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A infertilidade feminina é o principal motivo da dificuldade que alguns casais enfrentam ao tentarem engravidar. A boa notícia é que a maioria das causas pode ser tratada com sucesso. O importante é entender os principais motivos para tratarmos adequadamente e com eficiência.

Pensando nisso, reunimos no post de hoje as causas mais comuns da infertilidade feminina e os tratamentos mais eficazes para cada um dos casos.

Idade

A quantidade de óvulos e sua qualidade interferem na fertilidade e por uma razão que a própria natureza explica. Um feto do sexo feminino possui, no quinto mês da gestação, cerca 20 milhões de óvulos. Ao nascer, esse número gira em torno de 1 a 2 milhões.

Deste dia até a data de sua primeira menstruação, o número de óvulos cairá para 300-500 mil óvulos. A partir daí, todo mês, o corpo da mulher separa mil óvulos, mas usa apenas um deles — ou seja, os 999 restantes entram em morte celular (atresia), não sendo utilizados.

Dessa forma, com 35 anos, muitas mulheres terão menos de 10% de óvulos e, aos 40, a taxa cai para aproximadamente 2,5%. Por isso, após os 35 anos, há muito menos chance de uma mulher conseguir engravidar pelo meio natural, tanto porque terá menos óvulos quanto pela diminuição de sua qualidade.

Tratamento

O ideal é não deixar para engravidar após os 35 anos, pois a partir dessa idade, as chances de concepção reduzem ainda mais, principalmente após os 37 anos, além de aumentar o risco de malformações fetais e abortamento. No entanto, não sendo possível, hoje é viável e seguro congelar os óvulos, preservando a qualidade e um maior número de óvulos para depois. Vale ressaltar que não há limite para congelamento de óvulos, mas quanto mais cedo, maiores serão as chances de sucesso.

Falta de ovulação

A deficiência de ovulação pode ocorrer por diversos fatores: mulheres tratadas com quimioterapia e radioterapia costumam deixam de ovular (por insuficiência ovariana, decorrente da destruição dos folículos nos ovários) e a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) pode cursa com anovulação crônica. Mulheres com SOP chegam a ficar meses e até anos sem menstruar, já que não ovulam.

Tratamento

Para estimular a ovulação,  o especialista pode prescrever medicamentos que estimulam a liberação de FSH/LH pela hipófise (ex.: citrato de clomifeno) ou gonadotrofinas sintéticas (FSH/LH), que promovem o crescimento folicular, desencadeando a ovulação. Alguns medicamentos como a metformina e medidas como perda de peso podem auxiliar pacientes com SOP a ovularem espontaneamente.

Síndrome dos ovários policísticos

Mulheres com esta síndrome não ovulam todo mês, gerando atraso ou falta de menstruação, além de causar acne, aumento da oleosidade na pele e crescimento dos pelos em regiões tipicamente masculinas (face, peito, abdome, nádegas etc). Dessa forma, se uma mulher apresenta ciclos irregulares com intervalos com mais de 40 dias e os sintomas androgênicos descritos, é fundamental que seja avaliada por um ginecologista ou especialista em reprodução humana para excluir outras causas e diagnosticar a doença, evitando complicações como diabetes, síndrome metabólica, hipertensão arterial e câncer de endométrio.

Tratamento

Os tratamentos viáveis para quem pretende engravidar são: cirurgia; antidiabetogênicos orais (ex.: metformina) se a doença estiver associada à resistência insulínica, dieta equilibrada e atividade física, que devem ser aliadas a outros tratamentos e à indução da ovulação. Vale lembrar que, se uma paciente com SOP deseja engravidar, é crucial avaliar as tubas uterinas e sêmen do marido, para determinar se a indução da ovulação com coito programado é a melhor opção.

Distúrbios hormonais que impedem a ovulação

Neste caso, a ausência de ovulação ocorre graças a alterações hormonais, como doenças da tireoide (hipo e hipertireoidismo) e aumento de prolactina (hiperprolactinemia), que podem influenciar no ciclo ovariano causando infertilidade. Dessa forma, sempre solicitamos exames hormonais completos para avaliar de forma global a paciente infértil.

Tratamento

A doença hormonal deve ser tratada caso a caso, em geral, com medicamentos por via oral.

Obstrução das tubas uterinas

A obstrução nas tubas uterinas resulta no impedimento físico de os espermatozoides alcançarem o óvulo, dificultando ou impedindo a fertilização (fecundação), que ocorre na porção ampular da tuba.

Tratamento

O tratamento é cirúrgico e visa remover a parte danificada ou o tecido que bloqueia a trompa, como aderências e lesões de endometriose. Assim, a anatomia tubária é restabelecida. No entanto, muitas vezes isso não é possível, mesmo com técnicas cirúrgicas avançadas, como a videolaparoscopia e robótica. Nesses casos, o tratamento mais indicado é a Fertilização in vitro, que permite a fecundação em laboratório, não dependendo da tuba para o sucesso gestacional.

Endometriose

É caracterizada pela presença do endométrio — camada que reveste a cavidade uterina — fora do útero. Este tecido é preparado para receber o embrião, mas, se não houver implantação do embrião, parte do endométrio descama e é eliminado juntamente com sangue, que chamamos de menstruação. Parte desse tecido reflui pelas tubas uterinas e cai na cavidade abdominal, depositando-se nos órgãos adjacentes como intestino, bexiga, ovários, peritôneo etc. Esses pequenos focos de endométrio fora do útero podem formar a endometriose, fenômeno que depende de uma série de fatores, como predisposição genética, estímulo hormonal, alterações imunológicas, entre outros. A endometriose é uma doença benigna crônica, que se comporta muitas vezes como um câncer, invadindo as estruturas e órgãos da pelve e até extra-pélvicos.

Tratamento

A depender do caso, o médico poderá indicar um dos tratamentos abaixo:

  • Inseminação intrauterina (inseminação artificial);
  • Fertilização in Vitro (FIV) ou ICSI;
  • Tratamento clínico: anticoncepcionais como pílulas, injetáveis e DIU medicados (ex.: Mirena);
  • Tratamento cirúrgico: videolaparoscopia.

Mioma

Estes tumores benignos do útero são formados por tecido muscular e acontecem em até 50% das mulheres em idade reprodutiva. Normalmente, eles costumam reduzir e até desaparecer após os 50 anos. A maioria dos miomas não causa sintomas ou problemas às mulheres. Aqueles que podem comprometer a gestação são os grandes (mais de 4 ou 5 cm) e submucosos.

Tratamentos

O melhor tratamento depende de três fatores: sintomas, tipos de miomas e características da mulher. Geralmente, são tratados com medicações hormonais.

A embolização das artérias uterinasé um procedimento minimamente invasivo, que consiste em interromper o fluxo sanguíneo que alimenta o mioma. Já a miomectomia é a retirada cirúrgica dos miomas e pode ser feita por laparotomia (corte grande no abdome, como cesárea), laparoscopia ou histeroscopia, dependendo do tipo do mioma.

Agora que você já sabe quais as principais causas da infertilidade feminina, sugerimos uma leitura complementar com o artigo: “6 erros comuns sobre a fertilidade”!