Tempo de Leitura: 6 minutos

Escrito por:

Angélica Comiran, M.D. | Fernanda Imperial, M.D.  | Laís Y. Yamakami, M.D. | Larissa Matsumoto, M.D. | Lucas Yamakami, M.D. PhD. | Mariane Maeda, M.D. | Renato Tomioka, M.D.

Antes de você ler este texto, é importante saber:

  • A infecção pelo Zika no Brasil é muito recente e foi identificada pela 1ª vez emAbril de 2015.
  • A 1ª suspeita da relação entre o Zika e uma doença neurológica foi relatada em Agosto deste ano, há apenas 4 meses, e não foi a microcefalia, mas a Síndrome de Guillain-Barré em adultos.
  • Como se trata de algo muito recente, as informações não são precisas e podem mudar a qualquer momento.
  • Além disso, podem existir os dois polos: exageros ou subnotificações.
  • Os dados disponíveis hoje são fornecidos pelo Ministério da Saúde.

Agora sim, vamos ao que sabemos:

  • Até 28 de novembro deste ano, foram notificados 1.248 casos suspeitos de microcefalia. Nem todos são confirmados. A imensa maioria dos casos aconteceu no Nordeste.
  • A microcefalia é uma malformação cerebral, em que o crânio não cresce adequadamente durante o desenvolvimento do bebê dentro do útero, que apresenta sequelas neurológicas.
  • O Ministério da Saúde confirmou a relação entre o vírus Zika e o surto de microcefalia, pois confirmou a presença do vírus Zika em amostras de um recém-nascido que morreu no Ceará.
  • Não há teste diagnóstico simples para diagnosticar a infecção pelo Zika. Por enquanto, o diagnóstico é de exclusão, ou seja, sintomas semelhantes à Dengue, mas com exames negativos para Dengue e Chikungunya. Assim, não sabemos a incidência do Zika no Brasil.
  • Não sabemos qual o risco de transmissão do Zika ao feto!
  • Até 80% das infecções por Zika podem ser assintomáticas!
  • Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros 3 meses de gravidez
  • Ainda não há casos confirmados de transmissão de Zika no Estado de São Paulo.

Posição da VidaBemVinda

1.   Quero engravidar!?

  • Até o momento, não há informação suficiente paracontraindicar ou postergar a gravidez.
  • Também não há informação suficiente para adiantar a gravidez, pensando que a infecção pode se alastrar e o quadro piorar no futuro.
  • Assim, para as mulheres que estão pensando em engravidar, sugerimos que sejam feitos testes de reserva ovariana (ex.: ultrassom com contagem de folículos antrais, hormônio anti-mülleriano) e consulta com especialista para avaliar se esperar pode ser uma boa opção. Algumas mulheres com baixa reserva ovariana podem reduzir a chance de gravidez se esperarem meses para engravidar. O mesmo vale para mulheres com idade reprodutiva mais avançada, como após os 35 anos. Deve-se considerar os riscos e benefícios de postergar os planos. Talvez a melhor saída no momento seja adiar os planos até termos maiores esclarecimentos.
  • Para as mulheres que já iniciaram tratamento de Reprodução Assistida, como no caso de Fertilização in vitro com congelamento de embriões, sugerimos avaliar com seu médico se postergar a transferência embrionária pode ser uma estratégia interessante, especialmente se a futura gestante tem alguma viagem programada para regiões de surto atual, como o nordeste.

2.  Estou grávida!

  • Evitar regiões com alto índice de Dengue, pois o mosquito que transmite é o mesmo.
  • Usar repelentes contra inseto. Os melhores são os que têm Icaridina (Exposis®), que tem boa eficácia e está liberado para gestantes.
  • Aplicar os repelentes na pele exposta e também nas roupas.
  • Usar roupas compridas e claras.
  • Colocar telas protetoras em janelas e portas.
  • Eliminar criadouros de mosquito em sua casa e na região próxima a ela.

Referência:
Ministério da Saúde (http://portalsaude.saude.gov.br/)

Perguntas e respostas

O que é microcefalia?

É uma malformação cerebral, em que o crânio não cresce adequadamente durante o desenvolvimento do bebê dentro do útero, que pode apresentar sequelas como atraso do desenvolvimento, convulsões, cefaleia, alteração visual e auditiva, e ter necessidades especiais por toda a vida. Os bebês com microcefalia nascem com perímetro cefálico menor que o normal, que habitualmente é superior a  33 cm.

O que causa a microcefalia?

As causas já estabelecidas de microcefalia são ingestão de álcool e drogas, contato com substâncias tóxicas durante a gestação, e infecções por outros agentes, como rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus e herpes. O aumento expressivo da microcefalia na região Nordeste trouxe a suspeita da relação entre Zika e microcefalia, que foi confirmada quando se encontrou o vírus no tecido de um recém-nascido com este problema e que foi a óbito.

Quais os sintomas de infeção pelo Zika?

O Zika é transmitido pela picada de um mosquito contaminado e os sintomas se manifestam após um período de 3 a 12 dias. Eles podem variar bastante, desde uma gripe comum até um quadro semelhante à Dengue. Pode haver febre, dores no corpo, dor de cabeça e manchas avermelhadas. Houve também relação entre a infecção do Zika e uma doença neurológica que cursa com fraqueza no corpo, a Síndrome de Guillain-Barré. O Ministério da Saúde notificou dois óbitos de adolescente/adulto relacionados ao vírus Zika. Esta é a primeira ligação de morte relacionada ao vírus Zika no mundo, o que demostra uma semelhança com a dengue.

Como é feito o diagnóstico?

No momento, não há sorologia disponível comercialmente para detecção de anticorpos para o Zika vírus no Brasil. O diagnóstico é de exclusão: sintomas semelhantes ao da Dengue, mas com sorologias para Dengue e Chikungunya negativas. A única confirmação disponível é a realização de isolamento viral e RT-PCR em tecidos infectados, exame muito restrito a alguns laboratórios de referência. Ou seja, não sabemos a real incidência do Zika vírus no Brasil!

Como é feito o tratamento?

Não há tratamento específico para o Zika! O que fazemos é tratar os sintomas e dar suporte até a resolução espontânea da doença. Quando há manifestação neurológica, o tratamento deve compreender cuidados para esta afecção.

Qual a chance de transmissão do Zika vírus ao feto?

Não sabemos! Como não sabemos a incidência do vírus Zika em gestantes, não conseguimos saber a chance de transmissão do Zika ao feto.

Quais os cuidados que as gestantes devem tomar?

As gestantes devem:

  • Evitar regiões com alto índice de Dengue, pois o mosquito que transmite é o mesmo.
  • Usar repelentes contra inseto. Os melhores são os que têm Icaridina (Exposis®), que tem boa eficácia e está liberado para gestantes.
  • Aplicar os repelentes na pele exposta e também nas roupas.
  • Usar roupas compridas e claras.
  • Colocar telas protetoras em janelas e portas.
  • Eliminar criadouros de mosquito em sua casa e na região próxima a ela.

Os cuidados devem ser maiores no primeiro e segundo trimestre da gestação! Além disso, é importante que a gestante mantenha o acompanhamento e as consultas de pré-natal, com a realização de todos os exames recomendados pelo médico. O Ministério da Saúde reforça ainda a orientação de não consumir bebidas alcoólicas ou qualquer outro tipo de drogas, não utilizar medicamentos sem orientação médica e evitar contato com pessoas com febre ou infecções.