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Os resultados expressivos sobre o avanço da Medicina Reprodutiva justificam os inúmeros sorrisos expressos nos casais que acreditaram que o diagnóstico final sobre infertilidade era apenas o início de uma nova caminhada para realização de um sonho.

Fertilização in vitro (FIV), Injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), Inseminação Artificial (intrauterina), Relação Sexual Programada (coito programado), Transferência de embrião congelado, Doação de óvulos ou espermatozoides, Doação de embriões e Útero de Substituição são as principais técnicas utilizadas em Reprodução Humana. E devido a esta variedade de métodos, é comum ficarmos confusos com os dados sobre as taxas de sucesso em um centro de Medicina Reprodutiva.

Analisando as taxas de sucesso da Fertilização in vitro (FIV) e Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI) podemos dizer que:

1.  Os resultados podem ser apresentados pelo percentual de incidência de gravidez em relação aos ciclos de tratamento realizados em um dado período, chamados de “taxa de gestação por ciclo iniciado”. Ou seja, quantos ciclos de tratamentos que foram iniciados acabaram em gestação. Vale ressaltar que podemos diferenciar a gestação química da clínica. Gestação química ocorre quando o teste de gravidez (beta HCG sanguíneo) é positivo. Gestação clínica é aquela em que se confirma a gravidez ao ultrassom com cerca de 6 semanas de idade gestacional, com embrião com batimentos cardíacos presentes.

2.  Também podem ser expressos pela incidência de gravidez em relação às punções foliculares (captação de óvulos) realizadas em um dado período. Esses dados são denominados de “taxa de gestação por punção ovariana”.

3.  Os resultados podem ainda ser expressos pela incidência de gravidez em relação à transferência de embriões em um período, “taxa de gestação por transferência”. A taxa de gravidez por ciclo iniciado é sempre menor do que a taxa de gravidez por transferência, pois alguns ciclos têm de ser cancelados, seja por falta de resposta dos ovários ou por resposta exagerada, e dessa forma não ocorre a transferência embrionária.

4.  A taxa de implantação difere da taxa de gravidez, pois ela indica a porcentagem de embriões que foram implantados em relação ao número de embriões transferidos em um dado período. Assim, a taxa de implantação representa a capacidade de cada embrião transferido no período de se implantar no útero, resultando em gravidez.

5.  A taxa de natalidade difere da taxa de gravidez pois cerca de 15% das gestações acabam em abortamento espontâneo. Ela pode indicar o número de nascimentos tanto por ciclos iniciados como por transferência.

Vejamos essas informações reunidas na análise abaixo com um exemplo

Em um ano, por exemplo:

–  100 ciclos foram iniciados
–  90 ciclos resultaram em punção folicular
–  80 em transferência embrionária
–  50 resultaram em teste de gravidez positivo (beta HCG positivo)
–  6 dos quais sofreram abortamento espontâneo antes do ultrassom inicial para confirmação da gestação intrauterina.
–  Das 44 gestações que tiveram confirmação pelo ultrassom (50 menos 6), nenhuma cursou com abortamento.

No mesmo ano, um total de 180 embriões foram transferidos resultando no nascimento de 26 bebês únicos e 6 gêmeos. Os 32 bebês nasceram vivos.

1.  A taxa de gestação química por ciclo é de 50% (50 gestações por 100 ciclos)

2.  A taxa de gestação clínica por ciclo é de 44% (50 gestações menos os 6 abortos, ou seja, 44 gestações por 100 ciclos)

3.  A taxa de gestação clínica por punção é de 49% (44 gestações por 90 punções).

4.  A taxa de gestação clínica por transferência é de 55% (44 gestações por 80 transferências de embriões)

5.  A taxa de implantação é de 21% (38 embriões implantados de 180 embriões transferidos, pois os embriões que abortaram também implantaram, mas não evoluíram. Os que abortaram foram após transferência de embrião único, por isso consideramos 26 bebês únicos + 6 gêmeos + 6 que implantaram mas abortaram)

6.  A taxa de natalidade por ciclo é de 32% (32 nascimentos para 100 ciclos)

7.  A taxa de natalidade por transferência é de 40% (32 nascimentos por 80 ciclos de transferências embrionárias)

As taxas de sucesso também podem ser analisadas baseadas nos embriões que foram congelados em tentativa prévia, nesse caso:

A porcentagem de gestações obtidas em relação ao número de ciclos de transferências de embriões congelados (FET – Frozen Embryo Transfer) em dado período. Tais dados são chamados taxa de gestação por transferência por embriões congelados (FET).

A taxa de sobrevivência dos embriões após congelamento-descongelamento é cerca de 90 a 95%. Ou seja, de 100 embriões congelados, cerca de 90 a 95 sobrevivem com manutenção da qualidade. A principal causa de perda qualitativa após descongelamento é a própria qualidade do embrião.

Como podemos notar, existem muitas variáveis dentro de uma mesma técnica, mais ou menos eficazes, dependendo da particularidade de cada caso, mas todas apresentam taxas favoráveis de natalidade e promoção de uma vida saudável e de forma segura.