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Mais de 30 milhões de casais no mundo usam a vasectomia como método de controle da natalidade, representando 8% de todos os métodos contraceptivos. Nestes casos, quando o homem inicia um novo relacionamento, geralmente com uma mulher mais nova, que ainda não teve filhos, surgem inúmeras dúvidas na cabeça do casal e alguns deles procuram ajuda médica especializada para conversar a respeito das possibilidades de gravidez, seja esta espontânea ou com o apoio de técnicas de reprodução assistida.

Neste sentido, cerca de 6 a 8 % dos vasectomizados procuraram um urologista para reverter o quadro de infertilidade causado pela vasectomia. O que muitos não sabem é que o período entre a vasectomia e o momento da decisão por uma reversão é um ponto crítico para o sucesso, pois quanto menor for este, tempo maior a chance de retorno à fertilidade. Nas reversões dentro de até 3 anos, a chance de obter espermatozoides na ejaculação é de 97% e de gravidez 76%. Entre 3 e 8 anos após a vasectomia, a chance de gravidez após sua reversão são de 53%. Entre 8 e 14 anos após a cirurgia, a chance de reversão do quadro de infertilidade é de 44%. Finalmente, nas vasectomias com mais de 14 anos, esta chance diminui para 31%.

Vale lembrar que esta porcentagem de reversões de vasectomia é maior em países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, esta taxa tem se mantido constante (500 mil/ano), mas o número de pacientes que requisitam a reversão tem aumentado.

Adicionalmente, o ideal é que a reversão seja realizada por um urologista experiente em microcirurgia, pois em até 40% dos casos é necessária a vasoepididmoanastomose (técnica cirúrgica empregada quando a obstrução está no túbulo epididimário, tornando a cirurgia muito mais difícil e complexa).

Outro fator muito importante na taxa de gravidez após a reversão da vasectomia é a idade da esposa, pois nos casos onde as mulheres já estão próximas dos 40 anos, as dificuldades para gravidez espontânea são maiores pela própria natureza do aparelho reprodutor feminino. Nestes casos, opta-se geralmente por técnicas de reprodução assistida, na qual uma punção na bolsa testicular capta os espermatozoides necessários para a fertilização in vitro.

Por fim, vale ressaltar a mensagem de que a reversão da vasectomia é geralmente possível, mas o impacto deste tratamento para a fertilidade do casal deve levar em conta outros fatores também, como o tempo que foi feita a vasectomia e a idade da esposa.

O AUTOR

Dr. Conrado Alvarenga é médico formado pela Universidade de São Paulo (USP) com residência em Urologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de SP (HC). Atualmente é médico da Clínica de Reprodução Humana Vida Bem Vinda, responsável pela andrologia e Infertilidade Masculina; e Médico Colaborador do Hospital das Clínicas de São Paulo, atuando neste serviço junto ao Centro de Reprodução Humana Mário Covas. Possui o titulo de membro efetivo da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Faz parte da equipe de Check-Up Masculino do Grupo Fleury, em São Paulo e é membro assistente do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês.c