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“Eu não consigo engravidar, Doutor!”

A afirmação, acompanhada por sentimentos de tristeza e ansiedade, chega – ou chegava, até alguns anos – ao consultório médico, normalmente, na voz feminina. Historicamente, a responsabilidade de não engravidar era atribuída à mulher: “ela não pode ter filhos”, ouvíamos.

Talvez essa atribuição de “responsabilidade” pela infertilidade à mulher tenha origens na cultura machista, que imperou durante séculos. Mas o cenário está mudando.

Primeiramente, é preciso entender a diferença entre infertilidade e esterilidade. Diz-se que um homem ou uma mulher têm problemas de fertilidade quando possuem chances menores de serem pais, se comparados aos casais ditos “normais”.

Já esterilidade é incapacidade de um homem ou de uma mulher gerar filhos, ou seja, os indivíduos não produzem espermatozoides e óvulos de forma necessária e adequada para que haja a fecundação.

A infertilidade hoje é vista como uma questão de ambos, homem e mulher. Ou seja, quando o casal tem vida sexual ativa, sem uso de métodos contraceptivos, com relações frequentes, mas consegue conceber um filho, a dificuldade pode estar relacionada tanto ao homem, quanto à mulher.

Diagnóstico, o primeiro passo

Após um ano de tentativas sem sucesso, a primeira coisa a ser feita pelo casal, normalmente por recomendação de um ginecologista, é procurar uma clínica especialista em fertilidade. Juntos! Sim, juntos, pois a infertilidade é conjugal.

Nesse momento, é importante lembrar que os estudos em reprodução humana deram largos passos nas últimas décadas e há caminhos seguros para se chegar a um diagnóstico e buscar o tratamento adequado ao casal.

Para traçar o diagnóstico de infertilidade, o médico especialista fará uma investigação com o casal, pois estudos apontam que cerca de 30% dos casos estão relacionados ao sistema reprodutor feminino ou ao masculino, e também em 30% dos casos há dificuldades com ambos.

Nas mulheres, é importante a investigação do período de ovulação e da dosagem hormonal; além disso, são realizados exames de imagem (ultrassons) para análise do aparelho reprodutor feminino: tamanho, formato e principalmente se há ou não endometriose, patologia que interfere na infertilidade feminina.

Já nos homens, o médico pedirá uma análise do sêmen, para avaliar a produção, a morfologia, a quantidade e a mobilidade dos espermatozoides, além da dosagem hormonal. Também são feitos exames para saber se há doenças inflamatórias ou infecciosas.

Amor e cumplicidade

Antes de qualquer coisa, as palavras que não podem faltar quando o assunto é infertilidade são amor e cumplicidade, para enfrentar todo o processo que se inicia com um diagnóstico e que pretende se encerrar com um bebê nos braços.

É importante lembrar que o processo de investigação das causas da infertilidade busca conhecer os aspectos de saúde e hábitos ligados ao homem, individualmente; à mulher, individualmente, e ao casal. Conhecer o casal e as questões emocionais, comportamentais, os hábitos, se há ou não prática de atividades físicas, se há histórico de doenças anteriores e ou na família são fundamentais para um diagnóstico preciso e para a escolha do tratamento.

Certamente, em todo o processo, um dos aspectos mais importantes é que o casal esteja unido e fortalecido, para enfrentar junto todo o processo, delicado por natureza, e superar as dificuldades, as dores, frustrações. A cumplicidade e a parceria são fundamentais para viver o processo em busca do milagre de gerar um filho.