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Artigo baseado no Guia da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva publicado em 2017

Você sabia que quase 70% das mulheres vão ser diagnosticadas com miomas durante a sua vida reprodutiva? É importante saber que existem basicamente 3 tipos de miomas:

  • Subserosos: aqueles que estão na parte externa do útero
  • Intramurais: aqueles que estão na parede muscular do útero
  • Submucosos: aqueles que estão na parte interna do útero, logo abaixo do endométrio

Esses 3 tipos de miomas podem distorcer a anatomia uterina, mas a maioria dos estudos mostra que os miomas que não distorcem a cavidade endometrial (a parte interna do útero) não devem prejudicar a fertilidade.

Um grande estudo com 5.500 mulheres não viu diferença nas taxas de nascidos vivos entre os grupos com e sem miomas, uma vez que a gravidez é atingida. Mas será que retirá-los pode aumentar a chance de engravidar?

 Um estudo publicado em 2006 avaiou 181 mulheres com miomas com menos que 4 cm e mostrou que a miomectomia não aumentou a chance de engravidar em 1 ano. Outro estudo publicado em 2004 com 168 mulheres identificou que a remoção dos miomas com mais que 5 cm , mesmo que não distorcessem a cavidade, aumentou a chance de gravidez e nascidos vivos.

Por conta desses estudos, geralmente utilizamos o limite de 4 a 5 cm para indicar ou não a cirurgia.

 Há também uma dúvida se a cirurgia poderia atrapalhar a fertilidade, pela cicatriz que causaria no útero, e em revisões sistemáticas (nosso maior nível de evidência científica), essa hipótese foi desconsiderada.

E será que a remoção dos miomas que distorcem a cavidade endometrial (os submucosos) melhoram mesmo a fertilidade? A resposta é SIM: dois ensaios clínicos já mostraram uma associação positiva entre a cirurgia por histeroscopia e a taxa de gravidez. Porém, para quem tem abortamento de repetição a resposta foi NÃO: a cirurgia não diminuiu a taxa de abortamentos. Provavelmente, por que o principal fator para as falhas não é o endométrio/útero, mas sim o embrião.

É importante que você sempre converse com o seu médico sobre o tratamento ideal para o seu caso. Ele irá avaliar, em conjunto com todo o seu quadro clínico, a melhor opção.