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O número de mulheres que esperam os 30 anos para ter o primeiro filho é cada vez maior. Seguindo uma tendência internacional observada em países desenvolvidos, há alguns fatores que contribuem à gravidez mais tardia, como o acesso a métodos anticoncepcionais e principalmente a inserção da mulher no mercado de trabalho.

O Ministério da Saúde divulgou no fim de 2014 o estudo Saúde Brasil, que traça um panorama da saúde nacional. Uma constatação evidente foi o aumento do número de mães que têm o primeiro filho acima dos 30 anos: os 22,5% de mulheres nessas condições registradas na última década subiu para 30%. Da mesma maneira, o índice de mães com menos de 19 anos caiu de 23,5% para 19,3% no mesmo período.

O levantamento aponta uma forte ligação entre esses dados e ao fato de as mulheres terem mais anos de estudo. Menor escolaridade traduz-se em maternidade precoce: 51,4% de mulheres com até três anos de estudo são mães com menos de 20 anos; entre as que possuem entre quatro a sete anos de estudo, 69,4% tiveram filhos antes dos 20.

Já o Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), afirma que uma em seis gestantes possui mais de 35 anos, proporção que era de uma para 20 na década de 70.

A diminuição da miséria e a inclusão social e escolar também são critérios que favorecem à maior presença feminina tanto em universidades como no mercado de trabalho. Além disso, há mais informação e acesso a diversos métodos anticoncepcionais, como camisinha e pílulas.

Dessa maneira, para se adequarem às demandas exigidas no século XXI, muitas mulheres optam por esperar um pouco mais antes de terem filhos. Desejam estabilidade financeira e material para constituir uma família e evitam correr riscos de uma gravidez inesperada.

O Ministério da Saúde mostrou, também, as regiões geográficas com mães pela primeira vez aos 30 anos ou mais: Sudeste (34,6%); Sul (33,6%); Centro-Oeste (28,8%); Nordeste (26,1%) e Norte (21,2%). Portanto, as regiões mais economicamente desenvolvidas do país lideram a tendência de adiar a maternidade, o que corrobora à tese de inserção profissional da mulher como principal fator determinante.

Esta é não apenas uma tendência brasileira, mas internacional entre países desenvolvidos. Segundo o Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos (CDC), as mulheres norte-americanas também esperam mais para ter o primeiro filho. Enquanto 300 mil bebês nasceram de mães adolescentes (até 19 anos) em 2012, esse número era de 645 mil em 1970. As taxas de mães entre 35 e 39 anos aumentou 2%, e a de mães entre 40 e 44 aumentou 1%.

À Organização de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, as britânicas e francesas são as que mais demoram para ter filhos, iniciando a família geralmente aos 30 anos. Enquanto a média do primeiro filho, nos EUA, é aos 25 anos, na França corresponde a 28,5 anos.

Porém, como atestou a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, “com o adiamento da maternidade, há uma expectativa irreal de que a medicina pode desfazer os efeitos da idade”. Assim, mulheres acabam superestimando as tecnologias médicas e acabam esquecendo-se de que os óvulos, com o tempo, perdem quantidade e qualidade. E isso atualmente é irreparável.

Embora haja diversos tratamentos para infertilidade e gravidez considerada de risco, um planejamento é essencial à concepção do primeiro filho acima dos 30 anos. Consultar médicos regularmente, tomar ácido fólico para ajudar na formação do feto, realizar exames de sangue para analisar as probabilidades de haver disfunções genética, manter uma dieta saudável e evitar tabagismo e álcool são também fundamentais à gestação tardia saudável.