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Apesar de todo o cuidado das futuras mães, cerca de 15% das gestações clinicamente identificadas não chegarão “a termo”, sendo interrompidas por um aborto espontâneo. Para algumas mulheres, essa experiência é frustrante e, em geral, traumatizante, e se repete diversas vezes consecutivas antes de que elas consigam ter o filho que tanto desejam.

Esses casos são classificados como de aborto recorrente ou abortamento de repetição. Oficialmente, o aborto recorrente é definido como a perda consecutiva de três ou mais gestações até a 20ª semana (5º mês) ou com peso fetal inferior a 500 gramas.

Alguns médicos, porém, já tratam como abortamento de repetição os casos em que a mulher perde dois bebês consecutivamente. A incidência deste tipo de aborto é de 1% a 5% das gestações. Apesar de gerar uma ansiedade maior naqueles que desejam muito ter filhos biológicos, o aborto recorrente não é uma sentença de que o sonho deverá ser deixado para trás.

Prova disso é que mais de 70% das mulheres que passam por abortamentos de repetição conseguem levar uma gravidez até o fim, tendo filhos saudáveis. Para isso, porém, é preciso investigar as causas dos abortos para tentar corrigi-las. Até recentemente, não era possível identificar a causa de mais da metade dos abortos recorrentes.

Com o surgimento de exames genéticos, porém, esse quadro mudou e verificou-se que boa parte dessas situações têm alterações genéticas como origem. Além delas, alterações anatômicas e endócrino-metabólicas, condições imunológicas, trombofilias e infecções podem causar abortamentos de repetição.

A seguir, uma breve explicação sobre essas diferentes causas:

Alterações genéticas

Essas alterações podem ser tanto originárias dos pais (identificadas pelo exame cariótipo do casal) quanto do próprio feto. Se forem originárias dos pais, as alterações genéticas serão caracterizadas pela duplicação ou pela perda de cromossomos (ou de parte deles).

Caso sejam do feto, podem consistir em translocações recíprocas (troca de material entre cromossomos de pares diferentes), fusão de cromossomos acrocêntricos com a perda de seus braços curtos) ou inversões da ordem do material genético de um cromossomo.

Para evitar esse tipo de situação, é possível recorrer à fertilização in vitro com biópsia embrionária pré-implantacional, ou seja, uma análise do material genético do embrião antes da implantação para que apenas os embriões sem problemas genéticos sejam implantados.

Alterações anatômicas

Pólipos uterinos, miomas e malformações do útero podem impedir a implantação do embrião e causar aborto recorrente. A identificação dos problemas é feita por exames como ultrassom transvaginal e 3D, histeroscopia e ressonância magnética de pelve. Em geral, os problemas podem ser resolvidos com pequenas intervenções cirúrgicas.

Alterações endócrino-metabólicas

Problemas como alterações no funcionamento da tireoide, elevado nível de prolactina, diabetes e síndrome do ovário policístico também causam abortos. O diagnóstico do problema deve ser feito por meio de exame de sangue e o tratamento poderá envolver medicamentos e cuidados com dieta.

Causas imunológicas

Como o material genético do embrião é diferente do da mãe, o sistema imunológico da mulher pode “atacar” o embrião, provocando abortos. Quando a mãe apresenta doenças autoimunes também há maior risco de abortamento de repetição.

Como os estudos nessa área não apresentam resultados que possam ser generalizados, tanto a identificação quanto o tratamento desses casos devem ser feitos de forma individualizada.

Infecções

Algumas bactérias podem causar infecções que dificultam a implantação e o desenvolvimento do feto, como a endometrite crônica. Nesses casos, o diagnóstico pode ser feito via exames de cultura e o tratamento deverá ser feito com antibióticos.

Trombofilias

Doenças que provocam alteração na coagulação podem formar coágulos sanguíneos e causar tromboses mínimas, as quais podem impedir a implantação do embrião. O problema é detectado por meio de exame de sangue e o tratamento é feito com medicamentos.

Além de fazer o acompanhamento médico e buscar, em exames, respostas para a situação, é importante lembrar que a ansiedade para ter um filho e o estresse gerado pelo aborto recorrente também dificultam a concepção e a manutenção da gravidez. Por isso, é importante considerar procurar apoio psicológico e não colocar uma pressão ainda maior sobre si e seu(sua) companheiro(a).

Mais informações sobre aborto você encontra no texto Causas do aborto e o que fazer se você já teve um aborto espontâneo. Não deixe de ler.