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Escrito po Dr. Renato Tomioka, M.D.

Um recente artigo científico publicado na Human Reproduction tratou do que vem sendo uma grande mudança na nossa prática diária: congelamento de embriões para transferência ao útero materno em outro ciclo.

Conhecida como “freeze-all” (congela tudo, em português), essa estratégia se tornou muito popular nos últimos anos pois, ao congelar os embriões e postergar a transferência, diuminui-se o efeito negativo que a estimulação ovariana causa no endométrio durante a Fertilização in vitro. Além disso, o tratamento fica mais seguro pois o risco de Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO), a mais temida complicação do tratamento, é reduzido a praticamente zero, já que a fase mais grave da síndrome ocorre quando a paciente engravida com os ovários grandes e estimulados, após transferência de embrião a fresco (no mesmo ciclo da estimulação ovariana).

O “freeze-all” só foi viabilizado devido à alta eficácia da vitrificação (congelamento ultrarrápido), que mantém as qualidades dos embriões. Essa técnica foi aprimorada na última década, e os resultados atuais são extremamente bons, com taxa de sobrevivência embrionária em torno de 90 a 98%.

O protocolo mais utilizado para isso é o de antagonista do GnRH (Orgalutran, Cetrotide) e maturação dos óvulos com agonista do GnRH (Lupron, Gonapeptyl).

O artigo exprime a opinião de especialistas belgas, que fizeram uma análise através da matriz SWOT, geralmente aplicada ao mundo dos negócios, para avaliar cenários e servir de base para o planejamento estratégico de uma empresa.

A matriz SWOT avalia as forças (strengths), fraquezas (weaknesses), oportunidades (opportunities) e ameaças (threats) de um determinado projeto.

De uma forma prática, os autores descreveram a estratégia de “freeze-all” da seguinte forma:

Forças

  • Aumento da segurança à paciente: redução do risco de Síndrome de Hiperestimulação Ovariana
  • Aumento das taxas de gravidez
  • Redução das taxas de gestação ectópica
  • Melhores resultados obstétricos e perinatais: menor risco de prematuridade, baixo peso ao nascimento e mortalidade perinatal

Fraquezas

  • Apenas 3 estudos randomizados controlados de boa qualidade sobre o assunto
  • Alguns relatos de casos sobre SHO com uso exclusivo de agonista GnRH para maturação oocitária

Oportunidades

  • Mais óvulos coletados
  • Agendamento flexível de procedimentos
  • Início da estimulação ovariana em qualquer fase do ciclo
  • Protocolos com menos injeções: patient friendly

Ameaças

  • Mudança na prática clínica atual
  • Otimização das técnicas de criopreservação
  • Aumento dos custos do tratamento: congelamento, manutenção

Resultado perinatal: aumento do risco de recém-nascido grande para a idade gestacional

Congelamento de todos os embriões durante a FIV: vale a pena?

Atualmente, utilizamos a estratégia de “freeze-all” principalmente para pacientes com alto risco de SHO; quando o endométrio apresenta alguma alteração diagnosticada durante a estimulação ovariana, como pólipos endometriais; falha de implantação com embrião a fresco; endométrio não receptivo no ERA; programação cirúrgica em pacientes com risco ou baixa reserva ovariana, entre outros.

Sem dúvida, a vitrificação de embriões é um excelente tratamento e pode ser uma estratégia inteligente para muitas mulheres engravidarem com segurança.