Tempo de Leitura: 8 minutos

A queda da fertilidade é um dos eventos que acontece com o envelhecimento das mulheres acima dos 35 anos, observando-se uma queda acentuada principalmente após os 37 anos, aumentando problemas com a reprodução humana.

A queda da fertilidade se dá basicamente pela piora da quantidade e qualidade dos oócitos. Outros fatores também podem interferir no sucesso de uma gestação como  patologias uterinas e alterações hormonais. Porém, a boa taxa de sucesso em mulheres acima de 40 anos que fazem a FIV com oócitos doados – de mulheres abaixo dos 35 anos- sugerem que a principal causa realmente seja qualidade oocitária.

O envelhecimento da mulher está relacionado com uma série de alterações moleculares que levam a defeitos na formação do embrião – os oócitos estão parados em uma certa fase da divisão celular e na retomada dessa divisão, algumas dificuldades podem surgir:  separação das cromátides, alterações do fuso celular, desalinhamento cromossômico, com maior chance de comprometimento embrionária, como aneuploidias.

Todo esse processo que ocorre dentro da célula requer energia. Essa energia é produzida pelas mitocôndria, que são organelas encontradas no citoplasma das células. Estudos mostram que as mitocôndrias estão diminuídas nos oócitos de mulheres acima de 35 anos, portanto, interferem na qualidade desses óvulos pela alteração da produção de energia.

Como ainda não se pode utilizar somente o citoplasma de mulheres mais jovens para aumentar essa produção de energia, algumas medicações têm sido estudadas para tentar melhorar essa qualidade e quantidade oocitária perdidas com o envelhecimento.

A coenzima Q10 na Reprodução Humana

A coenzima Q10 ou ubiquinona é uma molécula produzida naturalmente o nosso organismo e também adquirida com a ingestão de alguns alimentos como peixe e carne. Tem ação antioxidante, por isso é conhecida como a medicação anti-envelhecimento . É essencial para a atividade mitocondrial de todas as células, mas principalmente naquelas que consomem bastante energia, encontradas no sistema nervoso central, músculo esquelético, coração ovário e testículo.

A suplementação com coenzima Q10 (CoQ10) pode melhorar a fertilidade. Estudos recentes publicados pela Sociedade Americana de Reprodução Humana, mostraram que o uso de CoQ10 pode melhorar a produção de energia pelas mitocôndrias, melhorando também a maturação dos oócitos e formação de embriões de melhor qualidade, aumentando as chances de implantação.

No homem também foram demonstrados melhora nos parâmetros seminais

Com a idade avançada da mulher, a produção de energia mitocondrial dos óvulos decresce e, assim, muitos processos da maturação tornam-se deficientes, incluindo a divisão dos cromossomos, o que leva a uma maior taxa de aneuploidias (anormalidades cromossômicas estruturais e numéricas) nos embriões formados.

Os embriões têm um grande consumo de oxigênio e não há replicação mitocondrial até a fase de blastocisto. Assim, a população inicial de mitocôndrias tem que ser dividida entre o crescente número de blastômeros (células dos pré-embriões). Com uma população menor de mitocôndrias, elas têm que aumentar sua atividade para suprir a grande atividade celular. Dessa forma, é plausível aceitar que as alterações cromossômicas observadas em embriões de mulheres mais velhas estão relacionadas a uma menor atividade mitocondrial do óvulo, prejudicando os processos de disjunção cromossômica e desenvolvimento embrionário.

A CoQ10 melhora a função mitocondrial e pode ser útil em melhorar a qualidade dos óvulos, principalmente de pacientes mais velhas. Estudos com animais mostraram aumento significante na formação de blastocistos, além de um melhor crescimento e qualidade em culturas de embriões bovinos tratados com CoQ10.

Assim, o uso da Coenzima Q10 poderia substituir a Transferência de Citoplasma (Microinjeção de mitocôndrias humanas) procedimento no qual se realiza a transferência de mitocôndrias de um óvulo mais jovem para o mais velho, chamado por alguns, de modo inadequado, de “óvulos turbinados”. Este procedimento pode ser feito com óvulos da própria mulher (Microinjeção de mitocôndrias humanas homólogas) ou proveniente do citoplasma de óvulos de mulheres jovens (com mais mitocôndrias) para as mais velhas, compensando a perda da fertilidade (Microinjeção de mitocôndrias humanas heterólogas). Este último – embora a sua realização tenha demonstrado um aumento das taxas de gravidez – é proibido por lei e pelo código de ética médica por formar embriões com três origens genéticas (uma vez que as mitocôndrias também têm DNA). Ocorre o que chamamos de heteroplasmia (presença de mais de um genoma em uma célula). Assim, os embriões gerados possuem três origens genéticas (mãe, pai e doadora). O impacto destas três origens mostrou, experimentalmente, em animais, o surgimento de distúrbios metabólicos graves, daí a razão da proibição. Dessa forma, o uso da CoQ10 poderia substituir a Transferência de Citoplasma.

Além do mais, a Coenzima Q10 tem um efeito antioxidante 5 a 10 vezes maior que a Vitamina E. É usada há algum tempo em cardiologia para melhorar a atividade cardíaca e também ajuda a prevenir a pré-eclâmpsia nas pacientes com gravidez de risco. A dose recomendada é de 50 a 600 mg. Além de melhorar a fertilidade, aumenta a capacidade imunológica, previne a toxemia gravídica (pré-eclâmpsia) nas pacientes com gravidez de risco e melhora a função do músculo cardíaco. Não é vendida em farmácias comuns, mas pode ser manipulada em farmácias especializadas.

Fontes alimentares: a Coenzima Q10 encontra-se em grandes concentrações principalmente em produtos de origem animal, como carnes, aves e pescados (sardinha, cavalinha e arenque). Óleos vegetais, como os de soja, canola, girassol, e oleaginosas também são boas fontes de CoQ10.

Outras fontes com menor teor de CoQ10: vitaminas que interferem no processo de produção de energia da célula, como:

  • Vitamina B2: ovos, leites, queijos, vegetais verdes folhosos, ervilha e feijões.
  • Vitamina K: leite e seus derivados, farelo de aveia, cenoura e frutas, como kiwi, abacate, ameixa, figo, amora, mirtilo e uvas. Vegetais verdes, como salsa, rúcula, espinafre, agrião, alface, couve, escarola, brócolis, repolho e pepino. Azeite, óleos vegetais e oleaginosas também são boas fontes.

Suplementos alimentares: Recentes publicações da revista da Sociedade Americana de Reprodução Humana (ASRM – American Society of Reproductive Medicine), demonstrou que suplementos dietéticos ricos em Coenzima Q10, além da complementação em comprimidos, podem melhorar o funcionamento das mitocôndrias, a produção de energia, a maturação dos óvulos e a formação de embriões melhores e com maior chance de implantação. Isto é, a Coenzima Q10 pode aumentar as taxas de gravidez. No homem também já foram demonstrados efeitos positivos na qualidade do sêmen.

A coenzima Q10, ou CoQ10, ou ainda ubiquinona, é um composto de vitamina presente naturalmente na maioria das células do corpo humano.

Essa coenzima é uma rica fonte de energia para as mitocôndrias e é importante para a função básica das células. Além disso, a CoQ10 é um antioxidante potente, inibindo a oxidação de outras moléculas e consequentemente inibe os radicais livres de oxigênio, responsáveis por reações em cadeia nas células que geram a morte celular.

Recentemente, um estudo realizado com ratos, em Toronto, no Canadá, observou a coenzima Q10 como um suplemento para melhorar a fertilidade desses animais. Os camundongos fêmeas que receberam a coenzima Q10 produziram óvulos de melhor qualidade em comparação aos que não receberam a substância.

Este estudo, por ora, sugere que a coenzima Q10 seja uma substância em potencial para melhorar a fertilidade de mulheres com baixa reserva ovariana. No entanto, ainda não há publicações bem desenhadas sobre a CoQ10 em humanos, para tratamentos de problemas com infertilidade.

Coenzima Q10 e qualidade dos óvulos

Sabe-se que, no ser humano, as chances de engravidar diminuem com o aumento da idade da mulher. E a idade também interfere na qualidade do óvulo: mulheres mais velhas possuem maiores chances de produzir óvulos com anormalidades genéticas.

O óvulo humano é uma grande célula à espera de um espermatozoide. Quando o espermatozoide atinge o óvulo e libera os cromossomos, inicia-se, então, o desenvolvimento do embrião. Todo esse processo requer uma grande quantidade de energia, e essa energia é gerada pelas mitocôndrias, no interior das células.

Estudos científicos indicam que um dos problemas com os óvulos mais velhos é exatamente sua baixa produção de energia mitocondrial, que leva pesquisadores a acreditarem que os óvulos poderiam manter sua normalidade cromossômica se tivessem boas reservas de energia.

É exatamente nessa relação que se encontra a origem da teoria que pressupõe o uso da coenzima Q10 na fertilidade humana: mais energia concentrada nas mitocôndrias, maiores as chances de se gerar óvulos com normalidade cromossômica.

Mulheres com problemas de fertilidade devem tomar CoQ10?

Embora as pesquisas sobre os benefícios da CoQ10 tenham se iniciado há cerca de 50 anos, ainda não há evidências científicas suficientes para recomendar a ingestão de CoQ10 a todas as mulheres com dificuldades de engravidar.

Por outro lado, também não há sinais de prejuízos que a ingestão dessa coenzima possa trazer ao ser humano, uma vez que ela já é produzida naturalmente dentro de nossas células.

Assim, a CoQ10 pode ser considerada uma dose extra de uma vitamina que pode ser ingerida na dieta alimentar, uma vez que é encontrada abundantemente em carnes, principalmente as de órgãos, como fígado, coração e rins, óleo de gergelim, soja, nozes e feijões. E uma dieta alimentar rica e equilibrada, aliada a fatores como o controle de situações de estresse e sono em dia, criam condições favoráveis para a fertilidade humana.