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Ainda há certo tabu sobre a doação de óvulos, embora seja uma prática bastante difundida no mundo todo. O objetivo desse procedimento é permitir a reprodução assistida a mulheres que não possuem óvulos em boa quantidade ou qualidade para engravidar.

No Brasil, há algumas normas e regras específicas, como a que determina o anonimato tanto de doadoras quanto de receptoras de óvulos. Isso também vale para a doação de sêmen. Há também muitos mitos e dúvidas sobre os riscos em todas as etapas do tratamento. Confira alguns fatos e explicações breves sobre o assunto:

1. Requisitos para ser uma doadora

O recrutamento de doadoras de óvulos segue alguns padrões de ordem médica. Normalmente, são consideradas doadoras em potencial mulheres saudáveis, com idade de até 35 anos, sem doenças genéticas conhecidas e com boa reserva ovariana.

A equipe responsável pelo tratamento também busca a compatibilidade de tipo sanguíneo entre a doadora e a receptora e a maior proximidade possível de características físicas (fenótipo). Além disso, são realizadas pesquisas rigorosas quanto à saúde e hábitos de vida da doadora, aumentando a chance de sucesso.

2. Imposições legais

Ao contrário do que acontece em alguns países, a regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM)  do Brasil proíbe que a doadora e a receptora se conheçam, ou mesmo saibam a identidade uma da outra. O tratamento deve ser anônimo.

Também há restrição de trocas comerciais entre as partes, sendo a doação um ato voluntário. Mesmo assim, há uma norma do CFM que permite a “doação compartilhada”, que ocorre quando uma mulher em tratamento de Fertilização in vitro doa parte dos seus óvulos para outra mulher e, em troca, divide os custos do tratamento.

Assim, geralmente, o custo do tratamento acaba sendo mais baixo para a doadora de óvulos que, em troca, compartilha parte dos óvulos com a receptora.

3. O que acontece com os óvulos doados?

O ciclo todo é realizado pela técnica de Fertilização in vitro (FIV) e começa com a coleta dos óvulos da doadora após estimulação hormonal, desenvolvendo os folículos (que contém os óvulos) naquele período.

Depois, no laboratório de Reprodução Humana, os espermatozoides do parceiro da receptora são utilizados para fecundar os óvulos. Quando ocorre a doação compartilhada, metade dos óvulos é fertilizada com os espermatozoides do parceiro da doadora, e a outra metade com os do marido da receptora.

4. Doadoras sentem dor?

Como esse processo ocorre a partir da injeção de hormônios que o corpo feminino já produz diariamente, as consequências indesejáveis são semelhantes durante o período pré- menstrual, mas podem ser mais intensas, incluindo cólicas e sensação de peso no abdome. Pode haver um leve desconforto no local da injeção, mas por pouco tempo. Normalmente, as dores são mais frequentes no final da estimulação ovariana e melhoram bastante após a coleta de óvulos.

5. O mito de doadoras que não conseguem ter filhos após o tratamento

Depois de doar óvulos, a mulher preserva a sua capacidade de ter filhos intacta e sem sofrer qualquer diminuição. Isso porque os óvulos coletados teriam sido descartados pelo organismo naturalmente, mesmo quando não se faz nenhum tipo de estimulação ou até mesmo bloqueio hormonal, como com o uso de pílula anticoncepcional.

6. Para quem são destinados os óvulos?

As mulheres que buscam a ovodoação geralmente têm uma baixa reserva ovariana, com uma quantidade e/ou qualidade reduzida de óvulos, ou já foram submetidas a tratamentos de reprodução assistida mas tiveram uma baixa resposta dos ovários aos medicamentos. Mulheres com alterações genéticas podem recorrer à ovodoação, evitando a transmissão de doenças hereditárias.

Isso pode ocorrer por uma série de motivos, como uso de quimioterapia ou radioterapia pélvica para tratamento de câncer, cirurgias ovarianas, idade materna avançada (do ponto de vista reprodutivo), fatores genéticos etc.

A idade é a barreira mais comum, já que existe uma diminuição natural e contínua do número de óvulos conforme a idade materna avança.

7. Há riscos de uma gravidez múltipla?

A evolução das técnicas tem melhorado a eficiência da fertilização, sendo agora necessário um número menor de embriões transferidos para o útero, o que diminui as taxas de gravidez múltipla. Sempre dizemos que o mais importante é termos qualidade, e não quantidade.

Mesmo assim, as chances de a gestação gemelar são maiores do que as da gravidez espontânea. Quando transferimos mais de um embrião e o teste de gravidez é positivo, a chance de gestação gemelar é cerca de 20 a 30%.

Todo e qualquer tratamento de reprodução assistida envolve aspectos psicológicos tanto das doadoras quanto das receptoras. O vínculo socioafetivo e a sensação de parentalidade podem ser barreiras emocionais consideráveis nesse processo, uma vez que ainda existe muito apego ao lado biológico da reprodução.

Antes de iniciar esse procedimento, todos os casais envolvidos devem passar por grande reflexão sobre as consequências do tratamento. Muitas clínicas que realizam esse procedimento recomendam acompanhamento psicológico a fim de evitar traumas e arrependimentos. Procure se informar e esgote suas dúvidas em consultas com profissionais especializados.