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Quando realizado um ciclo de fertilização in vitro (FIV), o médico, a escolha dos embriões a serem transferidos é uma etapa muito importante e segue um critério de classificação para definir a qualidade embrionária.

Essa classificação é realizada por avaliação dos aspectos morfológicos do embrião, ou seja, avaliação do aspecto visual ao microscópio de algumas características que se relacionam com a qualidade do embrião.

Além da morfologia, a classificação embrionária ocorre de forma dinâmica, avaliando também a velocidade de clivagem (multiplicação das células).

Existem vários sistemas classificatórios.

A primeira classificação ocorre no estágio de zigoto, com 16-18 horas (1º dia de vida embrionária), e se avalia a simetria nas dimensões dos pró-núcleos (onde ficam os cromossomos da mãe e pai), número e localização dos nucléolos e aparência dos citoplasma (interior do embrião). Outro parâmetro avaliado no zigoto é a espessura da zona pelúcida, camada externa gelatinosa rica em proteínas, que tem relação com a taxa de gravidez.

A segunda classificação geralmente ocorre entre 24-28 horas após a fertilização, quando ocorre a primeira clivagem, sendo avaliados o número e simetria dos blastômeros (células) e o grau de fragmentação celular. Neste estágio é considerado um bom embrião aquele que se apresenta simétrico e com baixa taxa de fragmentação.

Em geral, embriões de 2º dia (D2) devem apresentar de 2 a 4 células, e embriões de 3º dia, de 6 a 8 células.

A classificação da fragmentação varia, mas é frequentemente classificada em 4 graus:

  • Grau A ou I: fragmentação < 10%;
  • Grau B ou II: fragmentação de 10-25%;
  • Grau C ou III: fragmentação de 25-50%;
  • Grau D ou IV: fragmentação >50%
Embriao
Assim, a classificação até o 3º dia de vida embrionária é feita com um número (número de células) e uma letra ou número romano (grau de fragmentação).  Ex.: embrião de terceiro dia 8 A, ou 8 I, embrião de excelente qualidade, com 8 células, sem fragmentação. Na prática: 8A ou 8célsI ou 8g1.

Podendo receber ainda classificação quanto á morfologia do citoplasma dos blastômeros, quanto á presença de células multinucleadas, quanto á espessura da zona pelúcida.

Os estudos indicam que a taxa de fragmentação maior que 25% (grau III ou C) está associada a menores taxas de gestação, sendo que os graus de fragmentação A e B são semelhantes neste sentido.

Outros citam que embriões com taxa de fragmentação maior que 50% (grau IV ou D) estão associados à altas taxas de alterações genéticas.

Um embrião de boa qualidade é aquele que se encontra no estágio adequado de evolução, ou seja, apresenta o número de células esperados para o dia da avaliação e com fragmentação menor que 25% (graus A e B).

A classificação de blastocistos (embriões a partir do 5º dia) é um pouco diferente. Proposto por Gardner em 2001, avalia a espessura da zona pelúcida, espessura da trofectoderme (camada externa que origina a placenta), adesão e simetria dos blastômeros, cavidade do blastocisto e a massa celular interna (porção que dá origem ao feto).

Embriao-2Imagem retirada de Unifenas – BH

A classificação dos blastocistos é feita da seguinte forma:

Blasto-classificacaoO blastocisto 4 AA é o um dos melhores embriões de 5º dia, de acordo com Gardner.

Há modificações desta classificação, que acrescentam o estágio de eclosão embrionária, ou seja, a saída da zona pelúcida.

Ainda recente, outro tipo de avaliação embrionária é feito por time-lapse, um método cinematográfico por meio de fotos dos embriões com intervalos mais curtos, permitindo uma avaliação mais detalhada e constante do desenvolvimento embrionário.

Vale assistir um vídeo de time-lapse: é muito interessante ver como o embrião humano cresce em poucas horas, mas ainda não sabemos se há aumento nas taxas de implantação e de gravidez com a utilização da técnica. Os estudos atuais mostram que não parece acrescentar clinicamente quando comparada com a avaliação morfológica.

Referências

– Oócitos e qualidade embrionária: é sua morfologia um bom critério? Hamamah S et al. J Obstet Gynecol Reprod Biol 2005.

– Avaliação de embriões através da análise de núcleos de blastômeros; Reprodução Humana

– Os métodos de pontuação do embrião em fertilização in vitro, Baczkowski T et atl, Biologia Reprodutiva, 2003.

– A morfologia de embriões humanos pronuclear está positivamente relacionada com o desenvolvimento e implantação de blastocisto. Scott et al. Reprodution Humana, 2000

– O impacto da zona pelúcida vanation espessura de embriões humanos em resultado da gravidez em relação ao desenvolvimento de embriões de qualidade inferior. Um estudo randomizado prospectivo controlado. Gabrielsen, AL, et. al Reprodução Humana de 2001

– Embrião com elevado potencial implante após a injecção de esperma intracitoplasmática pode ser reconhecido por um exame não invasivo simples de morfologia pronuclear. TESAŘÍK J et al, Reprodução Humana, 2000

– Avaliação Noinvasive do consumo de nutrientes embrião humano como uma medida de potencial de desenvolvimento. DK Gardner et al. , Fertility and Sterility, 2001

– sistemas de avaliação morfológica de embriões humanos e evidência clínica, Machtinger R, Racowsky C, Reprod Biomed linha 2013

– Os resultados clínicos seguintes seleção de embriões pré-implantação humanos com monitoramento de lapso de tempo: uma revisão sistemática, Kaser DJ et al. Reprodução Humana Atualização de 2014

Assista o vídeo sobre o assunto: