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As estatística de sucesso de FIV demonstram o quanto essa técnica de fertilização pode ser eficiente e, consequentemente, como ela traduz  alegria aos casais que buscam engravidar, mas que precisam de tratamento especial.

Quando o assunto é o corpo humano, nenhuma técnica garante 100% de eficiência. E mesmo em meio a tantos avanços da medicina,  temos que encarar que há chances de ter que lidar com o inesperado.

Neste artigo, iremos conhecer os motivos de insucesso da FIV (fertilização in vitro) relacionados à receptividade uterina e o procedimento de transferência embrionária.

O que é endométrio?

O endométrio é a camada que reveste a cavidade uterina, formado por duas camadas (funcional e basal) e estimulado por hormônios ovarianos chamados estradiol (estrogênio) e progesterona. O estradiol faz o endométrio crescer durante o período pré-ovulatório e a progesterona deixa o tecido pronto para a recepção do embrião, após a ovulação.

Comparativamente, o endométrio é como o “solo fértil” onde é plantada a semente (embrião).

O endométrio permite alojar o embrião no útero (nidação). É ele também que, durante os primeiros meses de gravidez, permite a formação da placenta, que vai proporcionar, nutrientes, oxigênio, anticorpos, e outros elementos durante toda a gestação, bem como eliminar todos os produtos tóxicos resultantes do metabolismo, essencial à sobrevivência, saúde e desenvolvimento do bebê.

Cerca de 25% dos casos de insucesso da FIV são relacionados a uma receptividade inadequada do endométrio. Isso se dá principalmente pelos seguintes fatores:

  • Desenvolvimento do endométrio abaixo do esperado, com espessura abaixo de 7-8 mm, condição conhecida como endométrio fino. O tecido não engrossa o suficiente, dificultando a nidação. Diversos estudos científicos associam a espessura endometrial com a taxa de implantação embrionária e a maioria relata que o ideal é que o eco endometrial (espessura) tenha pelo menos 7 mm. O endométrio pode não crescer por diversos motivos: tecido escasso devido a procedimentos prévios (ex.: curetagem uterina), falta de estimulação hormonal (ex.: baixa absorção, baixa dose de estradiol), o estradiol circulante não chega adequadamente ao endométrio por alterações vasculares, entre outros. O tratamento nesse caso envolve ações como a estimulação uterina com estradiol (via oral, transdérmica), medicamentos para aumentar a dilatação dos vasos uterinos (ex.: L-arginina, sildenafil), melhorar a circulação (ex.: heparina, AAS), entre outros. Muitas vezes o endométrio fino é um desafio e o tratamento demanda paciência pois o tempo é importante para o endométrio voltar a crescer adequadamente.
  • A presença de lesões (pólipos, cicatrizes, aderências, septos e miomas) na cavidade uterina, causando anomalias anatômicas, que podem dificultar a implantação e desenvolvimento adequado do embrião. O tratamento geralmente é cirúrgico, através da histeroscopia ou até laparoscopia.
  • Disfunção imunológica na implantação, levando à liberação de células de defeno no endométrio, o corpo reconhece o processo como nocivo e produz células para combater o corpo estranho (embrião). O tratamento consiste na imunização com linfócitos paternos (ILP), gamaglobulina intravenosa (IVIG) ou corticoides. Esses tratamentos ainda são muito controversos na literatura médica e não há evidência totalmente clara sobre os reais benefícios, sendo reservado a casos específicos, como falha de implantação.

Transferência embrionária

A transferência de embriões é a fase mais delicada da FIV, o momento em que os embriões desenvolvidos no laboratório e que obtiveram melhor desenvolvimento serão introduzidos no útero da paciente.

Acreditamos que saber mais sobre os detalhes dessa fase pode fazer com que você se sinta segura e possa se preparar fisicamente e emocionalmente.

Veja os pontos a se considerar sobre a transferência de embriões:

  • Um ambiente calmo, com música ambiente e o companheiro ao lado farão você se sentir segura e relaxada. Não precisa fazer jejum. Alimente-se normalmente, preferindo comidas mais leves.
  • Utilizamos atualmente cateteres finos e flexíveis, o que permite uma transferência com o mínimo desconforto possível e maior taxa de gravidez. Tudo deve ser muito preciso e realizado com calma, sem pressa, pois o revestimento do útero é delicado, e uma técnica mal executada pode causar sangramento no endométrio e comprometer a implantação.
    Normalmente a vagina está repleta de progesterona administrada por intravaginal. Assim, o médico retira o excesso do medicamento, com cuidado, antes de colocar o cateter.
  • O útero é muito sensível e tem frequentes contrações, e por essa razão é importante que ele esteja relaxado durante o procedimento. Fique o máximo possível relaxada durante a inserção do espéculo e todo o procedimento: isso facilita a rápida localização do colo do útero e deixa a transferência mais tranquila para todos.
  • É essencial que a transferência embrionária seja guiada por ultrassom abdominal. Na maioria dos casos, uma assistente posiciona o ultrassom na região do osso púbico permitindo ao médico visualizar o cateter atravessar o canal cervical e se posicionar na cavidade uterina.

Esse procedimento deve ser indolor, e após alcançar o posicionamento ideal, o embrião é lentamente liberado, e o cateter é mantido imóvel por alguns segundos. Logo depois, o cateter é removido lenta e delicadamente. A embriologista então checa no microscópio se o embrião saiu do cateter.

  • É recomendado manter a bexiga cheia durante o procedimento, pois facilita a visualização do endométrio e retifica o útero, tornando a transferência mais tranquila.
  • A posição recomendada é a ginecológica, com o mínimo de movimento durante o procedimento.

A paciente é instruída também a permanecer deitada por cerca de 15 minutos antes de ir para casa, onde deverá evitar movimentos bruscos e carregar peso por 2 dias. Esse repouso é relativo e não há necessidade de ficar deitada ou sentada o tempo todo. Alguns trabalhos até comprovam que não há diferença estatística em relação à taxa de implantação de mulheres que fazem ou não repouso após a transferência. De toda forma, acreditamos que o repouso é interessante para o casal ficar em paz, tranquilo, após o último procedimento da FIV. Sabemos que a caminhada muitas vezes não é fácil, e esses dias em casa podem ser relaxantes.

Quando um ciclo de FIV é mal sucedido, é importante que o médico recapitule os procedimentos para determinar as causas do problema, que pode estar relacionado ao desenvolvimento do embrião, à disfunção na implantação ou até dificuldades na transferência.

Experiência, técnica apurada, paciência e preparação adequada são vitais para o sucesso desse procedimento.

Procure seu médico de confiança para saber mais sobre suas chances de sucesso.