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A realização periódica da colpocitologia oncótica é importante para prevenção do câncer de colo uterino, patologia de alta prevalência: terceiro tipo de câncer mais comum nas mulheres e quarta causa de morte de mulheres por neoplasia maligna.

A neoplasia de colo uterino é causada pelo HPV, sendo os subtipos oncogênicos mais comuns 16 e 18. O HPV é uma infecção comum do trato genital feminino, porém na maior parte das vezes , uma patologia benigna, causando as verrugas genitais.

Alterações de células colhidas no exame preventivo são importantes para o diagnóstico precoce do câncer, e quanto mais cedo se descobre a alteração , melhor o prognóstico da doença, sendo a maioria dos casos curáveis.

A estimativa de novos casos em 2016, feita pelo INCA, são de 16.340 casos. Atualmente, 45% dos casos diagnosticados são de lesão precursora do câncer, carcinoma in situ, altamente curável.

Importante que o exame de prevenção não faz diagnóstico da doença, mas uma vez alterado, exames complementares são realizados para obtenção de amostra do colo uterino por meio de bióspia e confirmação do diagnostico para tratamento adequado.

O colo uterino é formado pela ectocérvice, parte externado colo, revestido pelo epitélio escamoso e pela endocérvice, canal interno, revestido por epitélio colunar simples. O ponto que divide o endocérvice da ectocérvice é chamado de junção escamo-colunar (JEC).

Alterações hormonais após a puberdade, faz com que parte do epitélio colunar fique exposto na parte externa do colo, ocorrendo uma alteração comum no colo uterino como forma de defesa, a metaplasia escamosa, que consiste na transformação de epitélio glandular em epitélio escamoso. Todo esse epitélio exposto que sofre mudanças é chamado de zona de transformação. A metaplasia é então um processo fisiológico. Não é considerado lesão precursora ou pré- maligna.

Também pode constar no laudo do exame a presença de bactérias ou fungos, responsáveis por infecções como candidíase, tricomoníase e vaginose bacteriana.

A classificação mais recente é de presença ou ausência de células neoplásicas. Assim, o laudo atual descreve o tipo de células presentes no exame (escamosas, epitélio glandular ou células colunares, metaplasia), a flora bacteriana (lactobacilos são bactérias normais da flora vaginal) e após as descrições , se não encontrar lesões pré- malignas ou malignas, o resultado virá como negativo para células neoplásicas , ausência de atipias ou negativo para malignidade, o que anteriormente era definido como classe I (normal) ou classe II (inflamatório).

A partir daí, podem ser encontradas algumas alterações celulares. As mais comuns são:

ASCUS: células atípicas de significado indeterminado.

Geralmente são achados benignos que podem ocorrer por alteração hormonal, infecção ou inflamação, mas que não se pode descartar a presença de malignidade. Estudos recentes mostram que 10% das mulheres que possuem ASCUS e HPV podem desenvolver câncer de colo uterino em até cinco anos.

ASC-H: células escamosas atípicas. Resultado indeterminado que indica alto risco para células malignas.

  • Lesões pré-malignas

LSIL – lesão intraepitelial escamosa de baixo grau. Trata-se de uma lesão pré-maligna com baixo risco de ser câncer

HSIL– lesão intraepitelial escamosa de alto grau. Lesão pré-maligna com alto risco de câncer.

Frente a alteração do exame, faz-se necessário acompanhamento para solicitação ou de exames complementares como colposcopia com biópsia e pesquisa de HPV.

O acompanhamento é imprescindível frente a todas as alterações e principalmente em pacientes com HSIL, uma vez que realizada bióspia, em 50% dos casos o resultado é conclusivo para carcinoma in situ e 7% para carcinoma invasivo.