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O sucesso da Fertilização in vitro (FIV) depende de vários fatores como a idade da mulher, qualidade do embrião, receptividade endometrial, entre outros.

O endométrio, camada mais interna do útero, pode ser avaliado por exame ultrassonográfico, em que são analisadas espessura e características endometriais, importantes para a transferência embrionária.

Até 15% das mulheres submetidas a tratamento de reprodução assistida podem ter comprometimento da cavidade uterina: mioma, pólipo, septo, aderência, inflamação (endometrite). Dentre essas patologias, a mais comum é o pólipo endometrial.

O pólipo endometrial é uma projeção mucosa da camada interna do útero. A maioria não causa sintoma. Quando causa, o sangramento uterino anormal é a principal queixa.  Geralmente ocorre acima dos 40 anos. O risco de malignidade (câncer) é de 1%.

A ultrassonografia pode sugerir pólipo endometrial. Mas o diagnóstico de certeza é feito pela histeroscopia. Ambos os exames visualizam o pólipo principalmente na fase proliferativa, entre 6º e 12º dia do ciclo.

Polipo

Na fase secretora do ciclo menstrual (após a ovulação), o endométrio torna-se hiperecogênico (branco), mesma característica ao ultrassom que o pólipo, dificultando o diagnóstico.

Quando se faz o diagnóstico durante investigação para infertilidade, o ideal é realizar histeroscopia cirúrgica para retirada do pólipo, medida que aumenta a taxa de implantação embrionária. Além disso, é feito o exame anatomopatológico (biópsia) para excluir a possibilidade de malignidade.

E se o pólipo for diagnosticado durante a estimulação ovariana?

Isso pode acontecer. Por dois motivos: não foi feito diagnóstico por exame em fase inadequada do ciclo ou porque cresceu somente durante a estimulação. Geralmente, durante a estimulação ovariana, os pólipos que crescem medem de 6 a 10 mm.

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Se isso acontecer, a estimulação ovariana pode ser mantida. Os embriões podem ser vitrificados (congelados) e transferidos após polipectomia por histeroscopia cirúrgica. A transferência embrionária pode ser feita no ciclo seguinte se endométrio estiver adequado ou em poucos meses.

Outra opção é realizar a transferência com o pólipo. Mas isso não é indicado para pólipos acima de 1,0 cm e próximo ao fundo uterino. O tamanho e localização são importantes para a decisão de realizar a polipectomia antes da transferência.

Então seria melhor fazer histeroscopia de rotina antes de iniciar o estímulo?

Atualmente a resposta é não. Porque uma pequena parcela das mulheres com infertilidade tem pólipo.  A histeroscopia pode ser feita em caso de falha de implantação ou quando há suspeita de alguma alteração endometrial antes de iniciar o ciclo.

A AUTORA

Dra. Fernanda Imperial é formada pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Possui Título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). É membro da Sociedade Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (SOGESP).

Atualmente é médica da Clínica VidaBemVinda e colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do Hospital das Clínicas (USP).