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Você sabia que a infertilidade é mais comum do que se imagina? Ela atinge cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva. Apesar de haver diversos exames para chegar às causas da dificuldade de engravidar, alguns casais acabam não tendo um diagnóstico claro, o que pode ser frustrante. Em geral, estes casais se deparam com a Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA).

A ISCA é o diagnóstico para cerca de 10 a 15% dos casais com dificuldade para engravidar. Mas não é somente porque não há causa detectável à primeira vista para o problema que ele não tenha solução!

Neste artigo, você vai entender melhor o diagnóstico e descobrir como uma equipe de especialistas é capaz de te ajudar a superá-lo.

O que pode levar ao diagnóstico de ISCA?

O primeiro passo para escolher o tratamento para infertilidade é conhecer as causas dela. A Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA) é diagnosticada justamente quando todas as outras possibilidades já foram descartadas a partir de exames.

É preciso verificar, principalmente:

  • a quantidade e a qualidade dos óvulos (que reduzem com a idade);
  • a regularidade das relações sexuais do casal;
  • se a mulher possui endometriose ou adenomiose;
  • a saúde das tubas uterinas (foi feita uma boa histerossalpingografia?);
  • a qualidade do sêmen (já foi realizado um espermograma com morfologia estrita?);
  • se o homem tem varicocele.

Durante as investigações mais profundas sobre as causas do problema, descobrem-se principalmente dois fatores que levaram ao diagnóstico inicial de Infertilidade Sem Causa Aparente:

  • endometriose. Apesar de ser um problema muito comum entre as mulheres, o diagnóstico da doença é difícil, principalmente na fase inicial, quando ela seria tratada com mais facilidade. Podem-se confundir as dores sintomáticas na pelve durante a menstruação com cólicas rotineiras. “Cólicas menstruais são normais. Não! Devemos sempre investigar. Além disso, é possível que se passem anos até que os focos da endometriose se tornem visíveis em exames como a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética;
  • a qualidade do embrião, que só pode ser atestada com mais profundidade após um tratamento de reprodução assistida — quando óvulos, espermatozoides e embriões são avaliados.

Ou seja, muitos casos de ISCA na verdade têm um diagnóstico de endometriose, alguma alteração do sêmen (como aumento da fragmentação do DNA espermático), baixa reserva de óvulos ou alteração tubária, desde que sejam feitos bons exames diagnósticos.

Não podemos excluir um diagnóstico com um espermograma mal feito, sem morfologia estrita, uma histerossalpingografia dolorosa, que gerou espasmo tubário ou até mesmo uma ultrassonografia ou ressonância magnética realizada por um radiologista especialista em endometriose.

Após uma boa investigação, a prevalência da ISCA cai muito pois os diagnósticos aparecem. Portanto, insistimos em fazer bons e adequados exames. Isso certamente vai ajudar o casal e poupar tempo, fazendo-os engravidar em menor tempo.

Ainda que não sejam identificadas as causas precisas da infertilidade do casal nos primeiros exames, existem alternativas de tratamento para engravidar mesmo com ISCA. Nos próximos tópicos, você vai entender quais são elas e para que casos costumam ser mais recomendadas.

Como a relação sexual programada pode ajudar?

A relação sexual programada ou coito programado é um dos tratamentos de reprodução assistida mais simples, considerado de baixa complexidade.

Ele é recomendado para mulheres de até 35 anos que podem ter problemas na ovulação, mas cujos resultados de exame dela e do parceiro estejam normais. Ou seja, as tubas uterinas e o espermograma já foram checados. A principal indicação é a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) , em que a paciente não consegue ovular espontaneamente.

Entre o 3º e o 5º dia da menstruação, fazemos um ultrassom para avaliar os ovários e endométrio e iniciamos os medicamentos para estimular o crescimento dos folículos ovarianos (as estruturas que contêm os óvulos). Há medicamentos por via oral (clomifeno ou letrozol) e via subcutânea (gonadotrofinas). Controlamos o crescimento dos folículos com ultrassom após alguns dias e quando eles atingem cerca de 18 mm, a mulher recebe uma dose subcutânea do hormônio hCG, que desencadeia a ovulação, após cerca de 36-44 horas, período no qual a chance de o casal engravidar aumenta bastante. São recomendadas cerca de 4 relações sexuais nesses dias, com intervalo de 36 horas.

É importante lembrar que, ainda que medicamentos que estimulam a ovulação sejam facilmente encontrados em farmácias, eles devem ser utilizados somente com acompanhamento de especialistas, para evitar riscos como gestações múltiplas e síndrome de hiperestimulação ovariana.

Como a inseminação artificial pode ajudar?

Assim como a relação sexual programada, a inseminação artificial (ou inseminação intrauterina) é recomendada para casais cuja mulher tenha até 35 anos e que as tentativas de engravidar não ultrapassem 2 anos.

A ovulação é acompanhada e estimulada quimicamente para detectar qual é o momento mais propício para o procedimento, que é realizada a partir da inserção artificial do sêmen diretamente na cavidade uterina.

O sêmen passa por um processamento que melhora a concentração dos espermatozoides mais móveis e torna o processo mais eficiente. Ele passa por uma “lavagem” (sperm wash) e é processado com técnicas como o swim-up ou o gradiente descontínuo de densidade.

A inseminação em si é um processo simples e indolor. A mulher se posiciona da mesma maneira que em um exame ginecológico e meio mililitro do sêmen processado é inserido por um cateter fino na cavidade uterina.

Recomenda-se que ela permaneça deitada por 15 a 20 minutos, e pode ser acompanhada pelo parceiro ou outra pessoa de confiança.

Como a fertilização in vitro pode ajudar?

Para mulheres com mais de 35 anos e casais que estão tentando engravidar há mais de 2 anos, a fertilização in vitro costuma ser o primeiro método indicado no caso de Infertilidade Sem Causa Aparente. Para mulheres com menos de 35, o procedimento é ainda mais eficaz e chega a 55% de resultados positivos. Em geral, essa é a solução com a melhor relação custo-efetividade. Ou seja, casais com ISCA em que a mulher tenha mais de 35 anos ou mais de 2 anos de tentativas, a FIV direto acaba sendo a escolha mais rápida (e barata) para engravidar, na maioria das vezes, pois fazer inseminação artificial demandaria provavelmente várias tentativas sem sucesso, para depois fazer FIV. Isso já foi estudado e publicado em trabalhos científicos.

O estímulo à ovulação é parte desse método também. Mas, na fertilização in vitro, a fecundação é feita em laboratório, a partir do maior número possível de óvulos coletados.

Os primeiros momentos do desenvolvimento embrionário são acompanhados ainda no exterior do útero — durante até 7 dias —, em um ambiente controlado que proporciona as máximas condições para o crescimento do embrião.

A transferência do embrião para o útero é um procedimento simples (dura cerca de 15 minutos) e é feita com acompanhamento de ultrassom abdominal.

Uma das principais preocupações envolvidas em todos os tratamentos é a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO), decorrente da injeção de hormônios para estímulo dos ovários e hCG. O processo pode desencadear a permeabilidade vascular generalizada — o que pode levar ao acúmulo exagerado de líquido em diversas partes do organismo, principalmente no abdome.

Com o devido acompanhamento médico durante todos os processos, porém, a chance de complicações se torna bastante reduzida.

A Infertilidade Sem Causa Aparente é um problema que tem uma vasta gama de soluções, como é possível perceber. Definir se esse é mesmo o seu diagnóstico e decidir qual método pode ser mais bem-sucedido no seu caso demanda uma atenção especial de uma equipe preparada.

Entre em contato conosco para conhecer mais detalhes sobre os procedimentos e ficar alguns passos mais perto do seu sonho!