Tempo de Leitura: 5 minutos

A busca por direitos iguais começa nos estágios mais básicos da vida em sociedade. Para casais homoafetivos, isso significa poder demonstrar afeto sem medo de sofrer qualquer tipo de violência; ter a possibilidade de se casar e conseguir compartilhar benefícios com o marido ou com a esposa; e poder escolher ter filhos e formar uma família.

Desde 2011, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu e qualificou como entidade familiar a união estável homoafetiva no Brasil, o casamento se tornou uma realidade para casais que sonhavam apenas em ter o mesmo direito garantido por lei para o restante da população.

Na decisão, o então ministro Ayres Britto citou o “direito à busca da felicidade”. Hoje, casais homoafetivos têm o “direito à busca da felicidade” também por meio da reprodução assistida: outro sonho antigo, comum e básico — o de gerar o próprio filho com quem você ama — agora faz parte da realidade da nossa sociedade.

A resolução aprovada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) estabelece algumas regras para casais homoafetivos que desejam engravidar, com diferenças para os formados por homens e os que são constituídos por duas mulheres. No post de hoje, mostramos quais métodos estão disponíveis no país e como funcionam as etapas de cada um deles.

Casais de mulheres

Para casais formados por duas mulheres, existem duas opções — ambas feitas com doadores de sêmen anônimos. No Brasil, não é permitido que um amigo, parente ou conhecido do casal seja o doador do sêmen. Assim, as mulheres devem recorrer a um banco de doadores, nacional ou internacional. Nos bancos brasileiros, é possível ter acesso a informações como o biotipo, a altura, o peso e os hobbies do doador.

Nos bancos norte-americanos, o detalhamento é ainda maior. As futuras mães podem ouvir a voz do doador em um áudio, saber como é a letra dele por meio de uma carta escrita à mão e descobrir se ele é de ascendência italiana, por exemplo.

Cada tratamento tem sua especificidade e uma taxa de gravidez diferente. Cabe ao casal escolher a qual dos dois recorrer.

Inseminação artificial

Com a inseminação artificial, a ovulação é induzida em uma das mulheres por meio de medicamentos injetáveis. O casal deve decidir quem vai passar pelo procedimento, mas, quando há uma diferença de idade grande entre as duas, a sugestão é que a inseminação seja feita na mais nova.

A paciente recebe uma injeção de HCG. Depois de 36 horas, ela é levada para o laboratório onde o sêmen selecionado do banco de doadores anônimos foi descongelado e é feita a injeção intrauterina.

A taxa de gravidez com a inseminação artificial varia de 12% a 15%. O sucesso depende de uma série de fatores, como o espermatozoide chegar ou não ao óvulo, e existem muitas variáveis. É importante ressaltar que a média pode oscilar ainda mais de acordo com a idade da paciente.

FIV (Fertilização in vitro)

A fertilização in vitro permite a participação das duas mulheres na hora de realizar o sonho de ser mãe. Os óvulos de uma delas podem ser coletados, fertilizados e transferidos para o útero da outra mulher, que vai gerar a criança. O procedimento também pode ser feito apenas em uma das mulheres.

Na FIV, também é usado um medicamento injetável para induzir o desenvolvimento dos folículos. Em seguida, o médico acompanha por ultrassom o progresso para saber quando será aplicada a última injeção. Isso acontece apenas quando os folículos atingem o tamanho adequado.

Passadas as 36 horas da aplicação da última injeção, os óvulos são coletados. A coleta é feita com anestesia geral, em um procedimento que dura entre 20 e 30 minutos. Em seguida, os óvulos são colocados em uma incubadora, o sêmen é descongelado e ocorre a fertilização.

Cada um desses óvulos pode formar um embrião. Durante até cinco dias, a qualidade desses embriões é avaliada pelo médico para, então, chegarmos à última etapa: a transferência para o útero.

A taxa média de gravidez com a fertilização in vitro é de 40%. Novamente, o número pode variar de acordo com a idade da paciente. O casal ainda pode optar por congelar os embriões e fazer a transferência em outro período. A taxa de sucesso com embriões congelados é maior.

Casais de homens

Já os casais formados por dois homens contam com apenas uma opção na hora de formar uma família com a ajuda da reprodução assistida: a fertilização de óvulos que serão transferidos para um “útero de substituição”.

Os óvulos que serão fertilizados devem ser selecionados de um banco de doadoras anônimas. Assim como na inseminação artificial para o casal de mulheres, os óvulos não podem ser de uma amiga ou conhecida do casal.

No dia da coleta dos óvulos da doadora, é feita também a coleta do sêmen de um ou dos dois futuros pais. Os embriões são fertilizados e podem ser congelados ou transferidos a fresco para o “útero de substituição”.

O CFM estabelece que o útero deve ser de uma parente de até quarto grau. Ou seja, a mulher que vai gerar o bebê pode ser a irmã, a mãe, a avó, a tia ou até a prima de um dos pais. O conselho havia definido um limite anterior de parentes até o segundo grau, o que excluía a possibilidade de tias e primas participarem do processo. A prática conhecida como “barriga de aluguel”, quando a mulher é paga para gerar o bebê, é proibida no Brasil.

O que até poucos anos atrás era visto como absurdo ou estranho, hoje é uma realidade que acompanha o progresso e as conquistas de quem luta por direitos iguais: casais homoafetivos que desejam engravidar têm acesso a essa possibilidade com a ajuda da evolução nas técnicas de reprodução assistida. A adoção não é mais a única opção. Quem sonha em ter filhos agora pode acompanhar o desenvolvimento desde as etapas iniciais.

Você tem interesse em ter um filho com seu marido ou com sua esposa ou quer saber mais sobre as técnicas de reprodução assistida para casais homoafetivos? Entre em contato com a Vida Bem Vinda e saiba qual é o melhor caminho!