relacionamento amoroso em um processo delicado e, às vezes, longo e desgastante como esse. Um desafio novo destinado a trazer uma alegria nova, mas que exige esforço e companheirismo.

Por outro lado, a boa notí­cia é que a maioria dos casais inférteis reforçam seus lados afetivos e, após o processo, aprendem a lidar melhores com problemas e desafios de toda ordem. Por isso, a principal recomendação é manter a intimidade e nunca deixar de perguntar ao médico sobre a possibilidade de ter relações sexuais durante tratamentos para infertilidade.