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A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) publicou em 15/09/2016 um Guia sobre Zika e Gravidez, com atualização em relação ao planejamento de gravidez e infecção pelo Zika vírus.

Recomendações gerais: zika e gravidez

1 – Mulheres e homens que tiveram infecção por Zika vírus devem esperar 6 meses para tentar a gestação;

2 – Mulheres e homens que tiveram exposição ao Zika vírus (regiões onde está havendo epidemia),  mas não manifestaram sintomas, devem fazer PCR para Zika vírus dentro de até 2 semanas após a exposição. Se negativo, esperar mais 8 semanas e fazer a sorologia para Zika vírus. Se negativo novamente, estão aptos a tentar a gestação. Se em algum dos dois momentos testar positivo, esperar 6 meses para engravidar.

3 – Para as pessoas que moram em áreas com epidemia de Zika vírus, considerar postergar a gestação ou utilizar todos os métodos para reduzir risco de infecção (repelentes, telas, roupas com menor exposição corpórea possível, uso de preservativos nas relações).

4 – Não há evidências de que ter tido Zika no passado (há mais de 6 meses) possa trazer qualquer repercussão à gestação.

5 – A discussão sobre postergar a gestação deve ser individualizada para cada caso.

6 – Em áreas de epidemia, reforçar métodos de contracepção para evitar gestações não planejadas.

7 – Os centros de tratamento para infertilidade devem explicar aos casais as limitações das técnicas diagnósticas (PCR e sorologias) e a possibilidade de falsos positivos e falsos negativos para o teste. Além disso, elucidar que sempre há a possibilidade de se adquirir a infecção após o teste negativo, ou seja, testar negativo antes de se iniciar o tratamento não garante que não haverá infecção com comprometimento da gestação no futuro.

Zika e Gravidez: estratégias práticas propostas:

    • Teste positivo no homem ou na mulher: suspender tratamento imediatamente. Uma vez que o teste se torne negativo, esperar 6 meses para iniciar o tratamento;
    • Teste negativo no homem e na mulher, congelar gametas e embriões, aguardar quarentena de 8 semanas e retestar antes da transferência de embriões;
    • Homens que irão viajar para áreas de epidemia devem considerar congelar semên (testado com PCR para Zika) antes da viagem.

Limitações do teste para Zika

8 – Testes para Zika vírus tem limitações técnicas  e financeiras para sua aplicação.

9 – Teste de rotina ideal para pessoas que foram expostas recentemente é o PCR. O fato de estar o PCR negativo no sangue não exclui a possibilidade de positividade no sêmen.

10 – Apesar disso, os únicos testes validados são na urina e no sangue, e os testes no sêmen e na secreção vaginal ou cervical não devem ser feitos de rotina.

Tratamentos para infertilidade com gametas doados

11 – Tratamentos para infertilidade devem seguir a mesma rotina já adotada.

12- O FDA recomenda que pessoas que tiveram Zika vírus, viajaram para regiões de epidemia de Zika vírus ou tiveram contato sexual com pessoas que tiveram infecção pelo Zika vírus suspeita ou confirmada nos últimos seis meses não doem sêmen, óvulos ou embriões.

13 – Doadores anônimos ou não devem seguir a mesma rotina.

14 – Útero de substituição devem seguir as mesmas rotinas já descritas.

15 – Embriões doados formados em ciclos onde não foi feito rastreio para Zika vírus podem estar infectados.

16 – Ainda não foi demonstrado que os métodos de lavagem seminal e congelamento possam reduzir o risco de transmissão do Zika vírus, ao contrário de outras infecções como o HIV, por exemplo.

17 – Essas recomendações são dinâmicas e poderão mudar a qualquer momento, na medida que melhor se entende a infecção pelo vírus.

18 – Todas essas informações devem ser colocadas em termos de consentimento informado pré-tratamento.

Sabemos que a relação do vírus Zika e gravidez é potencialmente grave e devemos constantemente nos atualizar conforme forem surgindo novas evidências.

Referência

http://www.asrm.org/Guidance_for_providers_caring_for_patients_exposed_to_zika/