Tempo de Leitura: 2 minutos

Um café para acordar, para acompanhar a reunião, um chocolate depois do almoço ou um chá para relaxar no fim do dia. Quem resiste?

Mulheres que querem engravidar deveriam resistir. Ainda não há comprovações científicas de como a cafeína está ligada à infertilidade, mas estudos mostram a forte relação entre a substância e a fertilização.

Uma pesquisa feita em 1998 mostrou que mulheres que consumiam menos do que uma xícara de café por dia, ou o equivalente em cafeína, concebiam 26,9 gestações por 100 ciclos menstruais, comparadas a 10,5 gestações por 100 ciclos entre aquelas que consumiam mais do que uma xícara diariamente.

De fato, os especialistas defendem que o alto consumo todos os dias – e por alto consumo entende-se mais do que 300 mg, o equivalente a nove refrigerantes com cafeína ou quase 500 ml de café – prolonga o tempo para a concepção, reduz a taxa de fecundidade e aumenta os riscos de aborto espontâneo.

O consumo da substância também mostrou reduzir a atividade muscular nas tubas uterinas (trompas de falópio) de ratas. Um estudo da University of Nevada School of Medicine (EUA), em 2011, desvendou que a cafeína diminui a atividade muscular nas tubas, responsáveis por transportar o óvulo fecundado ao útero.

As tubas uterinas são revestidas por pequenas estruturas similares aos cílios, além de células que coordenam a contração muscular. Esses cílios, então, se movimentam e encaminham o embrião para o útero. No estudo, a cafeína se mostrou responsável por bloquear a ação das células, dificultando o processo.

A cafeína também tem sido associada à infertilidade relacionada à endometriose. Na fertilidade masculina, no entanto, não há nenhuma evidência que mostre interferência negativa da cafeína, bem como nos resultados de fertilização in vitro.

Não é necessário que a mulher elimine bruscamente todo o consumo de cafeína ao tentar engravidar. O consumo moderado, de até 200 mg por dia, é seguro e não causará problemas.

Mas lembre-se: cafeína não está apenas no café. Chocolates, chás e refrigerantes geralmente apresentam alta concentração da substância. Confira a quantidade média de cafeína em alguns alimentos e bebidas:

  • Xícara pequena de café coado = 35 mg;
  • Xícara pequena de café expresso = 65 mg;
  • Xícara grande de capuccino = 90 mg;
  • Um refrigerante em lata à base de cola = 45 mg;
  • Um chocolate ao leite de 60 g = até 50 mg.

O ideal é reduzir a ingestão aos poucos, até para que o corpo não desenvolva sintomas de abstinência, como cansaço e dores de cabeça.

Fazer o café mais aguado ou até misturar o produto descafeinado ao comum pode ajudar. No caso de chá, mantenha-o em submerso por menos tempo na água. Suavizar o consumo pode representar mais chances de realizar o sonho da gestação!