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Quando o casal tenta ter o primeiro filho, a ansiedade para engravidar costuma ser grande. Porém, é preciso investigar se a espera está ou não dentro do prazo normal. A fertilidade do ser humano é considerada baixa, então, é comum as tentativas demorarem alguns meses até que a gestação aconteça — isso não significa, necessariamente, que o casal seja infértil.

Em casos regulares, se as tentativas de engravidar se mostrarem malsucedidas por um ano, o casal deve ser investigado para as causas de infertilidade. No caso das mulheres com 35 anos ou mais, o tempo recomendado para iniciar a investigação cai para seis meses, pois, em reprodução humana, o tempo é muito precioso e impacta diretamente nas chances de sucesso dos tratamentos. Se a mulher possuir um diagnóstico de endometriose, síndrome de ovários policísticos ou outras doenças já conhecidas, deve buscar um especialista o quanto antes, não necessitando esperar os 6 ou 12 meses. O mesmo vale para pacientes com 40 anos ou mais, já que a reserva ovariana e risco de aborto e malformações aumentam consideravelmente em meses.

Mas o que causa a infertilidade na mulher? E como é feito esse diagnóstico? É o que abordaremos no post de hoje, que permitirá que você entenda melhor a infertilidade feminina. Vamos lá?

As possíveis causas da infertilidade na mulher

Muitos fatores podem atrapalhar ou impedir a gravidez, e as causas mais comuns estão relacionadas com o próprio sistema reprodutivo. A infertilidade pode ser resultado de cistos, miomas, tubas uterinas alteradas, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, pólipos, entre outras alterações na anatomia e no funcionamento do útero, tubas uterinas e dos ovários.

A idade da mulher também é fator determinante. Conforme os anos vão avançando, os óvulos ficam mais velhos — e a quantidade de folículos saudáveis diminui. O endométrio (revestimento interno do útero) também pode estar comprometido. Além disso, o ciclo menstrual começa a ficar irregular, o que pode ser um sinal de deficiência na ovulação.

Há, ainda, razões externas ao sistema reprodutivo. Algumas alterações genéticas podem comprometer a fertilidade, como translocações, mosaicismos, aneuploidias, que aumentam o risco de o embrião ter alguma malformações e causar abortamento. Além disso, diversas doenças sistêmicas, como diabetes, obesidade, desnutrição e baixo peso corporal, alterações da tireoide (hipo e hipertireoidismo) e doenças autoimunes podem reduzir a fertilidade. Hábitos de vida como tabagismo e alto consumo de bebidas alcoólicas e de cafeína também estão associados à infertilidade.

Antes de tratar a infertilidade, é necessário descobrir qual é a causa exata. Por isso, atingido o prazo das tentativas de gravidez, a mulher deve consultar um médico especializado em medicina reprodutiva. Ele avaliará as condições físicas, sociais e emocionais da mulher — para, depois, indicar os exames que vão esclarecer a causa.

Os exames básicos para diagnosticar a infertilidade

Tanto a mulher quanto o homem devem fazer exames de sangue para verificar a presença de doenças sistêmicas, como diabetes e hipo/hipertireoidismo, além de dosagens hormonais e exames gerais. Vejamos os principais:

– FSH/LH e estradiol: importantes para avaliação da reserva ovariana;

– Hormônio anti-mülleriano: auxilia no diagnóstico de baixa reserva ovariana;

– TSH, T4 livre;

– Prolactina;

– Testosterona total;

– Hemograma completo;

– Coagulograma;

– Tipagem sanguínea ABO e Rh;

– Sorologias: HIV, HTLV, sífilis, hepatite B e C, rubéola, Zika vírus IgM etc;

– Vitamina D: importante no processo de implantação embrionária, além de outros benefícios para a saúde em geral;

– Cariótipo com banda G: avalia os cromossomos (que contém nosso DNA), determinando se há translocações, aneuploidias, mosaicismos, entre outras alterações que podem aumentar o risco de malformações para o feto.

Existem dois tipos de ultrassonografia que ajudam na investigação da infertilidade, trazendo informações importantes. O ultrassom transvaginal com contagem de folículos antraisconsegue avaliar o útero e a reserva ovariana, estimando a quantidade de folículos antrais (visíveis ao ultrassom), devendo ser realizado entre o segundo e o quinto dia do ciclo menstrual. A ultrassonografia transvaginal seriada tem o objetivo de avaliar e acompanhar o crescimento do folículo ovariano — mensurando, então, qual o dia mais fértil da mulher naquele mês.

A histerossalpingografia, exame que identifica irregularidades na anatomia do útero e das tubas uterinas. Trata-se de uma radiografia da pelve (raio x) mais elaborada, feito por um médico especialista e com a aplicação do contraste para mapear o caminho que esse líquido percorre pelo útero e pelas tubas. A realização desse exame é indicada entre o sexto e o décimo segundo dia do ciclo menstrual. Caso haja risco de gravidez, é importante fazer um teste antes do exame.

As possibilidades de exames especializados

Caso o problema não seja solucionado nas etapas acima, exames mais minuciosos são realizados. Eles podem ser solicitados já na primeira consulta, de acordo com a avaliação do especialista.

A histeroscopia diagnóstica  é o melhor exame para avaliar a cavidade uterina, em caso de suspeitas de lesões como pólipos endometriais, miomas submucosos, sinéquias e malformações uterinas (septos, útero uni ou bicorno, útero didelfo, útero arqueado etc).

A ressonância magnética de pelve ou ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal são exames muito interessantes para pacientes com suspeita de endometriose em diversos graus. A ressonância ajuda muito no diagnóstico de adenomiose e na localização de miomas para o preparo cirúrgico.

A biópsia do endométrio é um exame pouco invasivo — por isso, é restrito a casos mais específicos. Na fase pré-menstrual, coleta-se um fragmento de endométrio para análise em laboratório.

A laparoscopia pode ser um procedimento diagnóstico e terapêutico ao mesmo tempo, já que é capaz de firmar hipóteses de endometriose e aderências pélvicas suspeitas em outros exames.

Os próximos passos

Como o problema pode ser multifatorial, é comum recebermos  casais com sem uma causa (ou causas) que expliquem toda a dificuldade de engravidar. Mas até mesmo a infertilidade sem causa aparente, que acreditamos ser muito rara quando bem investigada, pode ser solucionada com bons tratamentos! Já para os fatores identificados, as possibilidades são diversas.

No caso da síndrome dos ovários policísticos, a ovulação pode ser induzida em muitos casos com medicamentos via oral, de forma prática e não muito cara. Para miomas, pólipos, malformações uterinas e endometriose, o tratamento cirúrgico pode ser o mais recomendado. Outros casos podem ser perfeitamente solucionados através de outras técnicas: a relação sexual programada, a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro.

O sucesso de cada tratamento depende do perfil de cada casal, mas os resultados têm melhorado cada vez mais. A fertilização in vitro já apresenta cerca de 40% de chance de gravidez, em média. O número pode não parecer muito, mas já é o dobro das chances de um casal saudável engravidar de forma natural. A taxa de sucesso da FIV chega a passar de 60% em mulheres jovens, com menos de 35 anos, o que evidencia o impacto da idade materna sobre a qualidade do embrião.

E os riscos que a utilização dessas técnica traz são poucos, sendo a gestação múltipla o principal. Vale ressaltar que a FIV não aumenta o risco de malformações ou doenças genéticas nos bebês, mas esse risco pode estar associado à própria população infértil tratada.

Sempre é bom prevenir

Os cuidados necessários para prevenir a infertilidade da mulher são comuns a todos os casais que desejam engravidar. A manutenção de hábitos saudáveis é essencial, assim como controlar o peso e não fumar.

Também é indicada a realização de exames ante-natais para identificar HIV, hepatites, outras DST’s e rubéola — além de controlar a quantidade de ácido fólico no corpo da mulher, para evitar a malformação do feto. Atualmente, os casais inférteis devem colher sorologia IgM para Zika vírus, conforme orientação da ANVISA (2016).

A infertilidade da mulher é um problema que pode gerar frustração e ansiedade — e, por ser multifatorial, nem sempre a prevenção é suficiente para evitá-lo. Porém, realizando os exames indicados e descobrindo a causa, as chances de reverter o problema são muito grandes.

E você, já fez algum dos exames que indicamos aqui? Tem outras dúvidas ou sugestões sobre infertilidade da mulher? Deixe seu comentário e entre para a conversa!