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Há um número cada vez maior de mulheres que desejam adiar a gravidez e ter filhos com uma idade mais avançada. Esta tendência mundial, observada em países economicamente desenvolvidos, tem feito a medicina procurar novos métodos e alternativas à concepção.

Um desses procedimentos, que revolucionou a ciência nas décadas de 80 e 90, é a fertilização in vitro (FIV). No entanto, ainda assim, as chances de sucesso após os 43 anos são baixas, mas isso pode ser contornado.

O primeiro “bebê de proveta” brasileiro nasceu em 1984 e, desde então, novas técnicas desenvolvidas proporcionaram taxas de sucesso cada vez maiores. A FIV consiste na coleta de óvulos e esperma para uma fecundação assistida em laboratório. Depois disso, o médico transfere o embrião para o útero da mulher para inicar a gestação normalmente.

Com o avanço da idade, os óvulos da mulher perdem tanto qualidade como quantidade, já que há um número limitado de óvulos (reserva ovariana) que se perde a cada ciclo menstrual.

Assim, depois dos 35 anos, a mulher já tem uma perda da fertilidade considerável, que se acirra depois dos 38. Segundo especialistas, a mulher consegue fazer a fertilização in vitro com seus próprios óvulos até uma média de 43 anos de idade, sendo que não há uma idade fixa estipulada, já que cada uma possui características únicas que podem tanto aumentar como diminuir esse limite. Por exemplo: uma paciente com 42 anos com 20 folículos antrais tem uma chance de engravidar maior que outra paciente com a mesma idade, mas com uma reserva de 6 folículos.

Em situações de pouca quantidade e baixa qualidade dos óvulos, pode ser indicada a doação de óvulos (ovodoação) de uma mulher mais jovem, assim como a doação de esperma, caso o homem apresente alterações seminais graves. Outro procedimento que pode ser adotado é o congelamento dos próprios óvulos visando a uma gravidez futura via FIV.

Por exigências do Conselho Federal de Mecidina (CFM), os óvulos não podem ser comercializados, e o anonimato da doadora deve ser preservado. A legislação brasileira atual também não permite a doação entre familiares. Em geral, as taxas de gravidez em ciclos de ovodoação possuem mais de 50% de sucesso.

Um estudo publicado pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, mediu a taxa de gravidez da FIV em mulheres acima dos 40 anos com seus próprios óvulos. O resultado é que as de 40 anos tiveram 20,8% de sucesso com o tratamento; as de 41 anos tiveram 15%; 11,6% das de 42 anos conseguiram engravidar e apenas 2,8% em relação a mulheres com 43 anos ou mais.

Isso não significa que mulheres com 44 ou 45 anos não consigam mais engravidar. Uma análise clínica associada aos exames e tratamento médico adequado pode conduzir uma gravidez. Mulheres na faixa dos 40 anos podem vir a ter uma gravidez mais saudável do que uma com a metade da idade. A alimentação balanceada, prática de exercícios físicos e evitar tabagismo, álcool e drogas podem fazer toda a diferença em relação à fertilidade.

A revista Fertility Sterility, da American Society of Reproductive Medicine, divulgou em maio de 2014 o caso da mulher mais velha a engravidar, com FIV e com os próprios óvulos: ela tinha 46 anos. Já na Índia há relatos de uma mulher que, utilizando óvulos doados, deu à luz a uma menina com 69 anos de idade. A mulher mais velha a ter concebido naturalmente é uma britânica de 59 anos, em 1997.

Portanto, qualquer mulher, independente da idade, tem o acesso à maternidade se tiver óvulos de boa qualidade e um útero receptivo. Ainda assim, há alternativas como a doação de óvulos e/ou sêmen.

De qualquer maneira, um planejamento é fundamental a uma mulher acima dos 35 anos que deseja engravidar: tratamento com ácido fólico com pelo menos um mês antes da concepção para evitar malformações do tubo neural no feto; dieta equilibrada; realizar um pré-natal adequado e com os exames médicos específicos à idade, como o que avalia as chances de anomalia genética do feto (aneuploidia), e doenças como diabetes e hipertensão.