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São vários os fatores que levam algumas mulheres a recorrerem à doação de óvulos para conseguir engravidar. Assim como a doação de sêmen, a ovodoação é um tratamento pouco comentado no Brasil, devido à discrição inerente ao procedimento.

Os avanços científicos têm permitido altas taxas de sucesso nesse tratamento. Casais costumam procurar uma doadora de óvulos após uma série de tentativas mal sucedidas ou após estarem evidenciadas impossibilidades físicas para a mulher, como menopausa precoce, baixas quantidade e qualidade dos óvulos ou outras dificuldades genéticas correlatas.

Obviamente, essa não é uma decisão simples de se tomar. Há uma enorme barreira cultural e social que precisa ser superada até que as expectativas estejam alinhadas à realidade. Nesse sentido, há algumas diferenças relevantes entre a política vigente de regulamentação à doação de óvulos no Brasil e em outros países.

Enquanto aqui é estritamente proibido haver conhecimento mútuo entre doadora e receptora, em outros países é possível que o casal escolha uma doadora já conhecida. De acordo com a regulamentação brasileira, também não são aceitos quaisquer tipos de remuneração ou transação financeira entre as partes.

Mesmo assim, existe a possibilidade de ocorrer a chamada doação compartilhada, quando a doadora é apta biologicamente para reproduzir, mas também está realizando tratamento Fertilização in vitro por outros motivos.

Critérios de seleção

Assim que a decisão é tomada, a doadora de óvulos deve preencher algumas características fundamentais para a compatibilidade com a receptora. A mais comum é a busca de similaridade fenotípica com relação à receptora, o que inclui características biológicas aparentes, como cor da pele, do cabelo e altura, além de tipo sanguíneo.

Há, no entanto, uma série de outros critérios que os casais também costumam procurar dentre as possibilidades disponíveis nas clínicas especializadas. São características que vão desde a aparência e a origem dos antepassados da receptora, até o nível de escolaridade e de QI.

Como a doação é voluntária e sem fins lucrativos, algumas respostas não são especificadas pelas clínicas. Normalmente, a candidata à doadora precisa passar primeiramente por exames clínicos rigorosos. Em seguida, ela deve preencher um formulário que contém detalhes sobre sua vida pessoal, histórico médico, características familiares e áreas de interesse.

Junto dessas informações, também são compiladas as principais características físicas e, em alguns casos, até são solicitadas fotos da candidata à doadora quando criança. Tudo isso ajuda o casal que está realizando o tratamento a ter uma ideia das possíveis características do filho.

Comportamento x genética

A partir da gama de informações que são apresentadas, o casal receptor passa a fazer relações entre as respostas dadas pela doadora e seu perfil psicológico e comportamental. Mesmo que os critérios biológicos sejam atendidos no primeiro momento, esses critérios complementares podem influenciar bastante a escolha.

Existe confusão sobre certos comportamentos da doadora, reprovados pelo casal, ter algum tipo de relação com a sua carga genética. Muitos fatores que determinam como a pessoa será quando criança ou adulta não têm qualquer tipo de relação com a carga genética que ela carrega, mas sim com sua criação e suas referências mais próximas.

Os limites entre a herança genética e o meio social podem ser muito tênues e nortearam muitos estudos científicos. Muitas características apresentadas pela mãe podem ou não ser passados adiante junto de sua carga genética, o que torna, às vezes, critérios subjetivos sobre as realizações da doadora irrelevantes.

Independente de a busca do casal receptor pender mais para o lado da beleza da doadora ou por sua inteligência, o mais importante nesse processo é evitar candidatas que possuam históricos de doenças graves na família.

Os demais critérios são importantes, pois ajudam a aproximar as combinações entre a doadora e a receptora, o que será transmitido para o bebê. Porém, acima de tudo isso, é imprescindível que o casal esteja apto a transmitir todo amor possível para o filho que virá ao mundo.