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Relativamente comum, o aborto espontâneo é a interrupção da gravidez antes da 20ª semana, ou seja, até o quinto mês de gestação, ou quando o feto tem menos que 500g. Em geral ocorre devido a uma malformação fetal que, provavelmente, não está se desenvolvendo de forma adequada.

Existem alguns mitos em relação ao aborto espontâneo, por isso, é importante que a gestante saiba que fazer exercícios, ter relações sexuais, sustos, pequenas quedas ou trabalhar em situações em que não há periculosidade não apresentam riscos naturais à gravidez., segundo as evidências científicas atuais.

Entretanto, como cada gestante precisa de cuidados específicos, é necessário consultar o médico em caso de dúvidas.

Quais são as causas mais comuns do aborto espontâneo?

1. Desenvolvimento embrionário anormal

Esse problema ocorre durante a divisão e o crescimento do embrião e, no geral, não tem relação direta com a saúde dos pais. Trata-se de uma anomalia provocada pela não formação do feto, pela morte embrionária ou pela gravidez molar (nessa situação, o óvulo fertilizado não possui cromossomos da mãe e os cromossomos do espermatozoide do pai são duplicados).

A maioria das alterações de desenvolvimento embrionário/fetal estão relacionadas às aneuploidias, que são desequilíbrios nos números de cromossomos, como a monossomia do X (Síndrome de Turner) e trissomia do cromossomo 21 (Síndrome de Down). As aneuploidias são as principais causas de abortamento espontâneo, responsáveis por cerca de 60-70% dos casos.

São também as causas mais frequentes de falha de tratamentos de reprodução assistida, como a Fertilização in vitro.

2. Saúde materna

Quando a saúde física da mãe não está em perfeitas condições, o feto pode não se desenvolver corretamente e, assim, um aborto espontâneo pode acontecer. Entre as situações mais comuns, estão a diabetes (quando não controlada), as doenças da tireoide como hipotireoidismo, as infecções e as malformações e problemas no útero, como septos uterinos, útero unicorno e adenomiose.

Quais são os fatores de risco?

Por muitas vezes, o aborto espontâneo não tem uma justificativa clara para ocorrer, mas sabemos que algumas circunstâncias definem o público de risco:

  • Idade: as mulheres com mais de 35 anos de idade possuem maior risco de ter um aborto espontâneo do que as mais jovens. Com 35, o risco é aproximadamente 20% maior. Com 40, as chances aumentam para 40% e podem chegar a 80% quando a gestante já completou 45 anos. Isso acontece pois o óvulo envelhece e carrega mais alterações cromossômicas quando é fecundado, aumentando o risco de malformações.
  • Doenças crônicas: como o diabetes mellitus.
  • Problemas no útero ou cervicais: anomalias nessas regiões, como as malformações Müllerianas, podem prejudicar o desenvolvimento da gestação.
  • Vícios: incluem o consumo abusivo de cigarro, álcool e drogas ilícitas, pois afetam a saúde da mulher e do bebê.
  • Peso: a gestante não deve estar nem muito abaixo do peso nem com sobrepeso; ambas as situações oferecem risco à gestação.
  • Exames invasivos: apesar de ser um risco pequeno, exames como a amniocentese e cordocentese também podem provocar o aborto espontâneo.

Como deve ser feita a prevenção?

Em situações em que o aborto espontâneo se torna recorrente, os médicos indicam algumas formas de prevenção, para evitar um desgaste emocional nos pais. Obtido por meio de biópsia do embrião, o Exame de Análise Genética Pré-Implantacional Embrionária, ou PGD (Preimplantation Genetic Diagnosis, em inglês) é um exame clínico que detecta as condições genéticas antes da implantação do embrião no útero materno.

Dessa forma, evita-se que embriões não saudáveis sejam transferidos no tratamento de fertilização in vitro. Quer saber mais sobre esse e outros assuntos? Então, assine a nossa newsletter!