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Para a formação de um bom embrião, são necessários:

  • Boa qualidade dos gametas, ou seja, boa qualidade dos óvulos e espermatozoides que participaram da fertilização, na origem deste embrião;
  • Laboratório de reprodução assistida com boas condições.

Um dos principais fatores influenciadores nas taxas de blastulação (formação de blastocistos) é a idade da mulher: estima-se que para mulheres com 40 anos ou mais, a taxa de blastulação seja de 20%, enquanto que para as pacientes entre 35 a 40 anos seja de 40%.

A idade, genética, reserva ovariana são fatores que pouco podemos influenciar. Tentamos modificar esses fatores por meio das medicações utilizadas antes e durante a estimulação ovariana.

O fator que exerce maior influencia sobre a capacidade de fertilização, o desenvolvimento embrionário a blastocisto, e a capacidade deste embrião resultar em gravidez é a integridade do DNA, ou seja dos cromossomos dos gametas que geraram este embrião.

Os óvulos humanos são os que apresentam maiores taxas de irregularidade – aneuploidias, do que qualquer outro mamífero. E as taxas de normalidade caem progressivamente com a idade da mulher, sendo que aproximadamente 50% dos óvulos serão normais até próximo dos 35 anos, e aos 40 anos, apenas 1 a cada 6 óvulos serão normais.

Mas não só a idade da mulher está associada a piores taxas de desenvolvimento embrionário: a qualidade seminal também exerce impacto sobre as taxas de blastulação, sendo que estudos recentes nos mostram que a idade masculina também está relacionada com alterações na qualidade do sêmen, com alteração na expressão de proteínas seminais, instabilidade do DNA, disfunção mitocondrial, que levam a piores taxas de fertilização, e de desenvolvimento embrionário, com piores taxas na formação de mórula (embriões de quarto dia) e de blastocistos.

Outro fator que podem alterar as taxas de blastulação são as condições laboratoriais. Variação na temperatura, pH do meio de cultura, a tensão de oxigênio da incubadora. Por isso a importância de inspeção e certificação de controle de qualidade dos laboratórios que manipulam gametas e embriões, para fertilização in vitro.

A avaliação laboratorial do desenvolvimento embrionário pode nos auxiliar na suspeição quanto às taxas de blastulação até mesmo no momento de avaliar as taxas de fertilização, que ocorre no primeiro dia pós captação oocitária, quando o normal da avaliação da embriologista é encontrar 2 pró-núcleos. Quando temos zigotos com 1 pró-núcleo provenientes de ICSI sabemos que após a biópsia embrionária, serão normais, quanto ao número de cromossomos, em menos de 30% dos casos. Zigotos com 3 pró núcleos terão quase 70% de chances de serem triploides, ou seja, terem três cromossomos ao invés de pares deles. A qualidade do embrião no terceiro dia também pode nos predizer a capacidade de evolução á blastocisto, entretanto, não há uma fórmula e podemos ser surpreendidos, tanto positiva, quanto negativamente, pois a capacidade de inferir, apenas pela qualidade embrionária de terceiro dia se ele se tornará ou não blastocisto é baixa. Os fatores que apresentei acima devem estar associados a esta avaliação.

Por fim, se você apresentou no seu tratamento de fertilização in vitro baixas taxas de blastulação, ou não houve formação de blastocistos converse com seu médico. Assim, vocês avaliarão as possíveis associações e o que será possível tentar mudar para o próximo tratamento.