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Você sonha ser mãe, tem dificuldades para engravidar e já tentou, sem sucesso, diversas opções de tratamento ou não pode pagar por um procedimento de fertilização? Saiba que existe um caminho completamente legal, permitido pelo Conselho Federal de Medicina, para a realização do seu desejo: a ovodoação compartilhada.

A técnica envolve a fecundação de espermatozoides do companheiro da paciente com óvulos doados anonimamente e a implantação do embrião no útero da receptora, que, com o sucesso, terá a oportunidade de gestar de forma segura, na maioria das vezes.

Conheça as características do processo, incluindo o papel da doadora e da receptora de óvulos, e confira se o método vale a pena para você!

Ovodoação compartilhada

A única modalidade de doação de óvulos regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) é a doação compartilhada. O procedimento envolve uma mulher que, apesar de suas condições biológicas adequadas, não consegue engravidar e queira doar parte dos óvulos de forma anônoma e outra mulher que não possui material genético propício para fecundação e foi mal-sucedida em outros procedimentos de fertilização, em geral devido à idade reprodutiva avançada.

Por meio do método, a receptora dos óvulos custeia parte do tratamento da doadora, o que é permitido pelo CFM. Ou seja, além de contribuir com o material biológico adequado para o procedimento de fertilização em outra paciente, a doadora também compartilha os custos necessários para realizar seu próprio tratamento, viabilizando a realização do sonho de ser mãe.

Sigilo e anonimato

Um dos critérios exigidos pelo CFM para a realização da doação compartilhada é que todo o procedimento seja feito de forma sigilosa e anônima, ou seja, doadora e receptora de óvulos não podem se conhecer ou ter qualquer grau de parentesco.

Para cumprir essa premissa, clínicas adotam estratégias pontuais na execução de algumas etapas do processo. No dia de coletar os óvulos da doadora, por exemplo, o companheiro da paciente que vai receber os óvulos também deve comparecer à clínica para a coleta do sêmen e é preciso planejamento e organização para que eles não se encontrem.

Perfil da doadora e da receptora de óvulos

A doadora deve ter, conforme determinação do Conselho de Medicina, no máximo, 35 anos, como forma de garantir a qualidade do material a ser doado. Sabemos que a partir dos 35 anos, o risco de alterações genéticas nos óvulos começa a aumentar progressivamente, aumentando também o risco de aborto. Outros critérios podem ser adotados para definir o perfil da doadora ideal — como a comprovação de inexistência de doenças genéticas ou psiquiátricas, mas eles variam conforme o protocolo da clínica responsável pelo procedimento, já que não há exigência do CFM nesse sentido.

Já em relação à recepção de óvulos, não há nenhum tipo de restrição: qualquer mulher que queira engravidar pode se submeter a um procedimento de doação compartilhada, desde que tenha saúde para gestar. As pacientes que mais buscam o método são mulheres nas seguintes situações:

que já passaram pela menopausa,

que foram mal-sucedidas em tratamentos anteriores, como a FIV, ou sofreram abortos devido à baixa qualidade de óvulos,

que tenham retirado os ovários,

ou que apresentam falência ovariana prematura — mulheres que tenham passado por tratamentos como quimioterapia ou radioterapia, por exemplo.

Critérios para a escolha da doadora

As clínicas que realizam o procedimento de ovodoação contam com um registro de possíveis doadoras, no qual constam informações diversas, incluindo peso, altura, etnia, cor da pele, tipo sanguíneo e, quando for o caso, resultados de alguns exames realizados. A receptora tem acesso a esses dados e pode se basear neles para escolher a doadora que considera ideal.

Diferentemente do que muitos pensam, doadora e receptora terem o mesmo tipo sanguíneo não é condição crucial para que o tratamento seja bem-sucedido, mas essa é uma situação considerada ideal por especialistas. Isso porque a ovodoação entre mulheres com diferentes tipos de sangue pode resultar em um bebê com grupo sanguíneo incompatível com o dos pais, circunstância que pode, no futuro, gerar constrangimentos caso a família não queira que a criança saiba como foi gerada.

Etapas do tratamento

Quando um casal decide pelo procedimento e doadora e receptora são definidas, as famílias envolvidas e a clínica responsável partem para o cumprimento dos estágios do tratamento. Entre a estimulação dos ovários da doadora, o preparo do endométrio da receptora e o teste de gravidez positivo, não é necessário mais do que um mês para realizar todos os procedimentos necessários.

Preparação da doadora

Em um período que varia entre 10 e 12 dias, a doadora dos óvulos usa hormônios injetáveis que estimulam os ovários. Alguns ultrassons são realizados durante esse processo, visando identificar a necessidade de ajustar doses hormonais.

Quando os folículos chegam ao tamanho adequado para o procedimento, a doadora recebe a última dose de hormônio e, 35 horas depois, a clínica coleta os óvulos e os espermatozoides do esposo da doadora e do companheiro da receptora.

Preparação da receptora

Enquanto a doadora tem seus ovários estimulados, a receptora passa pela preparação do útero, que envolve a utilização de hormônios não injetáveis — podem ser aplicados via oral, por meio de adesivo ou gel e até por via vaginal — por cerca de duas semanas. É o que chamamos de preparo endometrial, onde será colocado o embrião. Se a paciente engravidar, os hormônios são mantidos até 12 semanas de gravidez — caso contrário, a medicação é suspensa.

Coleta dos óvulos

Para se submeter ao procedimento de coleta de óvulos, a paciente recebe uma sedação leve, equivalente à utilizada na realização de uma endoscopia. Por meio de uma técnica semelhante a um ultrassom transvaginal, uma agulha inserida dentro do ovário é responsável por coletar os óvulos. O procedimento é indolor e rápido, com duração de aproximadamente 20 minutos.

Fecundação (fertilização)

Após a coleta, os gametas — óvulos e espermatozoides — passam pelo processo de fecundação em laboratório, que pode ser realizado de duas formas:

o embriologista, profissional responsável por manipular as células reprodutivas, pode injetar cada espermatozoide coletado dentro de cada óvulo doado, por meio de um método denominado Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides ou ICSI;

ou o procedimento pode simular a fecundação natural, ocorrida dentro da tuba uterina. Nessa técnica, os profissionais colocam vários espermatozoides ao redor de um único óvulo e observam o comportamento dos gametas (FIV clássica ou tradicional).
Nos dois casos, os embriões são avaliados durante cerca de cinco dias e, se estiverem em condições adequadas, são transferidos ao útero da doadora e da receptora. Na maioria das vezes, é necessário congelar os embriões da doadora para transferir em outro ciclo, evitando a Síndrome da Hiperestimulação Ovariana.

Transferência dos embriões

O procedimento realizado para transferir os embriões é mais simples do que o de coleta dos óvulos. Sem a necessidade de anestesia, a técnica envolve a utilização de um cateter fino e delicado, que será responsável pelo depósito dos embriões no interior do útero da paciente. A paciente deve ficar dois dias em repouso leve e o teste de gravidez é feito cerca de 10 dias depois da implantação — as taxas de sucesso variam entre 50% e 60%.

Se forem transferidos dois embriões, a paciente tem entre 20% e 30% de possibilidade de engravidar de gêmeos, percentual que reduz para menos de 2% caso seja implantado apenas um embrião.

Doação de óvulos x adoção

Depois de todos os detalhes da ovodoação esclarecidos, você deve estar se perguntando: se serão utilizados óvulos de uma terceira pessoa, sem vínculo com o casal, por que não adotar uma criança?

Um dos fatores que diferencia os dois procedimentos é a burocracia. Na adoção, o casal não consegue ter controle sobre as fases do processo e, provavelmente, vai esperar um tempo considerável para realizar o sonho de ter um filho. Além disso, a ovodoação também tem a vantagem de envolver, na maioria das vezes, a utilização do sêmen do companheiro da paciente, o que garante uma carga genética familiar ao bebê gerado.

Mas o grande diferencial entre a adoção e a ovodoação está ligado ao sentimento materno. A paciente que se submete, com sucesso, a um procedimento de reprodução assistida tem a oportunidade de viver intensamente a experiência de uma gravidez, que inclui a alegria do teste positivo, a emoção de gestar uma vida durante nove meses, o encanto de um parto e o prazer de planejar a chegada de uma criança, entre outros aspectos.

Se você gostou desse artigo ou gostaria de obter mais informações relacionadas ao papel da doadora e da receptora de óvulos no processo da ovodoação, comente este post e compartilhe suas dúvidas.