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Cerca de 1.000 pessoas no mundo morrem diariamente por doenças relacionadas ao cigarro. Fumar é um péssimo hábito – não há dúvidas sobre isso.

Na América do Norte, 25 milhões de homens são fumantes. Entre as mulheres, o número é um pouco menor: 21 milhões. Se o ato de fumar, em si, fosse uma doença, poderíamos dizer que se trata de uma epidemia. E fumar tem um grande impacto na fertilidade masculina.

O mundo está menos fértil: um a cada seis casais tem dificuldades em engravidar. Pesquisas realizadas na Espanha, França, Dinamarca e Brasil apontam para uma redução média de 1/3 na quantidade de espermatozoides em relação a décadas anteriores.

Em 2012, a observação de homens franceses mostrou redução de 33% no número de gametas normais: isso quer dizer mais homens com mais dificuldades para engravidar suas parceiras.

Males do cigarro

Os males ocasionados pela nicotina, um dos principais componentes do cigarro, já foram fartamente apontados por pesquisas científicas em todo o mundo: problemas respiratórios, cardíacos e circulatórios são alguns deles.

O novo mal se refere à fertilidade masculina: o tabaco pode levar o homem à infertilidade ou à subfertilidade.

Uma pesquisa com europeus abordou o problema sob dois aspectos: primeiro, comparou a integridade do DNA do sêmen (link para vídeo https://youtu.be/kMcAd17MmXE) em fumantes e em não fumantes. Sabe-se que no processo de fertilização, o “trabalho” de um espermatozoide é entregar uma carga de DNA saudável para o óvulo.

O óvulo “avalia” se essa carga genética é de boa qualidade, o suficiente para formar um embrião e depois um feto. Se a qualidade do espermatozoide não for boa, o processo de fertilização não evolui bem. Isso pode explicar o problema da qualidade do sêmen em tabagistas: fumar prejudica os espermatozoides.

Depois, a pesquisa avaliou a relação entre tabagismo e infertilidade e concluiu que há impacto da mãe fumante durante a gravidez sobre o desenvolvimento do feto masculino. Estudos com fetos provenientes de abortos espontâneos mostraram que o número de células-tronco testiculares destinadas a tornarem-se espermatozoides nos fetos de mães fumantes foi a metade do que em mães não fumantes.

A conclusão foi a mesma para a ingestão de outras drogas aceitas socialmente, como o álcool: menos células-tronco no testículo em desenvolvimento pode significar menos espermatozoides e maior risco de infertilidade nos filhos quando adultos.

Estes resultados podem ser a explicação para pequenas quantidades de espermatozoides em homens inférteis que nunca fumaram.

O que fazer

Abandonar um vício não é tarefa fácil. Mas quem tem o sonho de ser pai, deve buscar ajuda para eliminar de vez o cigarro e outras drogas. O prazo para reestabelecer a função testicular é de três a seis meses. Dependendo do grau de danos causados ao organismo, pode ser necessário o uso de substâncias estimulantes, como a vitamina C e outros antioxidantes. São alimentos que colaboram para a diminuição dos efeitos negativos das drogas no corpo.

A saúde humana deve ser vista como um todo. O corpo é uma máquina, e todas as engrenagens possuem papel fundamental no seu funcionamento. Por isso, não veja os males que surgem como problemas isolados. A produção de espermatozoides é um indicador da saúde do homem.

Fique atento! Se você tem o diagnóstico de infertilidade, busque ajuda médica. Os exames e a avaliação de um urologista especializado são indispensáveis para um tratamento global, pois compreender as causas é o primeiro passo para encontrar a solução.